Cientista condenado por ligação à China reconstruiu laboratório de interface cérebro-computador em Shenzhen
Charles Lieber, ex-professor de Harvard, lidera centro de 15 milhões de dólares dedicado a neurotecnologia prioritária para Pequim.

PORTUGAL —
Os factos
- Charles Lieber foi condenado em 2021 por mentir sobre pagamentos da China enquanto estava em Harvard.
- Lieber reconstruiu seu laboratório em Shenzhen, na China, focado em interface cérebro-computador.
- O laboratório conta com aproximadamente 40 pesquisadores em tempo integral.
- Orçamento anual da operação aproxima-se de 15 milhões de dólares.
- Testes com primatas não humanos alcançaram precisão acima de 95% na decodificação de movimentos.
- Ensaios clínicos com humanos estão em fase inicial, com aprovação de órgãos reguladores chineses.
- A tecnologia de incorporação de eletrónica no cérebro humano é prioridade nacional do governo chinês.
Condenado nos EUA, cientista recomeça na China
O neurocientista Charles Lieber, condenado em 2021 por ocultar vínculos com o governo chinês enquanto lecionava na Universidade Harvard, reconstruiu seu laboratório de interface cérebro-computador em Shenzhen, na China. A mudança marca o retorno às atividades de pesquisa após cumprir pena nos Estados Unidos. Lieber foi considerado culpado por mentir às autoridades americanas sobre pagamentos recebidos da China, num caso que expôs as tensões entre a comunidade científica e a segurança nacional. Após a conclusão dos procedimentos legais, o cientista relocalizou suas operações para a Ásia, refletindo uma tendência mais ampla de migração de expertise para mercados com menos restrições regulatórias.
Laboratório de ponta em neurotecnologia
O novo centro em Shenzhen opera com equipamento de última geração e uma equipe multidisciplinar de cerca de 40 pesquisadores. As instalações incluem sistemas de registro neural de alta resolução e plataformas de decodificação de sinais cerebrais, posicionando o laboratório como um dos maiores dedicados à tecnologia cérebro-computador fora dos Estados Unidos e Europa. O orçamento anual da operação é de aproximadamente 15 milhões de dólares, financiado por investidores privados e fundações de pesquisa. O laboratório colabora com universidades chinesas de topo e desenvolve algoritmos de leitura e interpretação da atividade cerebral, além de protótipos de dispositivos implantáveis e não invasivos.
Aplicações clínicas e testes com primatas
Os pesquisadores concentram-se em duas linhas principais: restaurar mobilidade em pacientes com paralisia através de interfaces que traduzem intenções neurais em comandos motores, e ampliar capacidades cognitivas humanas mediante integração direta entre o cérebro e sistemas computacionais. Testes preliminares com primatas não humanos demonstraram sucesso na decodificação de movimentos complexos com precisão superior a 95%. Ensaios clínicos com pacientes humanos estão em fase inicial, com aprovações obtidas através de órgãos reguladores chineses. O cronograma prevê expansão dos testes clínicos ao longo dos próximos dois anos.
Tecnologia prioritária para Pequim
A incorporação de eletrónica no cérebro humano é identificada pelo governo chinês como prioridade nacional. O estabelecimento do laboratório de Lieber em Shenzhen representa uma das primeiras infraestruturas dedicadas a essa tecnologia emergente fora do contexto ocidental. A transição de Lieber para a China insere-se num movimento mais amplo de cientistas que deixam os Estados Unidos após disputas legais ou restrições regulatórias. O seu histórico em neurociência computacional e engenharia biomédica permaneceu relevante apesar dos problemas legais anteriores.
Implicações para a segurança e a ciência
O caso Lieber ilustra os dilemas da globalização da investigação científica, especialmente em áreas de dupla utilização com potencial militar. A condenação do cientista nos EUA não impediu que ele continuasse seu trabalho na China, onde as regras de transparência são diferentes. A mudança levanta questões sobre a eficácia das sanções legais e a capacidade dos Estados Unidos de reter talentos em campos estratégicos. Enquanto isso, a China acelera seus investimentos em neurotecnologia, consolidando-se como um polo alternativo de inovação.
Em resumo
- Charles Lieber, ex-professor de Harvard condenado por mentir sobre financiamento chinês, lidera agora um laboratório de interface cérebro-computador em Shenzhen.
- O laboratório tem orçamento anual de 15 milhões de dólares e emprega cerca de 40 pesquisadores.
- Testes com primatas alcançaram 95% de precisão na decodificação de movimentos; ensaios clínicos humanos estão em fase inicial na China.
- A tecnologia de interface cérebro-computador é prioridade nacional do governo chinês.
- O caso reflete a migração de cientistas para países com regulações mais permissivas e o desafio dos EUA em reter talentos estratégicos.




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