Tech

Cinesystem substitui salas de cinema por boliche e fliperama em Porto Alegre

Com público ainda 30% abaixo do pré-pandemia, rede aposta em arena de entretenimento para atrair clientes que já têm boa TV e streaming em casa.

6 min
Cinesystem substitui salas de cinema por boliche e fliperama em Porto Alegre
Com público ainda 30% abaixo do pré-pandemia, rede aposta em arena de entretenimento para atrair clientes que já têm boaCrédito · Exame

Os factos

  • Cinesystem inaugurou o Loof no shopping Bourbon Country, em Porto Alegre, substituindo duas das oito salas de cinema por pistas de boliche, fliperamas e restaurante.
  • O investimento no Loof superou R$ 15 milhões, com mais de 30 brinquedos importados e oito pistas de boliche.
  • Em 2024, as salas de cinema no Brasil receberam 125 milhões de espectadores e faturaram R$ 2,49 bilhões, alta de 9,8% e 6,2% sobre 2023.
  • Público e renda real do setor ainda estão cerca de 30% abaixo da média pré-pandemia, segundo a Ancine.
  • A rede Cinesystem tem 28 cinemas multiplex, 190 salas e presença em 11 estados brasileiros.
  • Em 2025, a Cinesystem faturou R$ 197 milhões e comprou quatro cinemas.
  • Para 2026, a meta da Cinesystem é crescer 25% e alcançar R$ 246 milhões em receita.
  • Marcos Barros, fundador e CEO da Cinesystem, também preside a Abraplex.

A aposta no entretenimento integrado

Em Porto Alegre, o shopping Bourbon Country abriga agora o Loof, um espaço que transforma parte do antigo cinema da Cinesystem em uma arena de entretenimento indoor. Duas das oito salas de exibição deram lugar a oito pistas de boliche, fliperamas, um restaurante, um sports bar, uma coquetelaria e até uma área para arremesso de machado. O complexo tem capacidade para mais de 250 pessoas nas áreas de alimentação e lazer. O investimento ultrapassou R$ 15 milhões, e mais de 30 brinquedos foram importados para compor a oferta. As seis salas de cinema restantes continuam operando, sendo que três foram convertidas em salas VIP, com poltronas reclináveis e serviço de garçom por QR Code. “Você tem um grupo de amigos saindo do escritório para um happy hour. Hoje, eles vão a um barzinho. No Loof, eles também podem jogar arcade, brincar no arremesso de machado, ir ao boliche ou ao cinema”, afirma Marcos Barros, fundador e CEO da Cinesystem.

A crise do cinema e a busca por novos motivos para sair de casa

O setor cinematográfico brasileiro ainda se recupera dos efeitos da pandemia. Em 2024, as salas de todo o país receberam 125 milhões de espectadores e faturaram R$ 2,49 bilhões, um crescimento de 9,8% e 6,2% respectivamente em relação ao ano anterior. No entanto, esses números ainda estão cerca de 30% abaixo da média registrada antes da crise sanitária, de acordo com dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Para Marcos Barros, que também preside a Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (Abraplex), o setor vive “a maior crise da sua história”. Ele acredita que a solução não é esperar que o espectador volte por nostalgia, mas sim oferecer um novo motivo para sair de casa. “Hoje, quase todo mundo de classe média consegue ter uma belíssima TV, bom som e acesso a milhares de filmes pelos streamings. Então você tem que oferecer algo que ele não consegue fazer em casa”, diz Barros. “E é isso que o cinema sempre fez a vida toda”.

Resultados financeiros e metas de crescimento

No ano passado, a Cinesystem faturou R$ 197 milhões e adquiriu quatro cinemas. Para 2026, a rede estabeleceu a meta de crescer 25%, alcançando R$ 246 milhões em receita. Com um público ainda menor do que no período pré-pandemia, a estratégia para atingir esse objetivo é diversificar a oferta de produtos com maior valor agregado. A rede, fundada em Maringá, no Paraná, conta atualmente com 28 cinemas multiplex, 190 salas e presença em 11 estados brasileiros. O modelo Loof representa a tentativa mais ousada da empresa de reinventar o conceito de cinema, transformando-o em um destino de entretenimento completo. Barros enfatiza que o cinema não perdeu o protagonismo na operação. As seis salas restantes no Loof continuam a exibir filmes, e a experiência foi aprimorada com as salas VIP. A ideia é que o público possa combinar diferentes atividades em uma única visita.

O contexto do mercado exibidor brasileiro

A iniciativa da Cinesystem ocorre em um momento em que o mercado exibidor brasileiro busca se reinventar. A pandemia acelerou a migração do público para plataformas de streaming, e a recuperação das salas de cinema tem sido lenta. Dados da Ancine mostram que, apesar do crescimento em 2024, o setor ainda não recuperou o patamar de público e receita de 2019. A estratégia de diversificação, com a incorporação de outras formas de entretenimento, não é exclusiva da Cinesystem. Outras redes também têm experimentado modelos híbridos, mas o Loof se destaca pelo investimento e pela amplitude da oferta. A aposta é que a experiência presencial, combinada com atrações que não podem ser replicadas em casa, atraia um público mais amplo. Barros, como presidente da Abraplex, tem uma visão privilegiada do setor. Sua análise de que o cinema precisa oferecer algo além da exibição de filmes reflete uma tendência que pode se tornar cada vez mais comum no Brasil.

O futuro dos cinemas e o papel do Loof

O Loof funciona como um laboratório para a Cinesystem. Se o modelo se mostrar bem-sucedido, a rede poderá expandi-lo para outras unidades. A meta de crescimento de 25% para 2026 sugere que a empresa está confiante na estratégia. No entanto, o sucesso do Loof dependerá da capacidade de atrair não apenas cinéfilos, mas também grupos de amigos e famílias em busca de lazer. A localização no shopping Bourbon Country, em Porto Alegre, é estratégica, pois oferece fácil acesso e uma base de consumidores já acostumada a frequentar o centro comercial. A Cinesystem aposta que a combinação de cinema, boliche, fliperamas e gastronomia pode criar um novo hábito de consumo. Em um mercado onde a concorrência com o streaming é feroz, a saída pode ser transformar a ida ao cinema em uma experiência mais rica e diversificada.

Análise: uma aposta calculada em um setor em transformação

A decisão da Cinesystem de substituir salas de cinema por um parque de diversões indoor reflete uma leitura realista do mercado. Com a popularização dos streamings e a melhoria da qualidade das TVs domésticas, o diferencial do cinema já não é apenas a tela grande, mas a experiência coletiva e as atrações complementares. O investimento de mais de R$ 15 milhões no Loof é significativo, mas a empresa aposta que o retorno virá do aumento do ticket médio por visitante. Ao oferecer múltiplas atividades em um só lugar, a Cinesystem espera que os clientes gastem mais tempo e dinheiro do que gastariam apenas assistindo a um filme. Ainda é cedo para avaliar o impacto do Loof nos resultados da rede, mas a iniciativa sinaliza uma direção que pode se tornar comum no setor. Em um cenário de recuperação lenta, a inovação pode ser a chave para a sobrevivência dos cinemas.

Em resumo

  • A Cinesystem inaugurou o Loof em Porto Alegre, substituindo duas salas de cinema por boliche, fliperamas e restaurante, com investimento superior a R$ 15 milhões.
  • O setor de cinema no Brasil ainda está 30% abaixo da média pré-pandemia em público e receita, apesar do crescimento em 2024.
  • A rede faturou R$ 197 milhões em 2025 e projeta R$ 246 milhões em 2026, com crescimento de 25%.
  • Marcos Barros, CEO da Cinesystem e presidente da Abraplex, afirma que o cinema precisa oferecer experiências que não podem ser replicadas em casa.
  • O Loof mantém seis salas de cinema em operação, três delas convertidas em VIP com poltronas reclináveis e serviço de garçom.
  • A estratégia da Cinesystem é diversificar a oferta de produtos de maior valor agregado para compensar a queda de público.
Galerie
Cinesystem substitui salas de cinema por boliche e fliperama em Porto Alegre — image 1Cinesystem substitui salas de cinema por boliche e fliperama em Porto Alegre — image 2Cinesystem substitui salas de cinema por boliche e fliperama em Porto Alegre — image 3Cinesystem substitui salas de cinema por boliche e fliperama em Porto Alegre — image 4Cinesystem substitui salas de cinema por boliche e fliperama em Porto Alegre — image 5
Mais sobre isto