Brasil e Espanha condenam 'sequestro' de ativistas por Israel em águas internacionais
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram levados para interrogatório em Israel após interceptação da flotilha Global Sumud perto da costa grega.

BRAZIL —
Os factos
- Thiago Ávila, brasileiro, e Saif Abu Keshek, espanhol-palestino, foram detidos em 30 de janeiro de 2025.
- A flotilha Global Sumud, com 58 barcos e 175 ativistas, foi interceptada em águas internacionais perto da Grécia.
- Vinte e dois barcos foram abordados e inutilizados; 175 ativistas foram detidos e depois liberados em Creta.
- Ávila e Abu Keshek foram levados ao centro de detenção de Shikma, em Ashkelon, Israel.
- Brasil e Espanha emitiram nota conjunta em 1º de fevereiro classificando a ação como 'sequestro' e exigindo retorno imediato.
- Israel acusa Abu Keshek de ser membro da PCPA, organização sob sanções dos EUA, e Ávila de atividades ilegais.
- A PCPA é acusada pelos EUA de trabalhar para o Hamas e organizou flotilha anterior com Greta Thunberg e Ada Colau.
- Os ativistas tentavam romper o bloqueio naval israelense a Gaza e entregar ajuda humanitária.
Interceptação em águas internacionais
Na quinta-feira, 30 de janeiro, a Marinha israelense abordou a flotilha Global Sumud em águas internacionais, nas proximidades da costa da Grécia. A flotilha, composta por 58 barcos e cerca de 175 ativistas, tinha como objetivo declarado romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino. Vinte e duas embarcações foram abordadas e inutilizadas pelas forças israelenses. A maioria dos ativistas foi detida temporariamente em um navio militar israelense e depois liberada na ilha grega de Creta. Doze ativistas que estavam à deriva no Mediterrâneo foram resgatados pela ONG Open Arms.
Detenção de Ávila e Abu Keshek
Diferentemente dos demais, Thiago Ávila, cidadão brasileiro, e Saif Abu Keshek, cidadão espanhol de origem palestina, não foram liberados. Eles foram levados para o centro de detenção de Shikma, na cidade israelense de Ashkelon, após desembarcarem no porto de Ashdod. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os dois serão submetidos a interrogatório pelas autoridades policiais israelenses. Os advogados da organização Adalah, que representa os ativistas, tiveram acesso a eles no centro de detenção. A chancelaria israelense afirmou que ambos receberão visita consular dos representantes de seus respectivos países em Israel.
Reações diplomáticas de Brasil e Espanha
Em nota conjunta divulgada na sexta-feira, 1º de fevereiro, os governos do Brasil e da Espanha condenaram o que chamaram de 'sequestro' de seus cidadãos em águas internacionais. A declaração afirma que a ação israelense é 'flagrantemente ilegal, fora de sua jurisdição, uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições'. Os dois países exigem o retorno imediato e em segurança de Ávila e Abu Keshek, bem como o acesso consular imediato para assistência e proteção. O ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, classificou a detenção como 'ilegal' e pediu a libertação imediata de Abu Keshek para que possa retornar à Espanha.
Acusações israelenses e vínculos com a PCPA
Israel justifica a detenção alegando que Abu Keshek é 'um membro de destaque' da Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sob sanções dos Estados Unidos desde janeiro de 2025, acusada de atuar em prol do Hamas. Thiago Ávila, por sua vez, é descrito como alguém que 'trabalha' com a mesma organização e é 'suspeito de atividades ilegais'. O Departamento do Tesouro americano afirmou que a PCPA está por trás de uma expedição anterior de flotilha, em outubro de 2024, que também tentou romper o bloqueio naval israelense e foi interceptada. Naquela ocasião, estavam a bordo a ativista sueca Greta Thunberg e a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau, além do próprio Thiago Ávila.
Contexto: bloqueio de Gaza e guerra
A Faixa de Gaza está sob bloqueio naval imposto por Israel, que se intensificou após o início da guerra entre Israel e o Hamas em 7 de outubro de 2023, quando comandos islamistas lançaram uma ofensiva surpresa no sul de Israel. O território palestino enfrenta uma devastação humanitária após mais de dois anos de conflito. A flotilha Global Sumud partiu de diferentes portos da Itália, França e Espanha, com a intenção declarada de entregar ajuda humanitária a Gaza. Thiago Ávila havia participado pouco antes de outra flotilha que chegou a Havana, em março de 2024, para denunciar o bloqueio energético do governo Trump a Cuba. Desta vez, Greta Thunberg não se juntou à missão.
Próximos passos e implicações legais
Os ativistas permanecem sob custódia israelense enquanto aguardam interrogatório. A comunidade internacional observa com atenção o desenrolar do caso, que envolve alegações de violação do direito internacional e de jurisdição em águas internacionais. Brasil e Espanha prometem levar a questão a cortes internacionais, se necessário. A situação levanta questões sobre os limites da ação israelense em águas internacionais e o tratamento de ativistas humanitários. Enquanto isso, a flotilha Global Sumud, que não conseguiu cumprir seu objetivo, expõe as dificuldades de levar ajuda a Gaza sob o bloqueio naval.
Em resumo
- Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram detidos por Israel em águas internacionais, gerando condenação de Brasil e Espanha.
- Israel acusa os ativistas de vínculos com a PCPA, organização sob sanções dos EUA por suposta ligação com o Hamas.
- A flotilha Global Sumud, com 58 barcos e 175 ativistas, foi interceptada perto da Grécia; a maioria foi liberada em Creta.
- Brasil e Espanha classificam a ação como 'sequestro' e exigem retorno imediato dos cidadãos, com acesso consular.
- O caso ocorre no contexto do bloqueio naval israelense a Gaza e da guerra iniciada em 7 de outubro de 2023.
- A detenção levanta questões sobre legalidade de interceptações em águas internacionais e direitos de ativistas humanitários.





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