Marcelinho Carioca enfrenta duas batalhas judiciais: uma por morte de jovem em 1998, outra por suposto desvio de R$ 500 mil
Ex-jogador do Corinthians é processado por família de Cristiano Donizeti, pisoteado por cavalo em sua fazenda, e acusa ex-advogada de apropriação indébita.

BRAZIL —
Os factos
- Cristiano Donizeti Machado de Campos, 17, morreu em 1998 após ser pisoteado por um cavalo no sítio de Marcelinho Carioca em Sarapuí (SP).
- A família de Cristiano pede R$ 137 mil de indenização; Marcelinho contestou a ação.
- Marcelinho Carioca afirma que R$ 500 mil foram depositados na conta de sua ex-advogada Fernanda Fenerich sem seu conhecimento.
- Fernanda Fenerich diz que só soube da origem do dinheiro em março de 2026 e tentou devolvê-lo.
- O ex-jogador também foi condenado em casos relacionados a suas fazendas em São Paulo.
- Servio Machado de Campos, pai de Cristiano, trabalha como catador de recicláveis para complementar a aposentadoria de R$ 1.500 mensais.
A morte de Cristiano Donizeti e o luto de uma família
Em meio a montanhas de lixo reciclável, Servio Machado de Campos, 75, recebeu a reportagem em sua casa em Sarapuí, interior de São Paulo. Suas mãos calejadas denunciam uma rotina de trabalho duro: todos os dias, ele e a esposa Pedra Batista, 69, saem com um carrinho pesado para catar materiais pelas ruas, buscando um extra que não ultrapassa R$ 1.500 por mês às aposentadorias do casal. Desde 1998, o casal carrega também o luto pela perda do filho Cristiano Donizeti Machado de Campos, então com 17 anos. O jovem morreu após ser pisoteado por um cavalo no sítio do ex-jogador Marcelinho Carioca, ídolo do Corinthians. Cristiano trabalhava na propriedade sem carteira assinada, executando serviços gerais como pintura e manutenção. No dia do incidente, foi incumbido de recapturar um cavalo que havia fugido para o imóvel vizinho. Assim que o animal foi laceado, correu na direção do jovem e o pisoteou, causando ferimentos fatais.
A ausência de Marcelinho e a ação judicial
Segundo a família, o ex-jogador não compareceu ao funeral de Cristiano. "Nem ao funeral o Marcelinho compareceu", disse Servio. Os custos do enterro foram arcados por uma assistente social. Três meses após a morte, a família ingressou com uma ação judicial pedindo que Marcelinho fosse condenado a pagar R$ 137 mil ao pai de Cristiano. O ex-jogador, que na época defendia o Corinthians, contestou a ação. A defesa de Marcelinho declarou ter "profunda solidariedade" com a família e afirmou que ele está "à inteira disposição da Justiça". O caso segue em tramitação.
Nova polêmica: suposto desvio de R$ 500 mil por ex-advogada
Paralelamente, Marcelinho Carioca se vê envolvido em outra disputa judicial, agora com sua ex-advogada Fernanda Fenerich. O ex-jogador alega que cerca de R$ 500 mil, provenientes de uma ação judicial vitoriosa, foram depositados na conta pessoal de Fernanda sem seu conhecimento. Ele afirma ter sido informado sobre o depósito pelo ex-namorado da advogada e possui documentação que comprova a transferência, configurando, segundo ele, apropriação indébita. Fernanda Fenerich se defende, argumentando que o depósito não tinha identificação clara e que só soube se tratar dos valores do processo do jogador em março de 2026. A advogada diz ter tentado repassar os valores assim que soube da origem e nega má-fé, mencionando exigências feitas pela equipe jurídica de Marcelinho durante as negociações para devolução.
Condenações anteriores e investigações em andamento
Além desses casos, Marcelinho Carioca enfrenta outras condenações relacionadas a suas fazendas em São Paulo, conforme apurado. Autoridades também investigam o envolvimento de Rodrigo de Paula Morgado, apontado como contador e peça-chave em um esquema de lavagem de dinheiro, embora não haja confirmação de ligação direta com o ex-jogador. O ex-atleta, que construiu carreira de sucesso nos gramados, vê seu nome cada vez mais associado a controvérsias judiciais, contrastando com a imagem de ídolo popular.
O que esperar das ações judiciais
A ação movida pela família de Cristiano Donizeti arrasta-se há décadas, sem resolução definitiva. A defesa de Marcelinho sinaliza disposição para colaborar, mas a família cobra uma reparação que nunca veio. No caso do suposto desvio, a palavra de Marcelinho contra a de sua ex-advogada deverá ser analisada pela Justiça, que precisará avaliar as provas documentais apresentadas. Enquanto isso, Servio e Pedra continuam sua rotina de catadores, carregando o peso da perda e da espera por justiça. O caso expõe as fraturas de um sistema onde o poder e a fama muitas vezes se sobrepõem à responsabilidade.
Em resumo
- Cristiano Donizeti morreu em 1998 ao ser pisoteado por um cavalo no sítio de Marcelinho Carioca; a família pede R$ 137 mil de indenização.
- Marcelinho não compareceu ao funeral e contestou a ação; sua defesa afirma solidariedade e disposição para colaborar com a Justiça.
- O ex-jogador acusa sua ex-advogada Fernanda Fenerich de se apropriar de R$ 500 mil depositados em sua conta; ela nega má-fé e diz ter tentado devolver.
- Marcelinho já foi condenado em outros casos relacionados a suas fazendas em São Paulo.
- A família de Cristiano vive com aposentadoria de cerca de R$ 1.500 mensais, complementada por coleta de recicláveis.
- Os processos judiciais seguem em andamento, sem previsão de conclusão.






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