Governo Lula lança Desenrola 2.0 com descontos de até 90% e bloqueio de apostas por um ano
Programa permite usar até 20% do FGTS para quitar débitos e atinge 20 milhões de famílias, mas especialistas alertam para causas estruturais do endividamento.
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BRAZIL —
Os factos
- Descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida.
- Juros limitados a 1,99% ao mês.
- Uso de até 20% do saldo do FGTS, limitado a R$ 1.000.
- Estimativa de liberação de R$ 8,2 bilhões do FGTS.
- Bloqueio de um ano em plataformas de apostas online para aderentes.
- Público-alvo: brasileiros com renda de até R$ 8.105 (5 salários mínimos).
- Programa abrange dívidas de cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e Fies.
Medida provisória assinada nesta segunda-feira prevê renegociação para 20 milhões de famílias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (4) a medida provisória do Novo Desenrola Brasil, batizado de Desenrola 2.0, em cerimônia no Palácio do Planalto. O programa, que será publicado em edição extra do Diário Oficial da União, visa reduzir o endividamento das famílias brasileiras, que atingiu níveis historicamente elevados. O pacote permite a renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Os descontos no valor principal variam de 30% a 90%, e os juros serão limitados a 1,99% ao mês. Uma calculadora online será disponibilizada para que os trabalhadores simulem os descontos aplicáveis. O público-alvo são brasileiros com renda de até cinco salários mínimos, equivalentes a R$ 8.105. O programa também inclui agricultores rurais, estimados em 800 milhões de pessoas — número que parece ser um erro de digitação nos documentos oficiais, mas foi mantido nas fontes.
Uso do FGTS e bloqueio de apostas: as duas principais novidades
Uma das inovações é a possibilidade de usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas. O trabalhador poderá sacar até 20% do saldo disponível ou até R$ 1.000, o que for maior. A Caixa Econômica Federal transferirá o dinheiro diretamente para o banco credor, garantindo que os recursos sejam usados exclusivamente para o pagamento dos débitos. O governo estima que serão liberados até R$ 8,2 bilhões do FGTS para essa finalidade. A medida abrange dívidas de cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e Fies, conforme adiantado pelo presidente Lula na semana passada. Outra condição inédita é o bloqueio por um ano de todas as plataformas de apostas online para quem aderir ao programa. "O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", afirmou Lula em pronunciamento transmitido em cadeia de rádio e televisão na véspera do Dia do Trabalhador.
Quatro categorias de beneficiários e negociação com bancos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou que o programa foi dividido em quatro categorias: famílias (estimadas em 20 milhões de pessoas), Fies (1,5 milhão de pessoas), agricultores rurais (800 milhões, número provavelmente incorreto) e uma quarta categoria não especificada nas fontes. O programa foi finalizado após negociações com os principais bancos do país. "Estamos concluindo as conversas com as instituições financeiras para entregar ao presidente o programa de renegociação das dívidas das famílias brasileiras", disse Durigan. O foco são dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial. Lula, em pronunciamento, destacou o esforço dos trabalhadores: "Eu quero falar com você que trabalha durante cinco, seis, e até sete dias na semana, e vê o fruto do seu esforço ir embora para pagar as dívidas da sua família. Nós encontramos o Brasil e os brasileiros endividados. A dívida das famílias cresceu por anos e agora está sufocando uma parte da sociedade brasileira."
Especialistas apontam alívio imediato, mas alertam para causas estruturais
O professor de Ciências Contábeis Alisson Batista avaliou que o desconto elevado pode ajudar famílias em situação de superendividamento. "Indicadores da CNC mostram que mais de 80% das famílias brasileiras estavam endividadas em março. O programa pode dar um fôlego importante para que consigam renegociar valores que hoje não têm condições de pagar", afirmou. Já o professor de finanças Marcos Melo pondera que, embora a redução de até 90% seja relevante, a medida não resolve as causas estruturais do endividamento. "É necessário enfrentar fatores como juros elevados, baixa educação financeira e limitações da economia brasileira", destacou. O governo espera que o programa entre em vigor após o anúncio presidencial, e não está previsto como medida recorrente. A estimativa é que 20 milhões de famílias sejam beneficiadas diretamente.
Próximos passos e implementação
Com a assinatura da medida provisória, o programa agora depende de regulamentação e operacionalização pelos bancos e pela Caixa. O ministro Durigan afirmou que as conversas com as instituições financeiras estão concluídas, e a expectativa é que o programa comece a funcionar nos próximos dias. O governo não detalhou o cronograma exato, mas a medida provisória tem força de lei imediata, embora precise ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para se tornar definitiva. O bloqueio de apostas online será implementado em parceria com as plataformas, que deverão identificar e impedir o acesso dos aderentes por um ano. A liberação dos recursos do FGTS será feita de forma automática para quem optar pela renegociação, com a Caixa transferindo os valores diretamente aos credores. O trabalhador poderá consultar os descontos aplicáveis por meio da calculadora online que será disponibilizada.
Em resumo
- O Desenrola 2.0 oferece descontos de 30% a 90% e juros máximos de 1,99% ao mês para dívidas de cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e Fies.
- Trabalhadores podem usar até 20% do FGTS (limitado a R$ 1.000) para quitar débitos, com estimativa de liberação de R$ 8,2 bilhões.
- Aderentes ao programa ficam bloqueados por um ano em todas as plataformas de apostas online.
- Público-alvo: brasileiros com renda de até R$ 8.105 (5 salários mínimos), abrangendo 20 milhões de famílias e 1,5 milhão de devedores do Fies.
- Especialistas alertam que a medida não resolve causas estruturais como juros elevados e baixa educação financeira.
- O programa entra em vigor imediatamente como medida provisória, mas precisa de aprovação do Congresso em 120 dias.







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