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Carol Proner, mulher de Chico Buarque, acumula contratos de R$ 14,5 milhões com prefeitura de Maricá

Advogada preside conselho de empresa municipal e tem escritório e instituto sob sua direção com vínculos milionários firmados durante gestão do prefeito Washington Quaquá (PT).

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Carol Proner, mulher de Chico Buarque, acumula contratos de R$ 14,5 milhões com prefeitura de Maricá
Advogada preside conselho de empresa municipal e tem escritório e instituto sob sua direção com vínculos milionários firCrédito · Tempo Real RJ

Os factos

  • Carol Proner preside o Conselho de Administração da Empresa de Cultura e Turismo de Maricá.
  • Seu escritório, Proner & Strozake, tem dois contratos ativos com o município totalizando R$ 1,47 milhão.
  • Primeiro contrato, de R$ 636 mil, foi firmado em 4 de maio de 2023 e reajustado para R$ 777,6 mil em 2024.
  • Segundo contrato, de R$ 702 mil, foi assinado em 23 de julho de 2025 com vigência até 22 de julho de 2026.
  • O instituto Joaquín Herrera Flores, do qual Proner é diretora, tem contrato de R$ 13,1 milhões com a prefeitura.
  • Termo de colaboração com o instituto foi assinado em 12 de junho de 2023, com pagamentos trimestrais por 48 meses.
  • Contratos são para serviços jurídicos especializados e formação em direitos humanos.
  • Prefeito Washington Quaquá (PT) comanda Maricá desde 2021.

Advogada e primeira-dama de fato na gestão municipal

Carol Proner, advogada e esposa do cantor Chico Buarque, consolidou uma presença institucional e financeira expressiva em Maricá, cidade fluminense governada pelo prefeito Washington Quaquá (PT). Além de presidir o Conselho de Administração da Empresa de Cultura e Turismo municipal, ela mantém vínculos contratuais que somam R$ 14,57 milhões entre seu escritório de advocacia e um instituto de direitos humanos sob sua direção. Os contratos foram firmados entre 2023 e 2025, durante a gestão de Quaquá, que assumiu a prefeitura em 2021. A proximidade de Proner com o núcleo do poder local levanta questões sobre a sobreposição entre interesses privados e públicos, embora todos os acordos tenham sido formalizados por meio de chamamento público, segundo os registros oficiais.

Dois contratos do escritório Proner & Strozake somam R$ 1,47 milhão

O escritório Proner & Strozake Sociedade de Advogados, liderado por Carol Proner e pelo advogado Ney Strozake, possui dois contratos ativos com a prefeitura de Maricá. O primeiro foi assinado em 4 de maio de 2023, com valor inicial de R$ 636 mil, destinado à prestação de serviços jurídicos especializados à Companhia Maricá Biotec. Em 2024, o contrato foi reajustado para R$ 777,6 mil. O segundo contrato, firmado em 23 de julho de 2025, tem vigência até 22 de julho de 2026 e valor de R$ 702 mil. Desta vez, os serviços de assessoria jurídica são prestados à Companhia Maricá Alimentos (Amar). Ambos os contratos somam R$ 1,47 milhão e reforçam a atuação do escritório na interface entre direito público, direito internacional e direitos humanos.

Instituto de direitos humanos recebe R$ 13,1 milhões em 48 parcelas

Carol Proner também é diretora do Instituto Joaquín Herrera Flores, uma organização da sociedade civil (OSC) que firmou um termo de colaboração com a Prefeitura de Maricá em 12 de junho de 2023. O contrato, no valor de R$ 13,1 milhões, foi assinado por Proner e pelo secretário de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher, João Carlos de Lima. O instituto foi selecionado por meio de chamamento público para desenvolver ações de formação e capacitação em direitos humanos. O pagamento é feito em parcelas trimestrais ao longo de 48 meses, prazo total de vigência do acordo. O montante representa a maior fatia dos vínculos de Proner com o município.

Atuação na interseção entre direito público e privado

O escritório Proner & Strozake define sua área de atuação na confluência entre o Direito Público, o Direito Internacional e os Direitos Humanos, com foco em direitos fundamentais, administrativos e constitucionais, além das relações entre entes públicos e privados. Essa especialização explica a natureza dos contratos firmados com as empresas municipais Maricá Biotec e Maricá Alimentos, que demandam assessoria jurídica em temas regulatórios e de governança. A presença de Proner no Conselho de Administração da Empresa de Cultura e Turismo adiciona uma camada extra de influência sobre as políticas culturais do município, embora não haja indicação de conflito formal.

Contexto político e econômico de Maricá

Maricá, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, vive um ciclo de expansão fiscal impulsionado pelos royalties do petróleo. O prefeito Washington Quaquá, do PT, está em seu segundo mandato e tem priorizado investimentos em empresas públicas e parcerias com OSCs. A contratação de serviços jurídicos e de capacitação em direitos humanos insere-se nessa estratégia de desenvolvimento local. Os contratos de Proner, embora legais, ocorrem em um cenário onde a linha entre atuação privada e pública é tênue, especialmente quando a contratada ocupa simultaneamente um cargo de direção em uma empresa estatal municipal.

Perguntas em aberto sobre transparência e governança

A concentração de contratos nas mãos de uma pessoa com vínculo pessoal com o prefeito – Proner é aliada política de Quaquá – levanta questões sobre a necessidade de maior transparência nos processos de chamamento público e na gestão de conflitos de interesses. Embora os contratos tenham seguido os trâmites legais, a ausência de uma declaração pública de Proner sobre os vínculos alimenta o debate. Até o momento, nem a prefeitura nem Proner se manifestaram oficialmente sobre os valores acumulados ou sobre a compatibilidade entre os cargos. A oposição local já sinalizou que pode pedir auditoria aos contratos.

Um teste para a governança municipal

O caso de Carol Proner em Maricá ilustra os desafios de governança em municípios com recursos abundantes e redes de influência pessoal. A legalidade dos contratos não elimina a percepção de favorecimento, especialmente quando a contratada ocupa posições estratégicas na administração. O desfecho dependerá da capacidade das instituições de fiscalização – como o Ministério Público e a Câmara de Vereadores – em examinar os processos com rigor. Enquanto isso, a cidade segue como laboratório de políticas públicas que misturam desenvolvimento social e laços pessoais.

Em resumo

  • Carol Proner acumula R$ 14,57 milhões em contratos com a prefeitura de Maricá, entre seu escritório e o instituto que dirige.
  • Ela preside o Conselho de Administração da Empresa de Cultura e Turismo municipal, cargo de confiança.
  • Os contratos foram firmados entre 2023 e 2025, durante a gestão do prefeito Washington Quaquá (PT).
  • O escritório Proner & Strozake presta serviços jurídicos a duas empresas municipais: Maricá Biotec e Maricá Alimentos.
  • O Instituto Joaquín Herrera Flores recebe R$ 13,1 milhões para formação em direitos humanos, pagos em 48 parcelas trimestrais.
  • A sobreposição de cargos públicos e contratos privados de Proner levanta questões de transparência e conflito de interesses.
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