Emerald Fennell provoca polêmica com 'O Morro dos Ventos Uivantes' estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi
Nova adaptação do clássico de Emily Brontë divide crítica e público ao focar na obsessão e na loucura, ignorando o contexto racial do romance original.

BRAZIL —
Os factos
- Filme estreou na HBO Max em 1º de novembro.
- Margot Robbie (35) interpreta Catherine Earnshaw, personagem que no livro tem entre 16 e 19 anos.
- Jacob Elordi vive Heathcliff, descrito no romance como de 'pele escura' e referido como 'cigano' ou 'lascar'.
- Emerald Fennell, 40 anos, dirige e roteiriza o filme; ganhou Oscar de melhor roteiro original por 'Bela Vingança' (2020).
- Filme faturou US$ 241 milhões nas bilheterias, o triplo do orçamento.
- No Rotten Tomatoes, tem 58% de aprovação da crítica e 76% do público; nota 6,1 no IMDb.
- Elenco inclui Hong Chau (indicada ao Oscar por 'A Baleia'), Shazad Latif, Owen Cooper e Charlotte Mellington.
Uma estreia que divide opiniões
A mais recente adaptação de 'O Morro dos Ventos Uivantes' chegou ao streaming nesta sexta-feira, 1º de novembro, disponível na HBO Max. O filme, dirigido por Emerald Fennell, já nasce envolto em controvérsia, com críticos e fãs do romance de Emily Brontë condenando a abordagem da diretora. A recepção nas plataformas de avaliação reflete a polarização: 58% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes contra 76% do público, e nota 6,1 no IMDb. Nas bilheterias, no entanto, o desempenho foi robusto. O longa arrecadou US$ 241 milhões, triplicando seu orçamento, o que sugere que o burburinho, mesmo negativo, atraiu espectadores. A diretora britânica de 40 anos, conhecida por provocar reações intensas, mais uma vez coloca seu trabalho no centro do debate cultural.
A visão de Emerald Fennell: obsessão em vez de romance
Emerald Fennell, que ganhou o Oscar de melhor roteiro original por 'Bela Vingança' (2020), constrói sua versão do clássico oitocentista com um foco deliberado na obsessão e na loucura, deixando de lado o romantismo tradicional. A diretora já havia gerado controvérsia com 'Saltburn' (2023), onde usou o sexo como arma para criticar a aristocracia, em cenas que muitos consideraram gratuitas. Agora, Fennell transporta essa estética para o condado de Yorkshire, na segunda metade do século 18, onde a paixão proibida entre Catherine Earnshaw e Heathcliff se desenrola em meio a decadência familiar e violência. O filme, segundo a diretora, não busca agradar, mas sim provocar — e consegue.
Elenco estelar e escolhas controversas
Margot Robbie, 35 anos, indicada ao Oscar por 'Eu, Tonya' (2017) e 'O Escândalo' (2019), interpreta Catherine Earnshaw. A escalação gerou críticas: a atriz foi considerada velha demais para o papel, já que a personagem tem entre 16 e 19 anos durante grande parte do livro, e loira, enquanto Catherine é descrita com cabelos negros. Jacob Elordi, que concorreu ao Oscar de melhor ator coadjuvante por 'Frankenstein' (2025), vive Heathcliff. O personagem de Heathcliff, no romance, é descrito como um homem de 'pele escura' e referido como 'cigano' ou 'lascar' — termo do século 19 para marinheiros indianos. A decisão de escalar um ator branco gerou acusações de que o filme ignora o racismo e a exclusão social que moldam a trajetória do personagem. Curiosamente, outros papéis foram dados a atores não brancos: Hong Chau, indicada ao Oscar por 'A Baleia' (2022), interpreta Nelly, e Shazad Latif, de ascendência paquistanesa, vive Edgar Linton.
A crítica literária condena a abordagem
Pesquisadores e fãs da obra de Brontë condenaram antecipadamente o filme por desconsiderar o contexto racial e de classe essencial para a narrativa. Mia Sodré, mestre e doutoranda em Letras pela UFRGS e pesquisadora da obra de Emily Brontë, resumiu no perfil do Instagram Querido Clássico: escrever 'O Morro dos Ventos Uivantes' foi 'a maneira como Brontë criticou o desequilíbrio causado pela violência racial e de classe numa Inglaterra que avançava a passos largos na Revolução Industrial (que começou por volta de 1760)'. A obsessão de Heathcliff por vingança, segundo os críticos, é consequência direta das interdições, humilhações e violências que sofre por sua origem. Ao apagar esse elemento, a adaptação de Fennell esvazia o cerne do romance, reduzindo-o a uma história de amor doentio.
Um histórico de adaptações e a escolha do elenco
'O Morro dos Ventos Uivantes' já teve diversas versões para cinema e TV, a maioria com atores brancos interpretando Heathcliff. Entre eles, Tom Hardy, Ralph Fiennes, Timothy Dalton e Laurence Olivier. Apenas a adaptação de 2011, dirigida por Andrea Arnold, escalou um ator negro, James Howson, para o papel. A nova versão, portanto, segue a tradição de branqueamento do personagem, ignorando as discussões acadêmicas que o interpretam como racializado ou pardo. O elenco principal se completa com Alison Oliver, da série 'Task' (2025), como Isabella — aqui apresentada como pupila de Edgar, e não sua irmã caçula —, e Owen Cooper, premiado no Emmy por 'Adolescência' (2025), que interpreta Heathcliff na infância. Charlotte Mellington estreia como a jovem Catherine.
O que esperar do debate em torno do filme
A controvérsia em torno de 'O Morro dos Ventos Uivantes' não deve arrefecer tão cedo. A diretora Emerald Fennell, que já demonstrou habilidade em transformar polêmica em sucesso de bilheteria, parece contar com a discussão para manter o filme nos holofotes. Enquanto isso, a HBO Max aposta na estreia para atrair assinantes, em meio a um cenário de streaming cada vez mais competitivo. Para os espectadores brasileiros, o filme já está disponível no catálogo, sem custos adicionais. Resta saber se a versão de Fennell será lembrada como uma ousadia necessária ou como mais uma adaptação que falha em capturar a complexidade do original. O tempo, e os debates, dirão.
Em resumo
- A adaptação de 'O Morro dos Ventos Uivantes' por Emerald Fennell prioriza obsessão e loucura, afastando-se do romantismo e do contexto racial do romance original.
- Margot Robbie e Jacob Elordi protagonizam o filme, mas suas escalações geraram críticas por não corresponderem às idades e etnias dos personagens literários.
- O filme arrecadou US$ 241 milhões, triplicando o orçamento, apesar da recepção mista da crítica (58% no Rotten Tomatoes).
- A controvérsia sobre o branqueamento de Heathcliff reacende o debate sobre representação racial em adaptações de clássicos.
- Especialistas apontam que ignorar o racismo e a exclusão social na história de Heathcliff desvirtua a crítica social de Emily Brontë.
- A estreia no streaming HBO Max ocorre em meio a um cenário de forte concorrência entre plataformas.






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