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BPCE conclui compra do Novobanco por 6,7 mil milhões e faz de Portugal segundo mercado doméstico

A maior aquisição bancária transfronteiriça na zona euro em mais de uma década integra o banco português no grupo francês, que promete manter gestão local e reforçar o financiamento à economia.

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BPCE conclui compra do Novobanco por 6,7 mil milhões e faz de Portugal segundo mercado doméstico
A maior aquisição bancária transfronteiriça na zona euro em mais de uma década integra o banco português no grupo francêCrédito · Jornal de Negócios

Os factos

  • BPCE finalizou a aquisição total do Novobanco por 6,7 mil milhões de euros.
  • O preço final de 6,5 mil milhões a 31/12/2025 baseou-se em lucros de 828 milhões (múltiplo 7,85x).
  • Portugal torna-se o segundo mercado doméstico do grupo francês para banca de retalho.
  • Novobanco emprega 4.100 pessoas, opera 300 balcões e serve 1,7 milhões de clientes.
  • O banco detém 9% do total do sistema bancário e 14% do crédito a empresas não financeiras (18% nas médias empresas).
  • Mark Bourke mantém-se como CEO, reportando ao Secretário-Geral do BPCE, Jacques Beyssade.
  • Três novos membros indicados pelo BPCE integrarão o conselho geral e de supervisão.
  • A aquisição é a maior operação bancária transfronteiriça na Área do Euro em mais de dez anos.

A maior aquisição bancária transfronteiriça da década

O grupo francês BPCE finalizou a compra da totalidade do capital do Novobanco, num negócio de 6,7 mil milhões de euros. A operação, concluída com a aquisição das participações do Estado Português, do Fundo de Resolução e do fundo Lone Star, representa a maior aquisição bancária transfronteiriça na Área do Euro em mais de dez anos. Com esta transação, Portugal passa a ser o segundo mercado doméstico do BPCE para as suas atividades de banca de retalho. O grupo, segundo maior banco francês e quarto maior da zona euro, sublinha o peso estratégico da operação no seu plano "Visão 2030", que visa reforçar a presença europeia e diversificar a exposição económica e financeira.

Preço final e métricas de avaliação

O preço final da aquisição foi fixado em 6,5 mil milhões de euros a 31 de dezembro de 2025, com base nos lucros de 828 milhões registados nesse ano, correspondendo a um múltiplo de 7,85 vezes. Com o aumento do capital próprio nos primeiros meses de 2026, o valor total ascendeu a 6,7 mil milhões de euros. O Novobanco apresentou em 2025 um produto bancário líquido de 1,6 mil milhões de euros e um lucro consolidado de 828 milhões de euros, consolidando um dos desempenhos mais sólidos do setor. A instituição detém quotas de mercado de 9% no total do sistema e de 14% no crédito às empresas não financeiras, atingindo os 18% nas médias empresas.

Gestão local e integração no grupo

O CEO do BPCE, Nicolas Namias, garantiu em entrevista ao Negócios que, apesar da conjuntura internacional ter mudado desde o anúncio da venda, não há intenção de reestruturar a instituição. O Novobanco continuará a ter gestão local, com Mark Bourke a manter-se como CEO, reportando agora ao Secretário-Geral do BPCE, Jacques Beyssade. Três novos membros indicados pelo grupo francês integrarão o conselho geral e de supervisão. O BPCE passa a contar com cerca de 8.000 trabalhadores em Portugal, somando as equipas já existentes no Porto, no Banco Primus e na Oney.

Compromissos estratégicos e planos futuros

O grupo pretende afirmar-se como parceiro de referência no financiamento da economia portuguesa e no reforço das relações empresariais franco-portuguesas. A nova fase prevê o reforço da banca de retalho, corporativa e institucional, com especial enfoque no apoio às PME, no acesso a mercados internacionais e na aceleração da transformação digital. O BPCE compromete-se ainda a intensificar o financiamento da transição ambiental para famílias e empresas. Para Nicolas Namias, esta aquisição representa "um compromisso de longo prazo com Portugal" e uma oportunidade para aprofundar o apoio à economia nacional. Já Mark Bourke considera que o banco entra "num novo capítulo", reforçando capacidade financeira e know-how ao integrar um dos maiores grupos bancários europeus.

Impacto no setor bancário português

A entrada do BPCE no mercado português marca a maior operação bancária transfronteiriça na Área do Euro em mais de uma década, alterando o panorama competitivo. O Novobanco, que emprega 4.100 pessoas e opera uma rede de 300 balcões, serve 1,7 milhões de clientes e detém uma posição relevante no crédito a empresas. A integração no grupo francês deverá proporcionar ao banco português maior capacidade financeira e acesso a know-how especializado, enquanto o BPCE diversifica a sua exposição geográfica e económica. A promessa de manutenção da gestão local visa tranquilizar clientes e colaboradores quanto à continuidade operacional.

Perspetivas e desafios futuros

O sucesso da integração dependerá da capacidade do BPCE em conciliar a sua estratégia global com a autonomia prometida ao Novobanco. A conjuntura internacional, que mudou desde o anúncio da venda, poderá apresentar riscos, mas o CEO do grupo francês descartou qualquer reestruturação. O plano "Visão 2030" do BPCE prevê que Portugal desempenhe um papel central na expansão europeia, com foco no financiamento de PME e na transição digital e ambiental. A operação consolida a presença do grupo na Península Ibérica e abre novas oportunidades para as relações empresariais entre França e Portugal.

Em resumo

  • O BPCE adquiriu o Novobanco por 6,7 mil milhões de euros, a maior aquisição bancária transfronteiriça na zona euro em mais de dez anos.
  • Portugal torna-se o segundo mercado doméstico do grupo francês para banca de retalho, com cerca de 8.000 trabalhadores.
  • O Novobanco mantém gestão local com Mark Bourke como CEO, reportando ao Secretário-Geral do BPCE.
  • O banco português detém quotas de mercado de 9% no total do sistema e 14% no crédito a empresas não financeiras.
  • A aquisição insere-se no plano estratégico 'Visão 2030' do BPCE, com foco no financiamento de PME, transformação digital e transição ambiental.
  • O preço final reflete um múltiplo de 7,85 vezes os lucros de 828 milhões de euros registados em 2025.
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