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Euribor sobe em abril e prestações da casa disparam até 50 euros num ano

Taxas de juro de referência para os créditos à habitação em Portugal aceleram nos três prazos, com a Euribor a 12 meses a subir 0,599 pontos face ao valor de há um ano.

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Euribor sobe em abril e prestações da casa disparam até 50 euros num ano
Taxas de juro de referência para os créditos à habitação em Portugal aceleram nos três prazos, com a Euribor a 12 meses Crédito · ECO

Os factos

  • Euribor a 12 meses fixou-se em 2,848% a 30 de abril, mais 0,083 pontos que na sessão anterior.
  • Média mensal da Euribor a 12 meses subiu 0,182 pontos em abril, para 2,747%.
  • Euribor a seis meses, a mais usada em Portugal, subiu para 2,524% a 30 de abril.
  • Dados do Banco de Portugal de fevereiro mostram que Euribor a seis meses representa 39,18% do stock de crédito à habitação de taxa variável.
  • BCE reúne-se a 29 e 30 de abril em Frankfurt; mercado antecipa manutenção das taxas diretoras.
  • Conflito no Irão pressiona custos de energia e inflação, alimentando expectativas de subida das taxas do BCE.
  • Para um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, prestação com Euribor a 12 meses sobe 49,96 euros em maio.
  • Taxas mistas e fixas também sobem, dificultando a renegociação para quem sai do período fixo.

Euribor acelera em abril e prestações da casa disparam

As taxas Euribor fecharam abril em alta nos três prazos, com a média mensal a subir de forma mais acentuada nos prazos mais longos. A Euribor a 12 meses, a que tem maior impacto nas prestações, fixou-se em 2,848% no dia 30, mais 0,083 pontos que na quarta-feira. A média mensal deste prazo subiu 0,182 pontos para 2,747%, enquanto a seis meses avançou 0,132 pontos para 2,454% e a três meses 0,066 pontos para 2,175%. Esta tendência reflete a expectativa do mercado de que o Banco Central Europeu (BCE) possa vir a subir as taxas diretoras, especialmente se o conflito no Irão não terminar rapidamente. A guerra tem provocado uma forte subida dos custos da energia, com reflexo na inflação, o que pressiona o BCE a agir. O impacto nas famílias portuguesas é imediato: as prestações dos créditos à habitação com taxa variável vão aumentar em maio, sobretudo nos contratos indexados à Euribor a 12 meses. Para um empréstimo de 150 mil euros, com spread de 1% e prazo de 30 anos, a prestação sobe 49,96 euros, para 693,99 euros, aproximando-se novamente dos 700 euros, valor que não se via desde outubro de 2024.

Euribor a seis meses, a mais usada, também sobe

A Euribor a seis meses, que desde janeiro de 2024 é a referência mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu para 2,524% no dia 30 de abril, mais 0,062 pontos que na quarta-feira. A média mensal deste prazo avançou 0,132 pontos para 2,454%. De acordo com dados do Banco de Portugal referentes a fevereiro, a Euribor a seis meses representava 39,18% do stock de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável. As Euribor a 12 e a três meses representavam 31,73% e 24,79%, respetivamente. Para um empréstimo de 150 mil euros, a subida da prestação com a Euribor a seis meses é de 28,29 euros, para 669,39 euros. Já para a Euribor a três meses, o aumento é de 11,90 euros, para 646,57 euros.

BCE reúne-se esta semana e mercado antecipa manutenção

A segunda reunião de política monetária do BCE desde o início da guerra contra o Irão realiza-se a 29 e 30 de abril em Frankfurt, Alemanha. O mercado antecipa que o BCE opte por manter as taxas diretoras, pela sétima reunião consecutiva, depois de oito cortes desde junho de 2024. No entanto, as expectativas de uma subida em junho ganham força, caso o conflito no Irão persista e continue a pressionar os preços da energia e a inflação. Na primeira reunião após o início da guerra, a 19 de março, o BCE manteve as taxas, como esperado. As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da Zona Euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário. A evolução destas taxas reflete as expectativas do mercado quanto à política monetária do BCE.

Impacto nos novos contratos e nas revisões de maio

A subida das Euribor sente-se nos novos contratos a taxas variáveis a realizar em maio e nas revisões periódicas dos contratos existentes. Para a Euribor a 12 meses, o impacto é mais expressivo: a média de abril (2,747%) é 0,599 pontos superior ao valor de há um ano. Considerando um empréstimo de 200 mil euros, a prestação com Euribor a 12 meses sobe 66,61 euros, para 925,32 euros. Para 300 mil euros, o aumento é de 99,92 euros, para 1387,99 euros. Num financiamento de 500 mil euros, a prestação sobe 166,53 euros, para 2313 euros. Apesar de a subida ser modesta face aos máximos de 2023 (quando as Euribor atingiram 4%), a variação é mais significativa nos empréstimos de montante elevado, que se tornaram mais comuns devido ao aumento dos preços dos imóveis e aos incentivos estatais à compra de casa, como a garantia pública e isenções fiscais.

Taxas mistas e fixas também sobem, dificultando renegociações

A subida das taxas de juro não se limita às Euribor. Os swaps de taxas de juro e os contratos de futuros, que servem de referência para os empréstimos a taxas mistas (período inicial fixa seguida de variável), também estão a subir há vários meses, de forma mais acentuada desde março. Muitos particulares que contrataram empréstimos a taxas mistas e veem terminar o período de taxa fixa estão a tentar refixar novamente a taxa, em vez de passar para a variável. No entanto, os valores apresentados pelos bancos para esta modalidade já estão mais elevados. As taxas mistas por períodos curtos (dois e três anos) são frequentemente taxas promocionais para conquistar clientes, pelo que dificilmente são repetíveis, especialmente quando a tendência do mercado é de subida do custo do dinheiro. Além disso, o mercado de transferências de crédito tornou-se mais difícil, nomeadamente devido ao agravamento da comissão por amortização antecipada.

Perspetivas: guerra no Irão e política do BCE no centro das atenções

A evolução das taxas Euribor nos próximos meses dependerá crucialmente da duração do conflito no Irão e do seu impacto nos preços da energia e na inflação. Se a guerra não terminar rapidamente, o mercado antecipa que o BCE possa subir as taxas diretoras já em junho, o que pressionaria ainda mais as Euribor. Para as famílias portuguesas, o cenário é de agravamento dos encargos com a habitação, num contexto em que as taxas de juro já subiram significativamente desde os mínimos de 2024. Ainda assim, as taxas atuais estão longe dos máximos de 2023, quando a Euribor a 12 meses chegou aos 4%. O BCE reúne-se novamente a 29 e 30 de abril, e a decisão será acompanhada de perto pelos mercados e pelos mutuários. Até lá, as Euribor continuarão a refletir as expectativas e a incerteza geopolítica.

Em resumo

  • Euribor a 12 meses subiu 0,599 pontos face a há um ano, elevando prestações em quase 50 euros para um empréstimo de 150 mil euros.
  • Euribor a seis meses, a mais usada em Portugal, subiu para 2,524% a 30 de abril.
  • BCE reúne-se esta semana; mercado antecipa manutenção, mas subida em junho é possível se conflito no Irão persistir.
  • Taxas mistas e fixas também sobem, dificultando a renegociação para quem sai do período fixo.
  • Impacto é mais expressivo em empréstimos de montante elevado, comuns devido ao aumento dos preços das casas.
  • Conflito no Irão pressiona energia e inflação, alimentando expectativas de subida das taxas diretoras.
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