1º de maio: feriado nacional que nasceu das greves operárias de Chicago em 1886
A data, oficializada no Brasil em 1924, garante descanso ou compensação em dobro, mas setores essenciais como saúde e transporte podem funcionar.
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BRAZIL —
Os factos
- 1º de maio de 1886: greve geral em Chicago por jornada de 8 horas, com jornadas de até 17 horas.
- Revolta de Haymarket: confrontos violentos com polícia, mortos, feridos e prisões.
- 1889: Segunda Internacional Socialista institui 1º de maio como dia internacional de mobilização.
- 1924: presidente Arthur Bernardes oficializa feriado no Brasil pelo decreto nº 4.859.
- 1943: Getúlio Vargas anuncia a CLT em 1º de maio.
- 1949: Lei nº 662 inclui Dia do Trabalhador na lista de feriados nacionais.
- 2002: Lei nº 10.607 consolida feriados civis, mantendo a data.
- Trabalhador escalado tem direito a pagamento em dobro ou folga compensatória, conforme acordo coletivo.
A greve de Chicago que mudou o mundo do trabalho
Em 1º de maio de 1886, milhares de trabalhadores paralisaram as ruas de Chicago, nos Estados Unidos, para exigir a redução da jornada diária para oito horas. Na época, as jornadas podiam chegar a 17 horas em ambientes insalubres, num contexto de exploração intensa da Revolução Industrial. O protesto foi reprimido com violência pela polícia, resultando em mortos, feridos e prisões no episódio conhecido como Revolta de Haymarket. A tragédia transformou-se em símbolo da luta por melhores condições de trabalho e inspirou a criação de um dia internacional de mobilização.
A consolidação do 1º de maio como feriado internacional e brasileiro
Em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu instituir o 1º de maio como data de luta dos trabalhadores em todo o mundo, em homenagem aos mártires de Chicago. No Brasil, as primeiras celebrações ocorreram ainda no final do século XIX, com greves e manifestações operárias. O reconhecimento oficial veio em 1924, quando o presidente Arthur Bernardes assinou o decreto nº 4.859, tornando a data feriado nacional. Mais tarde, Getúlio Vargas utilizou o 1º de maio para anunciar medidas trabalhistas, culminando na criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943. A Lei nº 662, de 1949, e a Lei nº 10.607, de 2002, confirmaram a data no calendário oficial.
Direitos garantidos: descanso, pagamento em dobro ou folga compensatória
Por ser feriado nacional, o 1º de maio assegura ao trabalhador o direito ao descanso, independentemente da vontade do empregador. Contudo, setores considerados essenciais — como saúde, transporte, segurança e alimentação — podem funcionar, e os funcionários podem ser escalados para trabalhar, desde que respeitadas as regras legais e acordos coletivos. Quem trabalha no feriado tem direito a compensação: pagamento em dobro pelas horas trabalhadas ou folga compensatória em outro dia. A forma de compensação é definida por convenção coletiva ou acordo entre empregado e empregador, não podendo ser imposta unilateralmente pela empresa.
Consequências para quem falta sem justificativa
O funcionário escalado que não comparecer ao trabalho sem justificativa pode sofrer desconto no salário referente ao dia. Em casos graves e recorrentes, a ausência pode levar a medidas disciplinares, mas a demissão por justa causa depende de um histórico de faltas. As regras aplicam-se a trabalhadores com carteira assinada, temporários e intermitentes, sempre com o princípio de garantir descanso ou compensação justa.
Um feriado que cai em sexta-feira: o 'feriadão' prolongado
Em 2026, o Dia do Trabalhador cai numa sexta-feira, permitindo que quem folga aos fins de semana tenha três dias consecutivos de descanso — de sexta a domingo. Enquanto muitos aproveitam o tempo livre, outros seguem trabalhando nos setores essenciais. A data, além de ser um marco trabalhista, também serve para anúncios importantes do governo, como ocorreu historicamente com a CLT.
Em resumo
- O 1º de maio é feriado nacional no Brasil desde 1924, originado das greves operárias de Chicago em 1886.
- A Revolta de Haymarket (1886) foi um marco de repressão violenta que inspirou a criação do Dia do Trabalhador.
- Getúlio Vargas usou a data para anunciar a CLT em 1943, consolidando direitos trabalhistas.
- Trabalhadores escalados em setores essenciais têm direito a pagamento em dobro ou folga compensatória.
- A falta injustificada pode gerar desconto salarial e, em casos recorrentes, medidas disciplinares.
- O feriado de 2026 cai em sexta-feira, proporcionando um fim de semana prolongado para muitos brasileiros.





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