Jaguatirica invade quintal em Campinas enquanto harpia é flagrada com quati na Bahia
Programa Terra da Gente deste sábado mostra flagrantes raros de felinos e aves, além de pedras que brilham no escuro.
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BRAZIL —
Os factos
- Jaguatirica (Leopardus pardalis) foi filmada no quintal de Gustavo Carvalho em Sousas, Campinas (SP).
- O felino é o terceiro maior do Brasil e costuma se camuflar à noite, tornando raro seu registro.
- Harpia (Harpia harpyja) foi fotografada pela primeira vez no Parque Nacional da Serra das Lontras, sul da Bahia.
- A harpia foi vista com um quati nas garras, confirmando seu papel como predador de topo.
- Pedras que brilham sob luz ultravioleta são explicadas pela fluorescência, fenômeno que excita elétrons em minerais.
- Calcita pura é inerte; traços de manganês ou cromo atuam como ativadores do brilho.
- Ferro inibe a fluorescência em minerais.
Flagrante noturno em Campinas
Na madrugada de um dia recente, uma jaguatirica (Leopardus pardalis) invadiu o jardim da residência de Gustavo Carvalho, no distrito de Sousas, em Campinas (SP). O animal sondava o galinheiro quando foi espantado na primeira tentativa, mas retornou após 15 minutos e conseguiu capturar uma galinha. O barulho acordou toda a família, e Gustavo, de dentro de casa, fez fotografias do felino. A jaguatirica é o terceiro maior felino do Brasil, atrás da onça-pintada e da onça-parda. Sua capacidade de se camuflar à noite torna raro conseguir filmá-la ou fotografá-la. A família Carvalho já havia recebido a visita de uma onça-parda durante a pandemia, há cinco anos, e agora soma mais um registro inusitado ao seu quintal, que já atraiu saruê, porco-espinho, corujas e furão.
Harpia é registrada pela primeira vez na Serra das Lontras
Na primeira expedição do Projeto Harpia Mata Atlântica ao Parque Nacional da Serra das Lontras, no sul da Bahia, pesquisadores avistaram uma harpia (Harpia harpyja) sobrevoando o relevo rochoso com um quati em suas garras. O flagrante, divulgado no perfil do projeto no Instagram, é histórico: embora houvesse relatos antigos de ornitólogos sobre a presença da espécie na região, esta é a primeira vez que a ave é fotografada e filmada oficialmente na unidade de conservação. A harpia pousou em uma árvore com o quati capturado e, na manhã seguinte, ainda permanecia no local devorando a presa. O registro confirma o papel ativo do predador de topo no ecossistema local. Segundo o ornitólogo Fernando Igor de Godoy, a harpia possui visão focal extremamente apurada para caça: permanece empoleirada, atenta, e quando avista a presa, lança-se em sua direção, capturando-a com suas garras. Embora não seja tão veloz quanto um falcão, é ágil, precisa e poderosa.
Pedras que brilham no escuro revelam segredos da Terra
No mundo da geologia, algumas pedras possuem a capacidade de emitir luz quando expostas à luz ultravioleta (UV), fenômeno conhecido como fluorescência. Paulo Henrique Ferreira da Silva, mestre em geologia pela Universidade Federal do Paraná, explica: “A luz UV carrega muita energia. Quando atinge certos átomos do mineral, os elétrons ficam excitados e saltam para níveis de energia mais altos. Ao retornarem ao seu estado normal, liberam essa energia extra na forma de luz visível.” Curiosamente, pedras puras raramente emitem luz. O segredo está nas chamadas “impurezas” ou ativadores. A calcita pura é inerte, mas frequentemente apresenta traços de manganês ou outros elementos que substituem o cálcio, gerando o clássico brilho vermelho ou rosa. O rubi brilha intensamente sob UV por conter traços de cromo. Por outro lado, elementos como o ferro atuam como inibidores de fluorescência, “apagando” o brilho.
Ameaças e conservação das espécies
A harpia pode ser encontrada em todo o Brasil, mas tem se tornado cada vez mais rara devido à caça e ao desmatamento. Como predador de topo, alimenta-se de animais que vivem em árvores, como macacos, preguiças, tamanduás-mirins e quatis. O registro na Serra das Lontras é um sinal positivo para a conservação da espécie na região. Já a jaguatirica, embora não esteja tão ameaçada quanto a harpia, enfrenta pressões semelhantes. O fato de ter sido filmada em uma área residencial próxima a Campinas indica que a espécie ainda encontra refúgio em fragmentos de mata, mas a convivência com humanos gera conflitos, como a predação de galinhas.
O programa Terra da Gente e seus registros
O Terra da Gente, exibido neste sábado (2), reúne esses flagrantes em um episódio que também leva o telespectador às margens do Rio Negro, onde a equipe mostra como cursos d’água podem ser barreiras naturais para aves. Em Manacapuru (AM), a equipe encontrou a “Árvore da Felicidade” no meio do estacionamento de uma pousada. No destino final, em Nova Friburgo (RJ), o repórter Paulo Augusto e um convidado especial ensinam a preparar bolo de pinhão. O programa já havia visitado a casa de Gustavo Carvalho há cinco anos, durante a pandemia, quando uma onça-parda foi destaque. Agora, o retorno trouxe a jaguatirica, mostrando que o quintal da família continua sendo um ponto de encontro com a fauna silvestre.
Implicações para a ciência e o público
Os registros de animais como a jaguatirica e a harpia fornecem dados valiosos para pesquisadores que monitoram a biodiversidade brasileira. A fluorescência em minerais, por sua vez, auxilia geólogos na identificação de gemas e até na exploração de petróleo. O programa Terra da Gente cumpre o papel de popularizar esses fenômenos, aproximando o público da ciência e da natureza. A família Carvalho, que encara os encontros com curiosidade, transforma cada visita inesperada em oportunidade de aprendizado. “É uma chance de conhecer melhor esses animais”, dizem, enquanto o país acompanha, por meio de imagens raras, a riqueza e a fragilidade de sua fauna e geologia.
Em resumo
- A jaguatirica, terceiro maior felino do Brasil, foi filmada em área residencial em Campinas, mostrando a proximidade entre fauna urbana e silvestre.
- A harpia foi registrada pela primeira vez no Parque Nacional da Serra das Lontras, confirmando sua presença na região.
- A fluorescência em minerais é causada por impurezas como manganês e cromo, enquanto o ferro inibe o brilho.
- O programa Terra da Gente documenta a biodiversidade brasileira, desde felinos até aves de rapina e fenômenos geológicos.
- A conservação de espécies como a harpia depende do combate à caça e ao desmatamento.
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