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Haddad chama empate entre Lula e Flávio Bolsonaro de 'lavagem cerebral coletiva'

Ex-ministro da Fazenda critica pesquisas que mostram empate técnico entre o presidente e o senador, e acusa oposição de não ter compromisso com a democracia.

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Haddad chama empate entre Lula e Flávio Bolsonaro de 'lavagem cerebral coletiva'
Ex-ministro da Fazenda critica pesquisas que mostram empate técnico entre o presidente e o senador, e acusa oposição de Crédito · UOL Notícias

Os factos

  • Fernando Haddad (PT) é pré-candidato ao governo de São Paulo.
  • Pesquisa Genial/Quaest de 15 de abril mostra Lula com 40% e Flávio com 42% no segundo turno, empate técnico.
  • Pesquisa Datafolha de 11 de abril mostra Lula com 45% e Flávio com 46% no segundo turno, empate técnico.
  • Haddad discursou em evento da Força Sindical no Sindicato dos Metalúrgicos em São Paulo no 1º de maio.
  • Senado rejeitou indicação de Jorge Messias ao STF e Congresso derrubou veto ao PL da Dosimetria, beneficiando condenados do 8 de janeiro.
  • Haddad afirmou que o Banco Central foi 'corrompido' na gestão de Roberto Campos Neto.
  • Haddad aparece 12 pontos atrás de Tarcísio de Freitas na pesquisa Genial/Quaest para o governo paulista.

Empate técnico gera reação explosiva de Haddad

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad classificou como “inadmissível” o empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto para 2026. Em discurso no evento da Força Sindical no 1º de maio, Haddad afirmou que “só uma lavagem cerebral coletiva explica uma comparação impossível entre esses dois personagens na história do Brasil”. O pré-candidato ao governo de São Paulo disse que há um “contraste grande” entre Lula e Flávio, e que a oposição não está preocupada com a democracia. “Essa agenda de democracia é nossa, ou vocês pensam que do lado de lá tem algum compromisso com a democracia?”, questionou. Haddad também alertou que sem democracia não seria possível discutir temas como redução da jornada de trabalho e isenção sobre a Participação nos Lucros ou Resultados.

Pesquisas mostram cenário apertado para 2026

Segundo levantamento da Genial/Quaest divulgado em 15 de abril, Lula tem 37% das intenções de voto no primeiro turno contra 32% de Flávio. No segundo turno, o presidente aparece com 40% e o senador com 42%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Já a pesquisa Datafolha de 11 de abril aponta Lula com 39% e Flávio com 35% no primeiro turno, também em empate técnico. No segundo turno, os números são 45% para Lula e 46% para Flávio, novamente empatados. Uma pesquisa Nexus divulgada em 27 de abril mostra Lula à frente com 41% contra 36% de Flávio, fora da margem de erro. Os institutos divergem, mas o cenário geral indica uma disputa acirrada.

Derrotas no Congresso e impunidade

Haddad também comentou as derrotas do governo Lula no Congresso na mesma semana. O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal. Além disso, o Congresso derrubou vetos presidenciais ao projeto de lei da dosimetria, beneficiando condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Essa derrota do governo no Congresso foi uma derrota no combate à corrupção”, disse Haddad. Para ele, por trás da derrota há uma “pretensão de um grande acordo em torno da impunidade daqueles responsáveis por alguns escândalos recentes no Brasil”. A ex-ministra Marina Silva, presente no evento, afirmou que as derrotas de Lula são derrotas “do povo brasileiro”. Haddad classificou a rejeição de Messias como “uma derrota de todos nós”.

Ataques a ex-ministros de Bolsonaro e ao Banco Central

Em entrevista ao Metrópoles, Haddad afirmou que Flávio Bolsonaro “só lidou com bandido no governo do pai”. Ele disse que há ex-ministros de Bolsonaro envolvidos nos maiores casos de corrupção do país, ligados ao Banco Master, a bets, à Máfia dos Combustíveis e a desvios de emendas. Haddad também acusou o Banco Central de ter sido “corrompido” durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro. “O Banco Central sob a gestão do Roberto Campos foi corrompido. Eu não estou dizendo que ele é corrupto, mas estou dizendo que o Banco Central, na gestão do indicado pelo Bolsonaro, foi comprovadamente pela Polícia Federal corrompido”, afirmou. O ex-ministro disse que foram feitos vários alertas a Campos Neto em reuniões oficiais no Ministério da Fazenda. A declaração ocorre após a prisão do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, por operações fraudulentas.

Disputa paulista e composição de chapa

Na corrida ao governo de São Paulo, Haddad aparece 12 pontos atrás do atual governador Tarcísio de Freitas, segundo pesquisa Genial/Quaest de 29 de abril. Tarcísio tem 38% das intenções de voto contra 26% de Haddad. Haddad afirmou que Tarcísio é aliado de Flávio Bolsonaro e que ambos são de “extrema direita”. “Essa turma é da pesada”, disse. O pré-candidato petista evitou definir quem ocupará a vaga de vice e as duas vagas ao Senado em sua chapa. As ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva, além do ex-governador Márcio França, são pré-candidatos ao Senado. “Vamos ter que conversar e vamos chegar a um denominador comum”, afirmou Haddad.

Contexto e implicações para a democracia

As declarações de Haddad ocorrem em um momento de tensão política no Brasil, com o governo Lula enfrentando derrotas no Congresso e uma oposição fortalecida nas pesquisas. O ex-ministro apelou para um “desafio cívico” nas eleições, defendendo a democracia “conquistada a duras penas pelos trabalhadores”. A possibilidade de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro reacende o debate sobre o legado dos governos petista e bolsonarista. Haddad busca mobilizar a base trabalhadora e sindical, mas enfrenta um cenário adverso em São Paulo. Analistas políticos apontam que a rejeição de Messias ao STF e a derrubada de vetos podem indicar um realinhamento de forças no Congresso, com implicações para a governabilidade de Lula até 2026.

Em resumo

  • Fernando Haddad considera o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas como 'inadmissível' e fruto de 'lavagem cerebral'.
  • Pesquisas Genial/Quaest e Datafolha mostram empate técnico no segundo turno, enquanto Nexus dá vantagem a Lula.
  • O governo Lula sofreu duas derrotas no Congresso: rejeição de Jorge Messias ao STF e derrubada de veto à dosimetria, beneficiando condenados do 8 de janeiro.
  • Haddad acusou o Banco Central de ter sido corrompido na gestão de Roberto Campos Neto, ligando o caso ao escândalo do Banco Master.
  • Na disputa paulista, Haddad está 12 pontos atrás de Tarcísio de Freitas, a quem chama de 'extrema direita'.
  • O ex-ministro defende a democracia como condição para avanços trabalhistas e critica a oposição por falta de compromisso democrático.
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