Documentário 'Zico, o samurai de Quintino' revela o bairro que forjou o ídolo
Longa de João Wainer, que estreou na quinta-feira, desloca o foco para as origens do craque, mostrando como Quintino moldou seus valores e sua personalidade.
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BRAZIL —
Os factos
- Documentário 'Zico, o samurai de Quintino' estreou em 30 de janeiro nos cinemas brasileiros.
- Direção de João Wainer, que assumiu o projeto após três anos de desenvolvimento.
- Produção da Vudoo Filmes e Guará Entretenimento, com proposta de Thiago Coimbra, filho de Zico.
- Acervo inclui imagens raras em Super-8, registros da TV Globo, Flamengo e Canal 100.
- Depoimentos de Júnior 'Maestro', Carpegiani, Carlos Alberto Parreira e Ronaldo Fenômeno.
- Zico está há 60 anos no futebol e nunca perdeu um voo, segundo ele mesmo.
- Esposa Sandra participa ativamente, casada com o ídolo há 50 anos.
- Título faz referência à mistura de ginga de Quintino com disciplina japonesa.
Quintino como protagonista
Antes dos gols de falta que atravessaram gerações, antes dos estádios cheios e da idolatria mundial, havia Quintino. O bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, onde a bola corria solta entre irmãos e a escola era extensão de casa, é o verdadeiro centro do documentário 'Zico, o samurai de Quintino', que estreou na quinta-feira (30) em todo o Brasil. O filme não trata Quintino como pano de fundo, mas como personagem central. 'Entendemos muito rapidamente que Quintino não era só um cenário para esse filme. Era parte essencial de quem o Zico é', afirma o diretor João Wainer. O bairro, eternizado no apelido Galinho de Quintino, deixou de ser apenas ponto de partida e assumiu a narrativa. A equipe percorreu o bairro, visitou os locais onde Zico jogava quando criança, encontrou a casa onde cresceu — ainda preservada — e promoveu encontros familiares que reconstroem esse início. 'Não precisamos fazer nenhum tipo de recriação. O filme foi filmado lá, e conseguimos um material de acervo interessante de Quintino, com imagens antigas, coloridas, de películas', diz Wainer.
A formação de um craque além do futebol
Na fala do próprio Zico, o peso do lugar se revela com clareza. 'Tudo que aprendi, meus valores morais, éticos, educacionais, surgiram todos em Quintino', afirma. 'Foi com meus pais e com meus professores na escola.' O documentário mostra que a trajetória do jogador é inseparável das lições aprendidas na infância. O diretor sublinha uma frase de Zico que aparece logo no início: 'Ele diz que está há 60 anos no futebol e nunca perdeu um voo. Isso mostra o tamanho do comprometimento dele, o respeito pelos companheiros, o compromisso e a ética, o jeito que ele encara o esporte, a dedicação ao trabalho.' Essa combinação de talento, ginga e improviso aprendidos em Quintino com a disciplina, resiliência e senso de coletividade — que o diretor associa à cultura japonesa — ganhou nome anos depois: Spirit of Zico. 'O japonês, no final da carreira dele, chegou a entender isso e deu um nome para isso', conta Wainer.
Um acervo pessoal transformado em filme
O documentário mergulha em um 'museu pessoal' construído e catalogado ao longo dos anos pela família de Zico. O acervo reúne imagens raras em Super-8, registros de bastidores e objetos históricos revisitados com a participação direta de Sandra, esposa do ídolo rubro-negro há 50 anos. Ela acompanhou de perto toda a carreira do marido e participa ativamente da história. Além do acervo familiar, o diretor recorreu aos arquivos da TV Globo, do Flamengo e do Canal 100, que cedeu películas. O resultado são imagens que expõem bastidores inéditos da vida do jogador, da intimidade em casa a momentos pouco conhecidos da carreira. O longa também conta com depoimentos de personagens fundamentais da trajetória do camisa 10, como Júnior 'Maestro', Carpegiani, Carlos Alberto Parreira e Ronaldo Fenômeno, equilibrando memória e análise. Os convites foram orientados por núcleos criados pelo diretor para cobrir diferentes aspectos da vida de Zico.
Três anos de produção e uma narrativa cinematográfica
O projeto já estava em curso havia três anos quando João Wainer foi convidado para a direção. O pontapé inicial veio dos produtores da Vudoo Filmes e da Guará Entretenimento, que entraram em contato com Thiago Coimbra, filho de Zico, para propor o filme. 'Fui contratado mais para o meio do processo para dirigir, para achar o arco narrativo', explica Wainer. Sua incumbência era fazer com que o longa fosse além de um simples documentário de futebol. 'A ideia era buscar uma narrativa mais cinematográfica, um dispositivo que conseguisse levar para outro lugar, e acho que consegui, porque não fala só de futebol, mas também de amor, de família, de laços e de outros valores. Você só entende o atleta quando entende o cara que está ali por trás', afirma. Ao longo de pouco mais de dois anos de produção, o que mais cativou Wainer foi o traço da intimidade e da personalidade de Zico. Ele ressalta que o filme busca trazer um Zico humano, com valores que 'fazem falta nos dias de hoje, quando o futebol está tão individualista'.
O legado de um ídolo em tempos de individualismo
O documentário chega em um momento em que o futebol brasileiro enfrenta críticas por excesso de individualismo. A história de Zico, construída sobre valores de coletividade e disciplina, oferece um contraponto. O título 'Zico, o samurai de Quintino' sintetiza essa dualidade: a ginga e o improviso do bairro com a disciplina japonesa. Para Wainer, o filme não é apenas sobre futebol, mas sobre formação humana. 'Acho que Quintino acabou virando protagonista do filme, inclusive por conta do casamento do Zico, de ele ter se casado com a Sandra, que também morava em Quintino, de ter começado e ter sido descoberto ali. Isso por si só já seria o suficiente, mas acabou virando uma coisa muito maior.' O diretor conclui que o documentário revela um Zico nu — não no sentido de despido, mas de revelado. As imagens expõem bastidores inéditos, mostrando o homem por trás do ídolo, em uma época em que o esporte clama por referências éticas e de compromisso.
Em resumo
- O documentário 'Zico, o samurai de Quintino' estreou em 30 de janeiro nos cinemas brasileiros, dirigido por João Wainer.
- O filme tem Quintino como protagonista, mostrando como o bairro moldou os valores e a personalidade de Zico.
- O acervo inclui imagens raras em Super-8, da TV Globo, Flamengo e Canal 100, além de objetos pessoais da família.
- Depoimentos de Júnior, Carpegiani, Parreira e Ronaldo Fenômeno enriquecem a narrativa.
- Zico afirma que nunca perdeu um voo em 60 anos de futebol, exemplificando seu comprometimento.
- O título reflete a mistura de ginga brasileira com disciplina japonesa, conceito que Zico chamou de Spirit of Zico.


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