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Falência da CRW Plásticos: dívida de R$ 120,5 milhões e complexo industrial a leilão sem lances

Com a morte de um dos sócios por Covid-19 e a paralisação da indústria, a tradicional empresa de Joinville teve a falência decretada em dezembro de 2024; o galpão de 16,6 mil m² foi avaliado em R$ 35,9 milhões, mas não recebeu ofertas.

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Falência da CRW Plásticos: dívida de R$ 120,5 milhões e complexo industrial a leilão sem lances
Com a morte de um dos sócios por Covid-19 e a paralisação da indústria, a tradicional empresa de Joinville teve a falêncCrédito · NSC Total

Os factos

  • CRW Plásticos, fundada em Varginha (MG), atuava em Joinville (SC), Guarulhos (SP), Eslováquia e EUA.
  • Falência decretada em 27 de dezembro de 2024, após dívida acumulada de R$ 120,5 milhões com 890 credores.
  • Sócio-diretor Wagner Francisco Galvão Truglio faleceu em 7 de março de 2021, com Covid-19 como causa.
  • Complexo industrial de 16,6 mil m² (6,6 mil m² construídos) foi a leilão por R$ 35,9 milhões, sem lances.
  • Dívidas trabalhistas somam R$ 29 milhões; empresa tinha mais de 500 colaboradores.
  • Pandemia de Covid-19 foi apontada como principal causa da crise econômica no processo judicial.
  • Artigo 104 da Lei 11.101/05 exige que sócios prestem informações, mas a morte do sócio dificultou o cumprimento.

O colapso de uma tradição de 40 anos

A CRW Plásticos, empresa com quatro décadas de atuação no setor de transformação de termoplástico por injeção, teve sua falência decretada pela Justiça em 27 de dezembro de 2024. O grupo, que possuía unidades em Joinville (SC), Varginha (MG), Guarulhos (SP) e operações no exterior — Eslováquia e Estados Unidos —, acumulava uma dívida de R$ 120,5 milhões distribuída entre 890 credores. O complexo industrial de Joinville, localizado na Rua Edmundo Doubrawa, no Distrito Industrial Norte, foi a leilão neste mês por R$ 35,9 milhões — menos da metade do valor de avaliação —, mas não recebeu nenhum lance. A área total de 16,6 mil metros quadrados, com 6,6 mil metros quadrados de área construída, abrigava galpões industriais estruturados, ponte rolante e maquinário como injetoras, robôs e eletroerosão. A empresa era uma filial da matriz fundada em Varginha, Minas Gerais, e atuava majoritariamente na prestação de serviços para terceiros. A pandemia de Covid-19 foi apontada nos documentos do processo judicial como a principal causa da crise econômica que levou o grupo à falência.

A pandemia que paralisou a indústria e matou um dos sócios

Com a chegada da pandemia, houve uma paralisação generalizada das indústrias, o que impossibilitou a continuidade das atividades de prestação de serviços da CRW. A interrupção no fluxo de trabalho gerou graves dificuldades financeiras e impediu a manutenção do funcionamento regular do grupo. A crise sanitária também afetou diretamente a administração da empresa. Wagner Francisco Galvão Truglio, um dos sócios-diretores e acionistas das unidades de Varginha, Joinville e Guarulhos, faleceu em 7 de março de 2021. Sua certidão de óbito, anexada ao processo, registra que uma das causas da morte foi a Covid-19. O episódio trágico teve impacto direto no cumprimento das obrigações legais da empresa. O Artigo 104 da Lei 11.101/05 exige que os sócios ou administradores da empresa falida compareçam em juízo para fornecer informações essenciais, como a causa da falência, livros contábeis e a relação de bens. A morte de Truglio comprometeu a representação legal da CRW para cumprir essas exigências em uma das fases do processo.

Dívida milionária e 890 credores em quatro classes

De acordo com o documento da relação de credores da CRW, de abril de 2025, a empresa possuía exatamente 890 credores divididos em quatro classes, incluindo a trabalhista. A soma dos créditos individuais e das classes chega a aproximadamente R$ 120,5 milhões. Da classe trabalhista, as dívidas somaram R$ 29 milhões. O grupo tinha mais de 500 colaboradores. A empresa tentou se reerguer após a dívida milionária, mas não conseguiu superar as dificuldades financeiras. A CRW havia se expandido para o exterior como parte de uma estratégia de consolidação no mercado internacional de plásticos, apostando na produção de peças por injeção termoplástica para diferentes segmentos industriais. Em materiais institucionais, a empresa destacava valores como “paixão, coragem e ousadia” para justificar o crescimento e a presença em diferentes mercados.

O leilão sem compradores e o futuro do complexo

O complexo industrial foi a leilão por menos da metade do valor de avaliação, mas não recebeu nenhum lance. A área inclui galpões industriais estruturados, ponte rolante e maquinário incluso, como injetoras, robôs e eletroerosão. A ausência de compradores reflete o cenário de incerteza no setor de plásticos e a dificuldade de atrair investimentos para uma unidade fabril com histórico de falência. O imóvel permanece sem destinação definida. A CRW Plásticos, que atuou por 40 anos no desenvolvimento e fabricação de moldes e na transformação de termoplástico por injeção, encerra suas atividades deixando um passivo bilionário e centenas de ex-funcionários sem perspectiva de recebimento integral de seus créditos.

Lições de uma crise anunciada

O caso da CRW Plásticos ilustra como a pandemia de Covid-19 atuou como catalisador de fragilidades estruturais em empresas dependentes de prestação de serviços para terceiros. A paralisação generalizada da indústria interrompeu o fluxo de trabalho e gerou um endividamento que se mostrou insustentável. A morte de um dos sócios por Covid-19 agravou a situação, comprometendo a capacidade de a empresa cumprir obrigações legais e buscar alternativas de reestruturação. A falência foi decretada em 27 de dezembro de 2024, após a tentativa frustrada de recuperação. O leilão sem lances do complexo industrial de Joinville, avaliado em R$ 35,9 milhões, sela o destino de uma empresa que empregava mais de 500 pessoas e tinha presença internacional. A dívida de R$ 120,5 milhões com 890 credores permanece como um legado amargo para o setor.

Em resumo

  • A CRW Plásticos faliu em dezembro de 2024 com dívida de R$ 120,5 milhões e 890 credores.
  • A pandemia de Covid-19 foi a principal causa da crise, agravada pela morte do sócio-diretor Wagner Truglio por Covid-19.
  • O complexo industrial de Joinville (16,6 mil m²) foi a leilão por R$ 35,9 milhões, mas não recebeu lances.
  • As dívidas trabalhistas somam R$ 29 milhões; a empresa tinha mais de 500 colaboradores.
  • A empresa atuava em Joinville, Varginha, Guarulhos, Eslováquia e EUA, no setor de termoplásticos por injeção.
  • A morte do sócio dificultou o cumprimento das obrigações legais previstas no Artigo 104 da Lei 11.101/05.
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