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Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra Lula estagnado e Flávio Bolsonaro sem vantagem mesmo sem o petista na disputa

Levantamento com 5.008 eleitores revela que a ausência de Lula não altera o cenário competitivo, enquanto o desgaste do governo se concentra na classe média.

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Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra Lula estagnado e Flávio Bolsonaro sem vantagem mesmo sem o petista na disputa
Levantamento com 5.008 eleitores revela que a ausência de Lula não altera o cenário competitivo, enquanto o desgaste do Crédito · CartaCapital

Os factos

  • Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.008 eleitores entre 24 e 27 de abril de 2026.
  • Margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
  • 47,3% dos eleitores temem reeleição de Lula; 45,4% temem eleição de Flávio Bolsonaro.
  • Entre eleitores com renda de até 2 salários mínimos, Lula tem 51,8% de aprovação.
  • Na faixa de renda de R$ 2 mil a R$ 3 mil, desaprovação de Lula chega a 65,1%.
  • No segundo turno, Lula empata com Flávio Bolsonaro dentro da margem de erro.
  • Haddad registra 40% contra 39% de Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno.
  • Mais de 40% dos eleitores estão dispostos a mudar a intenção de voto.

Cenário de estagnação: com ou sem Lula, a disputa permanece indefinida

A mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira, 28 de abril, revela que a eventual ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral não altera substancialmente o quadro competitivo. O levantamento, que entrevistou 5.008 eleitores de todas as regiões do país entre os dias 24 e 27 de abril, testou cenários sem Lula, colocando o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) como adversários de Flávio Bolsonaro (PL). Os resultados indicam que Flávio Bolsonaro empata com Lula e com Alckmin dentro da margem de erro, e obtém uma pequena vantagem de 3,8 pontos percentuais sobre Haddad. A margem de erro do estudo é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%, e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o número BR-07992/2026. A pesquisa é pontuada por sinais de fadiga eleitoral com o que Lula e Flávio Bolsonaro representam. Quase metade dos eleitores (47,3%) declara ter medo do futuro com uma eventual reeleição de Lula, enquanto 45,4% expressam temor diante de uma possível eleição de Flávio Bolsonaro.

Desgaste concentrado na classe média: base de baixa renda sustenta Lula

Os dados da pesquisa indicam que o desgaste do governo Lula se concentra cada vez mais na classe média, enquanto a base de menor renda segue relativamente mais favorável ao presidente. Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, Lula mantém aprovação de 51,8%, com desaprovação de 47,1%. O quadro se inverte nas faixas intermediárias. Entre quem ganha de R$ 2 mil a R$ 3 mil, a desaprovação sobe para 65,1%, com aprovação em 34,2%. Na faixa de R$ 3 mil a R$ 5 mil, o padrão se repete: 60,6% de desaprovação e 39,3% de aprovação. No topo da renda, entre quem ganha acima de R$ 10 mil, a desaprovação chega a 55,5%, enquanto a aprovação fica em 43,9%. O padrão indica que o desgaste não está concentrado apenas na elite, mas distribuído ao longo das faixas intermediárias.

Comportamento eleitoral volátil: mais de 40% dos eleitores dispostos a mudar voto

A alta e persistente rejeição aos nomes mais conhecidos — Lula e Flávio Bolsonaro — sugere que a eleição segue indefinida, com um contingente significativo de eleitores dispostos a mudar a intenção de voto. Segundo a pesquisa, mais de 40% dos eleitores se encontram nessa condição de volatilidade. Esse deslocamento ajuda a explicar o ambiente competitivo captado nos cenários eleitorais. Lula mantém liderança no primeiro turno, mas enfrenta dificuldades para ampliar vantagem no segundo, onde a disputa se dá justamente sobre o eleitorado mais volátil. A classe média, mais sensível a temas como inflação, renda e percepção econômica, passa a ter peso decisivo na formação do resultado. Na prática, o dado impõe um desafio específico ao governo: a manutenção do apoio entre os mais pobres não é suficiente para garantir vantagem confortável, enquanto a perda nas faixas intermediárias amplia o espaço para crescimento de adversários.

Novos jogadores e reviravoltas: campanha marcada por fortes emoções

Há novos jogadores em campo, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), e pelo menos um ainda indefinido, Ciro Gomes (PSDB). A pesquisa sugere que a eleição será marcada por reviravoltas e dosada por fortes emoções. Simulações indicam transferência de votos, mas o desempenho de Haddad no segundo turno é inferior ao de Lula. Enquanto Lula empata com Flávio Bolsonaro, Haddad registra 40% contra 39% do adversário, uma vantagem dentro da margem de erro. O cenário de indefinição é reforçado pela disposição dos eleitores em mudar de voto, o que abre espaço para que candidatos menos conhecidos ganhem tração ao longo da campanha.

Programa de renegociação de dívidas: governo busca reverter desgaste econômico

Em meio ao desgaste revelado pela pesquisa, o governo Lula prepara um anúncio para esta semana: um programa de renegociação de dívidas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com CEOs de bancos em São Paulo para acertar os detalhes finais da medida. A iniciativa visa aliviar a pressão sobre a classe média, que se mostra mais sensível a temas econômicos e onde o desgaste do governo é mais intenso. A renegociação de dívidas pode ser uma tentativa de reconquistar parte do eleitorado perdido nas faixas intermediárias de renda. No entanto, a eficácia da medida ainda é incerta, dado que a percepção econômica negativa já se consolidou entre esses eleitores.

Perspectivas: uma eleição aberta e imprevisível

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg pinta um quadro de eleição aberta, com alta rejeição aos principais candidatos e um eleitorado volátil. A base de baixa renda ainda sustenta Lula, mas a perda de apoio na classe média amplia o espaço para a oposição. O comportamento desse grupo altera o centro de gravidade da eleição. A base mais pobre segue relativamente alinhada ao governo, mas a perda de apoio entre eleitores de renda média amplia o espaço para a oposição justamente no segmento que costuma decidir eleições apertadas. Com novos candidatos em campo e a possibilidade de reviravoltas, a campanha promete ser marcada por fortes emoções e indefinição até o final.

Em resumo

  • Lula e Flávio Bolsonaro empatam tecnicamente no segundo turno, mesmo sem Lula na disputa.
  • Desgaste do governo Lula se concentra na classe média, com desaprovação superior a 60% nas faixas de R$ 2 mil a R$ 5 mil.
  • Base de baixa renda (até 2 salários mínimos) ainda aprova Lula, com 51,8% de aprovação.
  • Mais de 40% dos eleitores estão dispostos a mudar de voto, indicando alta volatilidade.
  • Novos candidatos como Caiado, Zema e Renan Santos entram na disputa, enquanto Ciro Gomes segue indefinido.
  • Governo anuncia programa de renegociação de dívidas para tentar reverter desgaste econômico.
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