Forvia desvia produção de fábricas europeias para Portugal, com foco em Bragança
Grupo franco-alemão, que emprega 3.500 pessoas no país, está a transferir sistemas de escape para a unidade de Bragança, aproveitando o abrandamento da eletrificação.

PORTUGAL —
Os factos
- Forvia nasceu em 2022 da fusão da francesa Faurecia e da alemã Hella.
- Emprega cerca de 3.500 pessoas em Portugal, com fábricas em Bragança, São João da Madeira, Viseu, Nelas, Vouzela e Palmela.
- António Fernandes, OES Industrial & PC&L Manager, confirmou a transferência de produção de outras fábricas europeias para Portugal.
- A fábrica de Bragança está a ganhar produção por estar focada em sistemas de escape, cujo volume não estava previsto.
- O custo de penalização por falha de entrega ao cliente é de 6 a 7 mil euros por minuto.
- A empresa utiliza armazéns avançados com stock de duas a quatro semanas, ainda propriedade do fornecedor.
- Em ruturas, recorrem a transporte aéreo, que aumenta o custo em 300 a 400%.
- Forvia serve fabricantes como Volkswagen, BMW e General Motors.
Revisão da estratégia de eletrificação impulsiona transferência
O Grupo Forvia, resultante da fusão entre a francesa Faurecia e a alemã Hella, está a redirecionar produção de fábricas europeias para as suas unidades em Portugal, com destaque para a fábrica de Bragança. A decisão surge num momento em que a empresa revê a sua estratégia de eletrificação, que não está a avançar conforme previsto. António Fernandes, OES Industrial & PC&L Manager na Forvia Faurecia, explicou que havia fábricas preparadas para eletrificação e outras para tecnologias de combustão, mas a transição para veículos elétricos 'não está a acontecer'. Em vez disso, a empresa está a concentrar a produção de determinadas tecnologias para ganhar eficiência.
Bragança no centro da produção de sistemas de escape
A unidade de Bragança, especializada em sistemas de escape, está a receber a maior parte da produção transferida. 'A fábrica de Bragança está a ganhar produção porque está focada no sistema de escape, que não estava previsto estar nesta fase a este volume, mas que é uma oportunidade', afirmou Fernandes. Esta aposta em Portugal poderá implicar um aumento do número de funcionários, mas, para já, o objetivo é manter os cerca de 3.500 trabalhadores que o grupo emprega no país. A Forvia está presente em Portugal com unidades industriais em Bragança, São João da Madeira, Viseu, Nelas, Vouzela e Palmela (na Autoeuropa), além de um centro de I&D em Santa Maria da Feira e uma software house em Lisboa.
Simplificação de processos e otimização logística
Para garantir a produtividade, a empresa foca-se na simplificação e reutilização de processos e equipamentos, tanto ao nível de recursos humanos como de máquinas e transportes. 'Há todo um fluxo que está desde os nossos fornecedores overseas, que é a China e a Índia, para com o nosso cliente que está situado no meio da Europa, em que nós em cada um dos pontos temos de otimizar ao máximo', detalhou Fernandes. A empresa recorre a armazéns avançados, onde mantém stock de componentes para duas a quatro semanas, que ainda pertencem ao fornecedor. 'Uma vez que estamos a falar de 12 a 14 semanas de tempo de trânsito de barco, que pode ter algum impacto, o fornecedor tem essa possibilidade', acrescentou.
Custos exorbitantes de penalização por atrasos
Em caso de rutura de stock, a empresa recorre a alternativas como o comboio (cerca de oito semanas) ou o avião (uma a duas semanas). No entanto, o transporte aéreo implica um aumento de 300 a 400% no custo do transporte. 'Tentamos evitar, mas em algumas situações temos de o fazer, porque se falharmos com a entrega ao cliente, o custo é completamente exorbitante', afirmou Fernandes. O custo de penalização por minuto de atraso na entrega ao cliente é de seis a sete mil euros. 'Estamos a falar de 6 a 7 mil euros por minuto. É o custo de penalização que temos se não conseguimos entregar as peças aos nossos clientes', concluiu.
Forvia: um dos maiores fornecedores mundiais de componentes
A Forvia, que nasceu em 2022 da fusão da Faurecia e da Hella, figura entre os maiores fornecedores de componentes automóveis do mundo, servindo fabricantes como Volkswagen, BMW e General Motors. A empresa está presente em Portugal com uma força de trabalho significativa e uma rede de unidades industriais e de inovação. A decisão de desviar produção para Portugal reflete uma tendência de reconfiguração das cadeias de abastecimento na indústria automóvel, num contexto de incerteza sobre o ritmo da eletrificação e a necessidade de otimizar custos e prazos de entrega.
Perspetivas de crescimento e desafios logísticos
Embora a transferência de produção para Portugal possa trazer oportunidades de crescimento, a empresa enfrenta desafios logísticos significativos, com prazos de entrega de 12 a 14 semanas por via marítima a partir da Ásia. A utilização de armazéns avançados e a aposta em modos de transporte mais rápidos, como o comboio e o avião, são estratégias para mitigar riscos. O foco na simplificação do portfólio e na concentração da produção em fábricas como a de Bragança visa aumentar a eficiência e reduzir custos, num setor onde as penalizações por atraso são extremamente elevadas. A Forvia parece estar a aproveitar a oportunidade para reforçar a sua presença em Portugal, enquanto aguarda a evolução do mercado de veículos elétricos.
Em resumo
- A Forvia está a transferir produção de fábricas europeias para Portugal, especialmente sistemas de escape para Bragança, devido ao abrandamento da eletrificação.
- A empresa emprega cerca de 3.500 pessoas em Portugal e o objetivo é manter este número, podendo aumentá-lo.
- O custo de penalização por atraso na entrega é de 6 a 7 mil euros por minuto, o que obriga a medidas logísticas caras como o transporte aéreo.
- A Forvia utiliza armazéns avançados com stock de duas a quatro semanas para mitigar os longos prazos de transporte marítimo (12-14 semanas).
- A empresa serve gigantes automóveis como Volkswagen, BMW e General Motors, sendo um dos maiores fornecedores mundiais de componentes.
- A estratégia de simplificação e concentração da produção visa aumentar a eficiência e reduzir custos num contexto de incerteza sobre a eletrificação.







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