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Ex-senador Roberto Cavalcanti chama Dia do Trabalhador de 'dia da vagabundagem' e provoca indignação

Dono do Sistema Correio de Comunicação, Cavalcanti usou seu programa ao vivo para atacar a data, gerando reações de sindicalistas e ex-candidatos.

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Ex-senador Roberto Cavalcanti chama Dia do Trabalhador de 'dia da vagabundagem' e provoca indignação
Dono do Sistema Correio de Comunicação, Cavalcanti usou seu programa ao vivo para atacar a data, gerando reações de sindCrédito · Metrópoles

Os factos

  • Roberto Cavalcanti, ex-senador pela Paraíba e dono do Sistema Correio de Comunicação, fez a declaração em 30 de abril de 2025.
  • Ele afirmou que o feriado de 1º de Maio deveria ser chamado de 'dia da vagabundagem'.
  • Cavalcanti disse ser 'absolutamente contrário' a esse tipo de feriado.
  • O Sistema Correio de Comunicação inclui TV Correio (afiliada à Record), TV Maior, rádios e o jornal Correio da Paraíba.
  • Cavalcanti é membro da Academia Paraibana de Letras (APL).
  • O Dia do Trabalhador tem origem em 1886, em Chicago, com greve por melhores condições de trabalho.
  • Críticos lembram que Cavalcanti já permitiu defesa da Ditadura Militar ao vivo e desconvidação de Guilherme Boulos de programa de rádio.

Declaração polêmica ao vivo

O ex-senador Roberto Cavalcanti afirmou nesta quinta-feira, 30 de abril, que o feriado de 1º de Maio, Dia do Trabalhador, deveria ser chamado de “dia da vagabundagem”. A declaração foi feita durante programa ao vivo na TV Correio, emissora que pertence a ele. “E por incrível que pareça, [o feriado de amanhã é] carimbado de Dia do Trabalho. Não, é o dia da vagabundagem. Porque não é trabalho. Trabalho é você sair de casa de manhã e voltar a noite, tendo cumprido uma missão profissional. Eu sou absolutamente contrário a esse tipo de feriado”, afirmou Cavalcanti. A fala gerou imediata repercussão negativa entre trabalhadores e movimentos sociais, que veem na declaração um ataque direto à classe trabalhadora.

O poder do Sistema Correio de Comunicação

Roberto Cavalcanti é dono do Sistema Correio de Comunicação, um dos maiores grupos de mídia da Paraíba. O conglomerado reúne a TV Correio (afiliada à Record), a TV Maior, várias rádios e o jornal impresso Correio da Paraíba. Além de empresário de comunicação, Cavalcanti é membro da Academia Paraibana de Letras (APL). Sua influência na mídia local é vasta, o que torna suas declarações ainda mais impactantes, segundo críticos. A concentração de poder midiático nas mãos de uma única figura levanta questionamentos sobre o uso desse poder para atacar categorias profissionais.

Histórico de controvérsias

Esta não é a primeira vez que Cavalcanti usa seu sistema para promover posições polêmicas. Críticos apontam que ele já permitiu que um funcionário defendesse a Ditadura Militar ao vivo, além de ter desconvidadado o líder do MTST, Guilherme Boulos, ao chegar para um programa de rádio. Ativistas sociais também foram alvo de ataques nos jornais do grupo. O assistente social Tárcio Teixeira, ex-candidato a governador, lembrou que trabalhadores do próprio sistema já demonstraram constrangimento com as posturas do patrão, sofrendo assédio moral em seu cotidiano. “Incrível como uma figura, com o poder da comunicação nas mãos, usa constantemente sua força para atacar uma classe”, escreveu Teixeira em solidariedade aos trabalhadores.

A origem do Dia do Trabalhador

O Dia do Trabalhador é celebrado em 1º de maio em quase todos os países do mundo, sendo feriado em muitos deles. A data remonta a 1886, quando uma greve foi iniciada em Chicago, nos Estados Unidos, com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho. A luta histórica dos trabalhadores por direitos é o que fundamenta a data, que contrasta com a visão expressa por Cavalcanti. Para ele, o feriado não representa trabalho, mas sim “vagabundagem”. A declaração ignora o significado simbólico e a conquista histórica representada pelo 1º de Maio.

Reações e solidariedade à classe trabalhadora

Em resposta, Tárcio Teixeira, assistente social do Ministério Público da Paraíba e ex-candidato a governador, manifestou solidariedade aos trabalhadores. “Neste Primeiro de Maio deixo minha solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras que deixam suas casas, suas famílias, para vender sua força de trabalho e deixar rico um punhado de pessoas”, escreveu. Teixeira também destacou a esperança de que a classe trabalhadora brasileira conquiste a redução da jornada de trabalho, uma pauta histórica. “Que esse ano a Classe Trabalhadora brasileira tenha a maior vitória de sua história nos últimos anos, a redução da jornada de trabalho”, afirmou. A declaração de Cavalcanti, portanto, reacendeu o debate sobre o valor do trabalho e os direitos dos trabalhadores no Brasil.

Implicações para o debate público

A fala do ex-senador ocorre em um momento em que o país discute pautas trabalhistas, como a redução da jornada. A declaração de Cavalcanti, vinda de um influente formador de opinião, pode influenciar o debate público, especialmente na Paraíba. Críticos apontam que o uso do poder midiático para atacar uma data consagrada internacionalmente revela uma postura antidemocrática e desrespeitosa com a história dos trabalhadores. A controvérsia também levanta questões sobre a responsabilidade de comunicadores ao utilizar seus veículos para expressar opiniões que atingem diretamente uma parcela significativa da população.

Em resumo

  • Roberto Cavalcanti, ex-senador e dono do Sistema Correio de Comunicação, chamou o Dia do Trabalhador de 'dia da vagabundagem' em programa ao vivo.
  • A declaração gerou indignação entre trabalhadores e movimentos sociais, que veem um ataque à classe trabalhadora.
  • Cavalcanti tem histórico de usar seu poder midiático para posições polêmicas, como defesa da Ditadura Militar e desconvidação de Guilherme Boulos.
  • O Dia do Trabalhador tem origem na greve de Chicago em 1886 por melhores condições de trabalho, significado ignorado por Cavalcanti.
  • A fala reacendeu o debate sobre direitos trabalhistas e a redução da jornada de trabalho no Brasil.
  • Críticos apontam o uso do poder da comunicação para atacar categorias profissionais como antidemocrático.
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