Tribunais Administrativos rejeitam alterações do Governo sobre expulsões
Conselho Superior critica propostas que violam direito europeu e preveem expulsão de menores.

PORTUGAL —
Os factos
- Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais emitiu parecer negativo.
- Propostas do Governo contrariam diretivas europeias.
- Expulsão de imigrantes antes de decisão final de recurso é inaceitável.
- Inclusão de menores de 18 anos em processos de expulsão é criticada.
- Juiz Hélder Pombo, indicado pelo Chega, votou a favor do parecer negativo.
- Parecer não é vinculativo para o Parlamento.
Tribunais Administrativos Reprovam Mudanças na Expulsão de Estrangeiros
O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) emitiu um parecer negativo sobre as alterações propostas pelo Governo relativas à expulsão de cidadãos estrangeiros do país. A decisão, que surge após intensa discussão entre os onze membros do conselho, sinaliza uma discordância profunda com a direção que o executivo pretende imprimir na legislação de imigração. A principal preocupação manifestada pelo CSTAF reside na incompatibilidade das propostas governamentais com o direito europeu. Em causa estão, nomeadamente, a possibilidade de expulsar indivíduos antes de uma decisão definitiva sobre os seus recursos e a inclusão de menores de 18 anos nestes processos. Esta posição do CSTAF representa um obstáculo significativo para o Governo, embora o parecer não seja juridicamente vinculativo, abrindo a porta para que o Parlamento decida seguir ou ignorar as recomendações dos magistrados.
Conflito com Legislação Europeia e Direitos dos Menores
As alterações governamentais, discutidas em plenário no dia 15 de maio, foram consideradas pelo CSTAF como "afronta" a diretivas europeias. Um dos pontos centrais de discórdia é a pretensão de expulsar um imigrante mesmo que este tenha interposto recurso contra a ordem de expulsão. De acordo com a legislação europeia, o recurso deve ter efeito suspensivo, impedindo a expulsão até que a impugnação seja conhecida. Igualmente criticada é a proposta de reduzir a idade mínima para expulsão para os 16 anos. O CSTAF argumenta que tal medida "não está em linha com o conceito de menor" acolhido nos instrumentos jurídicos europeus. A justificação apresentada pelo conselho é que a menoridade, por si só, não deveria ser o único critério, sem qualquer associação à prática de ilícitos criminais, questionando a lógica de imputabilidade penal. Para além disso, a obrigatoriedade de uma condenação judicial ou de indícios sérios de planeamento de atos contra a ordem pública ou segurança nacional, conforme exigido por uma diretiva europeia de 2001, parece ser contornada pelas propostas governamentais. A diretiva estipula que o afastamento deve basear-se numa "ameaça grave e atual" para a ordem pública ou segurança nacional.
Divisões Internas e Voto do Chega
Apesar da forte discussão interna entre os membros do CSTAF, o parecer negativo foi aprovado por unanimidade. Este consenso alargado inclui o juiz Hélder Pombo, nomeado pelo partido Chega, uma força política conhecida por defender uma lei de imigração mais restritiva. A posição unânime, mesmo com a participação de um juiz com afiliação política associada a uma agenda de restrição, sublinha a gravidade das preocupações com a conformidade legal das propostas. A notícia sobre o parecer foi divulgada na quarta-feira, dia 6 de maio, avançada por uma publicação nacional. A divergência de opiniões durante o plenário, que contou com a participação de onze membros, culminou numa decisão consensual que agora coloca o Governo perante um escrutínio judicial mais apertado. A aprovação por unanimidade, que contou com o voto favorável do juiz indicado pelo Chega, Hélder Pombo, demonstra a amplitude da oposição interna às propostas. Contudo, a natureza não vinculativa do parecer significa que a decisão final recai sobre o Parlamento, que poderá optar por seguir as recomendações dos tribunais ou avançar com as alterações propostas.
O Que Vem a Seguir para a Legislação de Expulsão
O parecer negativo do CSTAF lança uma sombra sobre as ambições do Governo em endurecer a legislação de expulsão de estrangeiros. A posição das autoridades judiciais administrativas e fiscais, que apontam para a violação de normas europeias, coloca o executivo numa posição delicada. Agora, a bola está no campo do Parlamento. Os deputados terão de ponderar as recomendações do CSTAF face às suas próprias convicções políticas e às exigências da União Europeia. A possibilidade de o Parlamento ignorar o parecer existe, mas implicaria um confronto direto com o entendimento jurídico sobre a matéria. A decisão final poderá ter implicações profundas na forma como Portugal lida com a imigração e com a aplicação de medidas de expulsão, afetando potencialmente a vida de milhares de imigrantes e a imagem do país no contexto europeu.
Em resumo
- O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais considera que as propostas do Governo violam o direito da União Europeia.
- A expulsão de imigrantes antes da decisão final de um recurso é expressamente proibida pela legislação europeia.
- A inclusão de menores de 18 anos em processos de expulsão é vista como incompatível com os conceitos jurídicos europeus.
- O parecer negativo foi aprovado por unanimidade pelo CSTAF, incluindo um juiz indicado pelo partido Chega.
- O parecer não é vinculativo, deixando a decisão final nas mãos do Parlamento.
- A legislação europeia exige uma ameaça grave e atual à ordem pública ou segurança nacional para justificar o afastamento de um indivíduo.





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