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Polícia espanhola apreende até 45 toneladas de cocaína em alto-mar na maior operação do género

Navio partiu da Serra Leoa com destino oficial à Líbia, mas autoridades suspeitam que droga seria redistribuída para a Europa.

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Polícia espanhola apreende até 45 toneladas de cocaína em alto-mar na maior operação do género
Navio partiu da Serra Leoa com destino oficial à Líbia, mas autoridades suspeitam que droga seria redistribuída para a ECrédito · SIC Notícias

Os factos

  • Navio interceptado na sexta-feira pela Guarda Civil ao largo de Marrocos, desviado para as Canárias.
  • Embarcação partiu a 22 de abril de Freetown, Serra Leoa, com destino declarado a Bengasi, Líbia.
  • Estimativas iniciais apontam para 30 a 45 toneladas de cocaína a bordo, possivelmente um recorde nacional espanhol.
  • 23 tripulantes detidos; cerca de 20 segundo fontes da AUGC.
  • Operação coordenada pelo Tribunal Nacional de Espanha; investigação sob sigilo.
  • Droga estava escondida no porão e no interior do casco; porão 'completamente preenchido' com pacotes.
  • Guarda Civil intensificou operações nas Canárias, ponto estratégico do tráfico transatlântico.
  • Em janeiro de 2023, Espanha apreendeu 9,9 toneladas de cocaína num cargueiro com bandeira camaronesa.

Apreensão histórica no Atlântico

A Guarda Civil espanhola intercetou na sexta-feira um navio carregado com dezenas de toneladas de cocaína em águas internacionais ao largo de Marrocos, numa operação que as autoridades já classificam como uma das maiores apreensões de droga em alto-mar de sempre. A embarcação foi desviada para as Ilhas Canárias, onde está a ser inspecionada. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, confirmou a dimensão histórica da operação numa conferência de imprensa em Madrid, embora tenha evitado revelar a quantidade exata de droga apreendida. Fontes da Asociación Unificada de Guardias Civiles (AUGC) estimam que o carregamento tenha entre 35 e 40 toneladas, enquanto os primeiros dados da operação apontam para um intervalo de 30 a 45 toneladas.

Rota suspeita: da Serra Leoa à Líbia

O navio partiu a 22 de abril de Freetown, capital da Serra Leoa, com destino oficial a Bengasi, na Líbia. No entanto, analistas da AUGC consideram improvável que um carregamento de tal volume tivesse como destino final a Líbia. 'Descarregar um carregamento desse volume na Líbia não faria sentido', afirmou uma fonte da associação. O padrão de operações anteriores sugere que a droga seria transferida para embarcações mais pequenas em pleno Atlântico, para posterior distribuição pelo continente europeu. 'Seriam necessários muitos navios, em diferentes portos, porque uma descarga desse tipo num único porto levantaria suspeitas', acrescentou a mesma fonte, sublinhando que a operação provavelmente envolve redes internacionais de tráfico.

23 detidos e investigação sob sigilo

Os 23 tripulantes que seguiam a bordo foram detidos e estão agora sob custódia das autoridades espanholas. O caso está a ser coordenado pelo Tribunal Nacional, que decretou segredo de justiça. A Guarda Civil recusa-se a comentar detalhes adicionais sobre a operação. A droga estava oculta no porão e no interior do casco do navio. De acordo com a AUGC, o porão estava 'completamente preenchido' com pacotes de cocaína, o que torna esta apreensão 'histórica' para Espanha.

Canárias: porta de entrada do tráfico transatlântico

Nos últimos meses, a Guarda Civil tem intensificado as operações nas Ilhas Canárias, consideradas um ponto estratégico para o tráfico internacional de droga devido à sua localização entre a América Latina, África e Europa. No início do ano, as autoridades já tinham intercetado um navio mercante no Atlântico com 10 toneladas de cocaína. Em operações anteriores, a polícia encontrou droga em contentores de carne congelada oriunda do Brasil no porto de Las Palmas de Gran Canária, e num navio proveniente do Brasil foram apreendidos 289 quilos de cocaína em 12 sacos estanques presos ao casco. A Guarda Civil tem concentrado esforços na inspeção e vigilância de barcos e contentores para prevenir o tráfico transatlântico.

Recorde anterior e contexto ibérico

Esta operação supera a maior apreensão de cocaína em alto-mar realizada até agora pela Polícia Nacional espanhola, em janeiro de 2023, quando um cargueiro com bandeira camaronesa foi intercetado com mais de 9,9 toneladas de cocaína a bordo, ocultas num carregamento de sal. Na altura, o Grupo de Operações Especiais (GEO) abordou o navio enferrujado, o United S., com o apoio de uma embarcação da Marinha, e deteve os 13 tripulantes. A posição geográfica de Espanha, com laços históricos com a América Latina e proximidade com Marrocos — um dos maiores produtores de canábis —, faz do país um ponto de entrada fundamental para drogas na Europa. A rede desmantelada nesta operação estendia-se desde a Galiza, Portugal, Huelva, Cádiz, Málaga, Almería, Girona e Ceuta, passando também por Marrocos e várias ilhas do arquipélago das Canárias.

Próximos passos e impacto

A investigação continua sob sigilo, e as autoridades não divulgaram pormenores sobre a identidade dos detidos ou a estrutura da organização criminosa. A quantidade exata de cocaína apreendida só será conhecida após a conclusão da inspeção completa do navio. Esta megaoperação representa um duro golpe no tráfico transatlântico de cocaína, mas também evidencia a escala do problema: a capacidade de mover dezenas de toneladas de droga através do oceano demonstra a sofisticação logística das redes criminosas. Para as autoridades espanholas, o desafio agora é transformar esta apreensão em condenações e desmantelar as ramificações da organização.

Em resumo

  • Espanha realiza a maior apreensão de cocaína em alto-mar da sua história, com 30 a 45 toneladas apreendidas.
  • Navio partiu da Serra Leoa com destino oficial à Líbia, mas autoridades suspeitam que a droga seria redistribuída para a Europa.
  • 23 tripulantes detidos; investigação sob sigilo no Tribunal Nacional.
  • Operação insere-se na intensificação da vigilância nas Canárias, ponto estratégico do tráfico transatlântico.
  • Apreensão supera o recorde anterior de 9,9 toneladas, ocorrido em janeiro de 2023.
  • Rede desmantelada operava em múltiplos países, incluindo Portugal, Espanha e Marrocos.
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