Trump ameaça retirar tropas de Espanha e Itália e ataca Merz por interferir no Irão
Presidente dos EUA alarga ameaça de redução militar a mais aliados da NATO, enquanto chanceler alemão defende parceria transatlântica fiável.
PORTUGAL —
Os factos
- Trump ameaçou retirar tropas de Espanha e Itália por falta de apoio no conflito com o Irão.
- EUA têm 35.000 militares na Alemanha, 12.000 em Itália e 3.200 em Espanha.
- Merz disse que os EUA estão a ser 'humilhados' pelo Irão e não têm estratégia.
- Trump acusou Merz de ser 'totalmente ineficaz' na guerra Rússia/Ucrânia.
- Pentágono admitiu penalizar aliados, incluindo suspender Espanha da NATO.
- Espanha recusou usar bases e cooperar no desbloqueio do Estreito de Ormuz.
- Ex-diretor de políticas da NATO, Fabrice Pothier, defende 'Europa sem os EUA'.
Ameaça alargada a mais aliados europeus
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou esta quinta-feira retirar as tropas norte-americanas de Espanha e Itália, alargando a pressão que já exercia sobre a Alemanha. Questionado na Casa Branca se planeava o mesmo para Madrid e Roma, Trump respondeu: 'Sim, provavelmente. Porque não o faria? A Itália não nos tem ajudado em nada, e a Espanha tem sido horrível, absolutamente horrível'. 'Quando precisamos deles, não estavam lá. Temos de nos lembrar disso', insistiu o chefe de Estado, numa referência à recusa dos dois países em cooperar no conflito com o Irão. A ameaça surge depois de Trump ter anunciado na quarta-feira que a sua administração está a 'estudar e a analisar a possível redução de tropas na Alemanha'.
Confronto direto com o chanceler alemão
Trump dirigiu críticas pessoais ao chanceler alemão Friedrich Merz, acusando-o de se concentrar em 'interferir' no Irão em vez de resolver os problemas internos da Alemanha. Numa publicação na Truth Social, Trump escreveu: 'O chanceler da Alemanha deveria dedicar mais tempo a pôr fim à guerra com a Rússia/Ucrânia (onde tem sido totalmente ineficaz!) e a consertar o seu país em crise, especialmente a imigração e a energia, e menos tempo a interferir com aqueles que estão a eliminar a ameaça nuclear iraniana'. A troca de acusações começou na segunda-feira, quando Merz afirmou que os EUA estavam a ser 'humilhados' pela liderança iraniana e que Teerão 'claramente não tem qualquer estratégia' nas negociações. 'Uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança iraniana, especialmente pelos chamados Guardas Revolucionários', disse Merz aos estudantes em Marsberg.
Resposta de Merz: defesa da parceria transatlântica
O chanceler alemão evitou responder diretamente às ameaças de Trump durante uma visita a tropas em Münster, no oeste da Alemanha. Em vez disso, defendeu uma 'parceria transatlântica fiável', afirmando: 'Nestes tempos conturbados, estamos a seguir uma linha clara, uma linha que se mantém assente na NATO e numa parceria transatlântica fiável. Como sabem, esta parceria transatlântica é particularmente importante para todos nós, e para mim pessoalmente'. Merz sublinhou ainda que mantém 'um contacto estreito e de confiança com os nossos parceiros, incluindo, e especialmente, os de Washington', e que o faz 'no interesse transatlântico comum, com respeito mútuo e uma partilha justa dos encargos'.
Números do destacamento militar dos EUA na Europa
Os Estados Unidos têm aproximadamente 35.000 militares estacionados na Alemanha, 12.000 em Itália e 3.200 em Espanha, principalmente nas bases aéreas de Rota e Morón. Espanha alberga o terceiro maior contingente de tropas norte-americanas na União Europeia. A ameaça de redução surge num contexto de descontentamento de Trump com a NATO, que acusa de não cooperar na guerra contra o Irão. Desde o início da ofensiva em 28 de fevereiro, Trump manifestou irritação com países como Espanha, que recusou autorizar o uso das suas bases e não cooperou no desbloqueio do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irão em resposta aos ataques israelitas e norte-americanos.
Penalizações em estudo e reação espanhola
Um e-mail do Pentágono, a que a Reuters teve acesso, admitia várias formas de penalizar os aliados, incluindo a hipótese de suspender Espanha da NATO — cenário que a própria Aliança descartou prontamente. Trump já havia ameaçado retirar-se da NATO e 'cortar todo o comércio' com Espanha. Apesar das ameaças, o governo espanhol manteve a tranquilidade. Fontes governamentais citadas pela agência Efe sublinharam que Espanha é um parceiro de confiança e honra sempre os seus compromissos.
Consequências para a aliança transatlântica
O anúncio de Trump não é novo, mas especialistas da NATO consideram que os frequentes pronunciamentos corroeram irremediavelmente a aliança. O antigo diretor de políticas da NATO, Fabrice Pothier, afirmou à Euronews que chegou a hora de pensar numa 'Europa sem os EUA'. Pothier descreveu a situação como um 'momento da rã a ferver', em que 'a situação piora a cada ano', mas os Estados europeus são tranquilizados pelos EUA, que lhes garantem que 'continuam a ser um bom aliado'. A crise atual levanta questões sobre o futuro da NATO e a capacidade da Europa de garantir a sua própria segurança.
Em resumo
- Trump ameaça reduzir tropas na Alemanha, Espanha e Itália por falta de apoio no Irão.
- Merz critica estratégia dos EUA no Irão, gerando confronto direto com Trump.
- EUA têm 35.000 militares na Alemanha, 12.000 em Itália e 3.200 em Espanha.
- Pentágono estuda penalizar aliados, incluindo suspensão de Espanha da NATO.
- Espanha mantém-se tranquila e afirma honrar compromissos como parceiro de confiança.
- Especialistas alertam para erosão irreversível da aliança transatlântica.





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