Variante K da gripe avança no Brasil e acende alerta para sobrecarga hospitalar
Organização Pan-Americana da Saúde alerta para picos concentrados de demanda; taxa de positividade para influenza subiu de menos de 5% para 7,4% em março.

BRAZIL —
Os factos
- Taxa de positividade para influenza subiu de menos de 5% no primeiro trimestre para 7,4% no final de março.
- 72% dos 607 testes de sequenciamento genético realizados até 21 de março correspondem ao subclado K.
- Variante K foi detectada no Brasil em dezembro de 2025, em um caso no Pará.
- 24 das 27 unidades federativas estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG.
- Mais de 46 mil casos de SRAG notificados em 2026; 26,4% causados por Influenza A e 21,5% por VSR.
- Vacina contra gripe mostrou eficácia de até 75% contra hospitalização de crianças no Reino Unido.
- Opas recomenda intensificação da vacinação e medidas de higiene para conter transmissão.
Sinais de aceleração da gripe K
A taxa de positividade para influenza no Brasil, que se manteve abaixo de 5% durante o primeiro trimestre, começou a subir no final de março, atingindo 7,4%. O indicador mede a proporção de testes que detectaram o vírus. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta na segunda-feira, 27 de abril, considerando o cenário consistente com o início gradual da temporada de inverno no Hemisfério Sul. O monitoramento genético realizado pelo Ministério da Saúde revela que, dos 607 testes de sequenciamento feitos até 21 de março, 72% correspondem ao subclado K, uma variante da influenza A (H3N2). A Opas destaca que se observa uma clara predominância da influenza A (H3N2) com alta intensidade de circulação.
O que é a variante K e quando surgiu
A gripe K não é um novo vírus, mas uma ramificação genética dentro da linhagem H3N2. Ela foi detectada pela primeira vez no Brasil em dezembro de 2025, em um caso identificado no Pará. Desde então, as autoridades sanitárias passaram a acompanhar sua evolução. A variante foi predominante na temporada de inverno do Hemisfério Norte, e sua chegada ao Sul segue padrão semelhante. Até o momento, não há evidências de que a variante K cause quadros mais graves do que outras cepas. A preocupação reside em sua capacidade de transmissão e no potencial de prolongar a duração da temporada de gripe, aumentando o número de casos ao longo de um período mais extenso.
Pressão sobre o sistema de saúde
A Opas alerta que os países do Hemisfério Sul devem se preparar não apenas para uma temporada de potencial alta intensidade, mas especialmente para picos de demanda hospitalar concentrados em períodos curtos. Isso poderia sobrecarregar a capacidade de resposta dos serviços de saúde. O cenário é agravado pelo aumento simultâneo de outros vírus respiratórios. O vírus sincicial respiratório (VSR) está circulando de forma crescente em vários países, incluindo o Brasil, antecipando seu padrão sazonal típico. A Opas destaca o potencial impacto em crianças pequenas e outros grupos de risco nas próximas semanas. A soma de casos de influenza, VSR e covid-19 – esta em baixa, mas ainda com número importante de ocorrências – pode levar ao esgotamento dos serviços de saúde.
Dados do Infogripe confirmam tendência
O Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 29 de abril, confirma a avaliação da Opas. Dados coletados entre 19 e 25 de abril mostram aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados por influenza A e VSR em todas as regiões do país. Das 27 unidades federativas, 24 estão em nível de alerta, risco ou alto risco para a síndrome. Em 2026, já foram notificados mais de 46 mil casos de SRAG no Brasil. Em 44,3% dos casos, a infecção viral foi confirmada por teste laboratorial. Desses, 26,4% foram causados por influenza A e 21,5% por VSR. Nas últimas quatro semanas, a proporção de casos positivos por influenza A subiu para 31,6%, e a de VSR atingiu 36,2%, indicando aceleração da circulação viral.
Vacinação como principal ferramenta
A Opas recomenda que os países intensifiquem as ações de vacinação para prevenir internações e mortes. A vacina contra a gripe aplicada no Brasil é atualizada anualmente, incluindo as cepas que mais circularam no inverno do Hemisfério Norte. Neste ano, o imunizante contém a cepa H3N2 entre suas três variantes. Dados do Hemisfério Norte mostram que a vacina teve eficácia de até 75% contra a hospitalização de crianças no Reino Unido, mesmo com a circulação da variante K. A campanha nacional de vacinação contra a influenza está em vigor, priorizando crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, que têm maior risco de desenvolver quadros graves. Também fazem parte do público prioritário trabalhadores da saúde, população indígena, professores e pessoas privadas de liberdade. O SUS oferece ainda a vacina contra o VSR para gestantes, com o objetivo de proteger os recém-nascidos contra bronquiolite.
Medidas de prevenção e recomendações
Além da vacinação, a Opas recomenda a intensificação de ações de higiene e etiqueta respiratória. Lavar as mãos é a forma mais eficiente de diminuir a transmissão. Pessoas com febre devem evitar ir ao trabalho ou a locais públicos até que a febre diminua. Da mesma forma, crianças em idade escolar com sintomas respiratórios ou febre devem ficar em casa e não ir à escola. O alerta da Opas ressalta que, embora a temporada de inverno esteja apenas começando, os sinais de aumento de casos já são claros. A combinação de múltiplos vírus respiratórios circulando simultaneamente exige uma resposta coordenada das autoridades de saúde para evitar que o sistema seja sobrecarregado. O monitoramento contínuo e a adesão às medidas preventivas serão cruciais nas próximas semanas.
Em resumo
- A variante K da influenza A (H3N2) já é predominante no Brasil, representando 72% das amostras sequenciadas até 21 de março.
- A taxa de positividade para influenza subiu de menos de 5% para 7,4% no final de março, indicando aceleração da transmissão.
- 24 das 27 unidades federativas estão em alerta para SRAG, com aumento de casos de influenza A e VSR.
- A vacina contra gripe, atualizada anualmente, inclui a cepa H3N2 e mostrou eficácia de até 75% contra hospitalização de crianças no Reino Unido.
- A Opas alerta para picos de demanda hospitalar concentrados em períodos curtos, que podem sobrecarregar o sistema de saúde.
- Medidas de higiene e etiqueta respiratória, como lavar as mãos e evitar locais públicos com febre, são recomendadas para conter a transmissão.



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