EUA e Irã próximos de acordo para fim de guerra no Golfo
Memorando de 14 pontos mediado pelo Paquistão prevê suspensão de sanções e discussões sobre programa nuclear.

BRAZIL —
Os factos
- Estados Unidos e Irã estão perto de um acordo para encerrar a guerra no Golfo.
- Um memorando de 14 pontos, mediado pelo Paquistão, é a base das negociações.
- O acordo preliminar prevê a suspensão de sanções americanas contra o Irã.
- Discussões sobre restrições ao programa nuclear iraniano estão incluídas.
- O Irã se comprometeria a uma moratória no enriquecimento de urânio.
- O memorando não menciona restrições ao programa de mísseis iranianos.
- O estoque atual de urânio enriquecido do Irã também não é abordado.
Otimismo cauteloso em torno de um acordo de paz
Estados Unidos e Irã encontram-se em um momento crucial, à beira de um acordo preliminar para pôr fim ao conflito no Golfo. Um memorando de paz, com 14 pontos e contido em uma única página, está sendo mediado pelo Paquistão, país que atua como ponte entre as duas nações. A notícia gerou reações imediatas nos mercados globais, com ações em alta e rendimentos de títulos em queda, refletindo o otimismo em relação à potencial normalização do fornecimento de energia, severamente afetado pela guerra. Fontes próximas à mediação indicam que a aceitação deste acordo preliminar daria início a um período de 30 dias para negociações detalhadas, com o objetivo de selar um acordo completo. Embora o memorando inicial não exija concessões imediatas de nenhum dos lados, ele omite pontos cruciais que Washington historicamente demandou e que Teerã rejeitou. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido cauteloso, afirmando que ainda é cedo para conversas diretas com o governo iraniano. Ele alertou que, caso as negociações falhem, os bombardeios podem recomeçar com intensidade ainda maior.
Os termos do memorando e os pontos de discórdia
O cerne do memorando proposto visa encerrar formalmente a guerra e, subsequentemente, abrir caminho para discussões sobre o desbloqueio da navegação no Estreito de Ormuz. Um dos pilares do acordo seria a suspensão das sanções americanas impostas ao Irã, em troca de um compromisso iraniano com restrições ao seu programa nuclear. Fontes e reportagens indicam que o memorando inclui a promessa de uma moratória sobre o enriquecimento futuro de urânio por parte do Irã. No entanto, há divergências significativas quanto à duração dessa moratória: enquanto os Estados Unidos a desejariam por cerca de 20 anos, o Irã propõe uma suspensão de cinco anos. Além disso, o país do Oriente Médio precisaria se comprometer a nunca buscar armas nucleares. Contudo, o documento não aborda questões consideradas sensíveis por Washington, como restrições ao programa de mísseis balísticos do Irã e o fim do apoio a milícias aliadas na região. A questão do estoque atual de urânio enriquecido do Irã, estimado em mais de 400 kg a níveis próximos aos necessários para fins bélicos, também não é mencionada no memorando.
A intervenção americana e a escalada de tensões
A situação no Estreito de Ormuz tem sido marcada por uma escalada de tensões, culminando na suspensão do "Projeto Liberdade" por parte dos Estados Unidos. Esta missão, anunciada por Donald Trump, visava guiar navios através do estreito, mas não obteve sucesso em restabelecer significativamente o tráfego marítimo. Pelo contrário, a iniciativa provocou uma nova onda de ataques iranianos contra navios na região e contra alvos em países vizinhos. Drones e mísseis iranianos atingiram diversos navios, incluindo um cargueiro sul-coreano. O Irã também direcionou ataques repetidos contra os Emirados Árabes Unidos, visando inclusive o principal porto petrolífero do país na costa além do estreito. Em abril, os Estados Unidos haviam imposto seu próprio bloqueio aos portos iranianos, adicionando mais uma camada de complexidade ao já volátil cenário geopolítico.
O Irã aguarda um "acordo justo e abrangente"
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, comentou sobre a situação durante uma visita à China, sem mencionar diretamente as últimas declarações de Trump. Ele afirmou que Teerã está à espera de um "acordo justo e abrangente", indicando uma disposição para negociações, mas mantendo uma postura firme em relação aos seus interesses. As negociações entre os Estados Unidos e o Irã seguem, em grande parte, de forma indireta, com o Paquistão como mediador principal. Teerã ainda não respondeu formalmente a Washington sobre o texto enviado, e a expectativa é que o acordo definitivo não seja fechado neste momento. Enquanto isso, o exército israelense anunciou uma série de ataques contra a infraestrutura do Hezbollah no sul do Líbano, após emitir uma ordem de retirada para 12 aldeias, adicionando um novo elemento de instabilidade regional ao complexo tabuleiro geopolítico.
Em resumo
- Um acordo preliminar entre EUA e Irã para encerrar a guerra no Golfo está próximo, mediado pelo Paquistão.
- O memorando de 14 pontos prevê o fim das sanções americanas e discussões sobre o programa nuclear iraniano.
- O Irã se comprometeria a uma moratória no enriquecimento de urânio, mas a duração é um ponto de discórdia.
- O acordo não aborda restrições ao programa de mísseis iranianos ou ao seu estoque de urânio enriquecido.
- A navegação no Estreito de Ormuz e o apoio iraniano a milícias são temas sensíveis ainda não resolvidos.
- A escalada de tensões recentes inclui ataques iranianos a navios e a suspensão de uma missão americana.
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