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Médico indiciado por morte de criança após erro de medicação em Manaus

Investigação aponta que menino recebeu medicação na veia em vez de inalação, resultando em fatalidade.

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Médico indiciado por morte de criança após erro de medicação em Manaus
Investigação aponta que menino recebeu medicação na veia em vez de inalação, resultando em fatalidade.Crédito · Jornal de Notícias

Os factos

  • Criança Benício morreu após receber medicação errada.
  • Médica Juliana Brasil, técnica de enfermagem Raiza Bentes e diretores do hospital particular Santa Júlia foram indiciados.
  • A medicação foi administrada na veia em vez de por inalação.
  • Médica é acusada de homicídio doloso, fraude processual e falsidade ideológica.
  • Técnica de enfermagem Raiza Bentes também foi indiciada por homicídio doloso.
  • Hospital funcionava com número insuficiente de enfermeiros e sem farmacêutico no dia do incidente.

Um Erro Fatal em Manaus

Um menino de nome Benício, que havia dado entrada no hospital particular Santa Júlia com um quadro de tosse seca, faleceu após um grave erro na administração de medicação. A polícia concluiu que o estado de saúde da criança, àquele momento, não indicava gravidade, mas uma falha na prescrição e aplicação do medicamento levou a um desfecho trágico. O caso chocou o país e levantou sérias questões sobre os protocolos de segurança em unidades de saúde privadas. A investigação policial detalhou uma série de negligências que culminaram na morte do pequeno Benício, com o inquérito apontando para responsabilidades claras. As conclusões da polícia foram divulgadas após análise de evidências, incluindo conversas e transações financeiras encontradas no celular da médica responsável pelo atendimento.

A Sequência de Negligências

Segundo a investigação, a prescrição médica foi feita sem a devida conferência. O medicamento, que deveria ser administrado por inalação, foi aplicado na veia da criança. A técnica de enfermagem Raiza Bentes, com apenas sete meses de profissão, administrou a substância mesmo após a mãe de Benício questionar, alertando que o filho nunca havia recebido adrenalina intravenosa. Após a aplicação incorreta, Benício foi levado para a "sala vermelha", onde recebeu cuidados intensivos. Contudo, seu estado de saúde deteriorou-se rapidamente, levando ao óbito. Uma perícia técnica posterior descartou falhas no sistema hospitalar, reforçando a tese de erro humano e negligência por parte da equipe médica e de enfermagem.

A Médica e a Fraude Processual

A médica Juliana Brasil, responsável pelo atendimento, foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica. A polícia descobriu, através de mensagens em seu celular, que enquanto acompanhava o caso de Benício, a médica trocava mensagens sobre venda de cosméticos e recebia pagamentos via Pix. As investigações também revelaram que Juliana Brasil tentou se eximir da responsabilidade, alegando falhas no sistema. Além disso, há indícios de que ela ofereceu dinheiro a uma pessoa para a gravação de um vídeo que sustentasse sua versão dos fatos perante a Justiça. Juliana Brasil, que se apresentava como pediatra sem ter a especialização na área, responderá ao processo em liberdade, pois não chegou a ser presa. Sua conduta levanta preocupações sobre a prática médica e a ética profissional.

Indiciamento da Técnica e Falhas Estruturais

A técnica de enfermagem Raiza Bentes também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual. Sua defesa informou que ela está suspensa do exercício profissional e não pretende retornar à atividade. O inquérito apontou ainda que, no dia do incidente, o hospital particular Santa Júlia operava com um número insuficiente de enfermeiros. Crucialmente, não havia um farmacêutico presente para conferir as prescrições médicas, uma falha que pode ter contribuído diretamente para o erro fatal. Diretores do hospital também foram indiciados, embora a unidade tenha afirmado em nota não ter sido oficialmente comunicada sobre tais indiciamentos. O hospital declarou estar à disposição das autoridades e reafirmou seu compromisso com a segurança dos pacientes.

A Busca por Justiça dos Pais

Os pais de Benício expressaram satisfação com as conclusões da polícia e manifestaram o desejo de que os responsáveis sejam devidamente punidos. A dor da perda é imensurável, mas a investigação detalhada oferece um caminho para a responsabilização. Este caso ressalta a importância da vigilância constante nos ambientes hospitalares e a necessidade de rigorosos protocolos de segurança. A confiança nos sistemas de saúde é fundamental, e falhas como esta abalam essa confiança. A sociedade aguarda agora os desdobramentos legais, na esperança de que a justiça seja feita e que medidas eficazes sejam tomadas para prevenir que tragédias semelhantes voltem a ocorrer.

Em resumo

  • A morte do menino Benício em Manaus foi resultado de uma medicação administrada incorretamente na veia, em vez de por inalação.
  • A médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes foram indiciadas por homicídio doloso, entre outras acusações.
  • A investigação revelou que a médica tentou ocultar sua responsabilidade e até mesmo fabricar provas.
  • O hospital Santa Júlia operava com falta de pessoal de enfermagem e sem farmacêutico para conferência de prescrições no dia do ocorrido.
  • Pais da criança expressaram satisfação com o inquérito e esperam punição para os envolvidos.
  • O caso levanta sérias questões sobre a segurança e os protocolos de atendimento em hospitais particulares.
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