Trump ordena retirada de 5 mil soldados da Alemanha e ameaça Itália e Espanha
Decisão ocorre após chanceler alemão criticar postura dos EUA no Irã; Pentágono concluirá redução em até 12 meses.
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BRAZIL —
Os factos
- EUA retirarão 5 mil soldados da Alemanha, reduzindo efetivo para cerca de 30 mil.
- Retirada deve ser concluída em até 12 meses, segundo porta-voz do Pentágono Sean Parnell.
- Trump ameaçou também reduzir tropas na Itália (12.600) e Espanha (3.800).
- Chanceler alemão Friedrich Merz disse que EUA estavam sendo 'humilhados' pelo Irã em negociações.
- Alemanha abriga 36.436 militares americanos, maior base dos EUA na Europa.
- Espanha e Itália negaram uso de bases para ataques ao Irã; Espanha fechou espaço aéreo.
- Ministro da Defesa italiano Guido Crosetto rejeitou acusações de falta de cooperação.
Ameaça concreta: 5 mil soldados deixarão a Alemanha
Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (1º) a retirada de 5 mil soldados da Alemanha, em uma escalada da crise diplomática entre Washington e Berlim. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, confirmou que o processo será concluído em até 12 meses. A medida é vista como punição direta às declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que na segunda-feira (27) afirmou que os norte-americanos estavam sendo 'humilhados' pelo Irã nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. Trump rebateu a afirmação no dia seguinte, dizendo que Merz 'não sabia o que estava falando' e que a Alemanha estava 'indo mal'. Em seguida, o presidente publicou em sua rede social Truth Social que avaliava reduzir tropas no território alemão. Um alto funcionário do Departamento de Defesa, sob condição de anonimato, revelou à agência Reuters que uma brigada de combate será retirada e que um batalhão de artilharia de longo alcance, previsto para este ano, não será mais enviado.
Crise se alastra para Itália e Espanha
Na quinta-feira (30), Trump estendeu a ameaça à Itália e à Espanha. Questionado por repórteres sobre a possibilidade de cortes nos contingentes militares nesses países, respondeu: 'Provavelmente... Por que não? A Itália não nos ajudou em nada e a Espanha foi horrível, absolutamente horrível.' A declaração ocorre em meio a divergências sobre a guerra com o Irã e a recusa de ambos os países em ceder bases para ataques americanos. A Itália abriga cerca de 13 mil militares americanos em sete bases navais, incluindo a estratégica base de Sigonella, na Sicília. A Espanha conta com 3.800 soldados dos EUA concentrados nas bases de Rota e Morón, instalações de uso conjunto sob soberania espanhola. Ambos os países negaram permissão para que os EUA utilizassem suas bases em operações contra o Irã, e a Espanha chegou a fechar seu espaço aéreo para aviões americanos.
Estreito de Ormuz e a recusa europeia
O estopim imediato da crise foi a recusa dos aliados europeus em enviar marinhas para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta. O estreito foi fechado pelo Irã como retaliação aos ataques americanos e israelenses. Trump classificou os aliados de 'covardes' por não colaborarem. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tornou-se o mais vocal crítico europeu da guerra, chamando-a de 'ilegal' e afirmando que seu país não seria 'cúmplice de algo que é ruim para o mundo'. Sánchez já havia irritado Trump ao rejeitar a proposta de aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB. A Itália, por sua vez, barrou aviões americanos que transportavam armas para o Oriente Médio de usarem a base aérea na Sicília no final de março.
Reações europeias: negação e defesa
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, disse não entender os motivos da ameaça de Trump e rejeitou as acusações de que Roma não teria ajudado Washington. 'Isso nunca aconteceu', declarou à agência Ansa, referindo-se à alegação de que navios com ligações europeias teriam cruzado o Estreito de Ormuz. Crosetto afirmou que a Itália se colocou à disposição para uma missão de proteção da navegação, o que foi 'muito apreciado pelos militares americanos'. A Espanha não emitiu resposta oficial imediata, mas mantém a posição de negar totalmente o uso de suas bases para ataques ao Irã. No mês passado, Trump ameaçou cortar todas as relações comerciais com Madri. Sánchez, em uma cúpula da União Europeia na semana passada, declarou que a 'guerra ilegal' de Trump mostrou 'o fracasso da força bruta'.
Impacto estratégico e precedentes
A Alemanha é a principal base militar dos EUA na Europa, com cerca de 35 mil militares em serviço ativo antes do anúncio, funcionando como centro estratégico de treinamento. A redução deve levar o número de tropas dos EUA na Europa de volta a níveis próximos aos anteriores a 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia levou a um reforço militar ordenado pelo então presidente Joe Biden. Trump já havia ameaçado reduzir tropas na Alemanha em 2020, durante seu primeiro mandato, enquanto Angela Merkel ocupava a chancelaria. A atual crise, no entanto, é agravada pela guerra com o Irã, que os EUA iniciaram sem notificar a maioria dos aliados da Otan. A Alemanha está entre os países da Otan que autorizaram o uso de bases para ataques contra o Irã, decisão elogiada por Trump, mas as críticas de Merz reacenderam as tensões.
Próximos passos e incertezas
O Pentágono deve concluir a retirada dos 5 mil soldados da Alemanha em até 12 meses, mas ainda não há cronograma para possíveis reduções na Itália e na Espanha. Trump afirmou que receberá opções atualizadas do Pentágono sobre o Irã, indicando que novas medidas podem ser tomadas. A crise expõe fissuras profundas na aliança ocidental, com aliados históricos questionando a liderança americana. Enquanto isso, o chanceler alemão Friedrich Merz não se retratou publicamente, e a chancelaria alemã não comentou o anúncio da retirada. A situação permanece volátil, com o potencial de redefinir o posicionamento militar dos EUA na Europa e as relações transatlânticas.
Em resumo
- Os EUA retirarão 5 mil soldados da Alemanha em resposta a críticas do chanceler Merz sobre a guerra no Irã.
- Trump ameaça reduzir tropas na Itália e Espanha, que se recusaram a apoiar operações militares americanas.
- A crise tem origem na recusa europeia em ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã.
- A Alemanha continuará sendo a maior base dos EUA na Europa, mas com efetivo reduzido para cerca de 30 mil.
- Itália e Espanha negam falta de cooperação e defendem suas posições contrárias à guerra.
- A decisão pode reconfigurar a presença militar americana na Europa e aprofundar as divisões na Otan.





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