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Ambev supera expectativas no 1T26 com recorde de vendas de cerveja no Brasil e ações disparam 11%

Lucro líquido de R$ 3,886 bilhões e volume recorde no segmento de cervejas impulsionam maior alta em anos, enquanto analistas apontam revisões positivas e Copa do Mundo como vento favorável.

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Ambev supera expectativas no 1T26 com recorde de vendas de cerveja no Brasil e ações disparam 11%
Lucro líquido de R$ 3,886 bilhões e volume recorde no segmento de cervejas impulsionam maior alta em anos, enquanto analCrédito · InfoMoney

Os factos

  • Lucro líquido de R$ 3,885,6 bilhões no 1T26, alta de 2,1% ante 1T25.
  • Ações (ABEV3) subiram 10,73% a R$ 15,99 às 10h13 e 11,15% a R$ 16,05 às 10h30.
  • Volume de cerveja no Brasil cresceu 1,2% na comparação anual, recorde para primeiros trimestres.
  • Receita líquida por hectolitro avançou 8,3% na base anual, acima das estimativas da XP.
  • Segmentos premium e super premium cresceram cerca de 20%, compensando queda de um dígito baixo nas categorias core e value.
  • EBITDA ajustado de R$ 7,55 bilhões, em linha com estimativas; receita de R$ 22,4 bilhões, 2,9% abaixo do projetado.
  • XP mantém recomendação de venda com preço-alvo de R$ 13; Itaú BBA tem neutra com alvo de R$ 17.

Recorde de vendas de cerveja no Brasil impulsiona ações

A Ambev divulgou na manhã desta terça-feira um lucro líquido de R$ 3,885,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, superando as expectativas do mercado e impulsionando suas ações a uma alta de mais de 10% na B3. O grande motor do resultado foi o segmento de cervejas no Brasil, que atingiu um recorde histórico de volume para um primeiro trimestre, com crescimento de 1,2% na comparação anual, contrariando as projeções de retração de 1% a 2% do consenso de mercado. Às 10h13, os papéis ABEV3 subiam 10,73%, cotados a R$ 15,99, enquanto o Ibovespa avançava 0,08%, aos 185.743 pontos. Por volta das 10h30, a alta se acelerava para 11,15%, a R$ 16,05. O desempenho representou uma inflexão relevante após um longo período de questionamentos sobre a capacidade da companhia de crescer receita no Brasil.

Volume recorde e precificação acima do esperado surpreendem analistas

A XP Investimentos destacou que o segmento de cerveja no Brasil foi o principal destaque do trimestre, com desempenho sólido em termos relativos frente a pares e expectativas do mercado, superando suas próprias estimativas e compensando resultados mais fracos em outras operações. O volume recorde para primeiros trimestres indicou ganho de participação no sell-in, enquanto a receita líquida por hectolitro avançou 8,3% na base anual, também acima das projeções da XP, refletindo iniciativas de gestão de receita e melhora no mix de produtos. O Itaú BBA avaliou que a operação doméstica de cervejas superou as expectativas tanto em volume quanto em precificação, contrariando o tom mais pessimista do mercado. O banco apontou apenas uma leve frustração no custo por hectolitro, mas considerou o impacto limitado, destacando que a companhia reiterou suas projeções para o ano.

Revisões positivas de lucro e fortalecimento do portfólio

O Bradesco BBI afirmou que, pela primeira vez em um longo período, os resultados do trimestre devem levar a revisões positivas nas estimativas de lucro da Ambev. O banco vinha questionando o desempenho da receita líquida da divisão de cervejas no Brasil, diante da falta de crescimento consistente em volume e preços, o que limitava o potencial de valorização da companhia em meio a um ambiente competitivo mais desafiador. Esse cenário era agravado pela maior exposição da Ambev ao segmento de cervejas tradicionais, que enfrenta tendência de queda. No entanto, no 1T26, houve uma inflexão relevante: os volumes cresceram mesmo com bases comparativas mais exigentes, enquanto os preços foram ajustados sem perda de participação de mercado. Para o BBI, isso indica um fortalecimento do portfólio da companhia no Brasil, no melhor nível em anos.

Premium e super premium crescem 20%, compensando queda nas linhas core

A administração reportou crescimento na casa dos 20% nos segmentos premium e super premium, parcialmente compensado por queda de um dígito baixo nas categorias core e value. Esse movimento de migração para produtos de maior valor agregado contribuiu para a melhora do mix e para a receita por hectolitro acima do esperado. Mesmo em operações que ainda enfrentam ambientes de indústria desafiadores, como Canadá e LAS (Latin America South), a XP viu pontos positivos: a companhia conseguiu expandir margens nessas geografias, enquanto o setup parece assimetricamente inclinado para o upside entrando no segundo trimestre, com a Copa do Mundo como vento favorável de curto prazo.

Copa do Mundo e perspectivas para o ano

O Itaú BBA atribuiu o EBITDA acima do esperado à dinâmica de receita mais forte do que o esperado no segmento de cervejas no Brasil. No entanto, o banco vê pouco espaço para discussões mais amplas além de reconhecer um sólido ponto de partida para o ano, que deve ganhar ainda mais força ao longo do segundo e terceiro trimestres de 2026, impulsionado pela Copa do Mundo. A Ativa Investimentos avaliou que a cervejaria apresentou um resultado positivo pelo lado da rentabilidade, apesar da receita fraca, em linha com o esperado, com a maior parte dos mercados em queda devido ao momento fraco da indústria, enquanto apenas Cervejas Brasil apresentou ligeira alta.

Recomendações divergentes e preços-alvo

Apesar da leitura construtiva e da expectativa positiva com a Copa do Mundo, a XP mantém recomendação de venda para a Ambev, com preço-alvo de R$ 13. Já o Itaú BBA tem recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 17. O Bradesco BBI, por sua vez, sinalizou que os resultados devem levar a revisões positivas nas estimativas de lucro, o que pode alterar o cenário de valuation. A divergência entre as casas reflete a incerteza sobre a sustentabilidade do crescimento de volumes e preços no Brasil, bem como os desafios em outras geografias. No entanto, o consenso é de que o primeiro trimestre de 2026 marcou uma virada importante para a companhia.

Um novo capítulo para a Ambev no Brasil

O desempenho do 1T26 sugere que a Ambev pode estar iniciando um novo ciclo de crescimento no Brasil, ancorado em ganhos de participação de mercado, melhora de mix e disciplina de preços. A combinação de volume recorde, receita por hectolitro acima do esperado e expansão de margens em mercados desafiadores sinaliza que a estratégia da companhia está gerando resultados. Com a Copa do Mundo no horizonte e a expectativa de revisões positivas de lucro, a Ambev parece ter recuperado a confiança dos investidores, ainda que as recomendações de venda e neutra indiquem cautela quanto ao valuation atual. O mercado agora aguarda os próximos trimestres para confirmar se a inflexão é duradoura.

Em resumo

  • Lucro líquido de R$ 3,886 bilhões no 1T26 superou expectativas, com destaque para o segmento de cervejas no Brasil.
  • Volume de cerveja no Brasil atingiu recorde para primeiros trimestres, com crescimento de 1,2% ante 1T25.
  • Receita por hectolitro subiu 8,3%, impulsionada por mix premium e gestão de receita.
  • Segmentos premium e super premium cresceram 20%, compensando queda nas linhas core e value.
  • Analistas preveem revisões positivas de lucro, com Copa do Mundo como catalisador no 2T26 e 3T26.
  • Recomendações divergentes: XP vende (alvo R$ 13), Itaú BBA neutro (alvo R$ 17), BBI sinaliza revisões positivas.
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