Sport

Mudryk suspenso por quatro anos após teste positivo para meldonium; jogador recorre ao TAS

O extremo ucraniano do Chelsea, contratado por 70 milhões de euros em 2023, poderá ficar afastado dos relvados até dezembro de 2028.

6 min
Mudryk suspenso por quatro anos após teste positivo para meldonium; jogador recorre ao TAS
O extremo ucraniano do Chelsea, contratado por 70 milhões de euros em 2023, poderá ficar afastado dos relvados até dezemCrédito · A Bola

Os factos

  • Mykhailo Mudryk, 25 anos, foi suspenso por quatro anos pela Federação Inglesa de Futebol (FA) por violação das regras antidoping.
  • O teste de urina realizado em outubro de 2024 detetou meldonium, substância proibida pela WADA desde 2016.
  • Mudryk já cumpria suspensão preventiva desde dezembro de 2024; a sanção tem efeitos retroativos, com regresso possível em dezembro de 2028.
  • O jogador recorreu da decisão junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), na Suíça, e contratou a Morgan Sports Law, mesma firma que representou Paul Pogba.
  • O Chelsea pagou 70 milhões de euros (cerca de R$ 388 milhões) ao Shakhtar Donetsk, com bónus que podem atingir 30 milhões de euros adicionais.
  • Mudryk marcou 10 golos e deu 8 assistências em 73 jogos pelo Chelsea desde janeiro de 2023.
  • O CEO do Shakhtar, Sergei Palkin, afirmou que o clube pode perder 30 milhões de euros em bónus se Mudryk não cumprir objetivos desportivos.

O fim de uma ascensão meteórica

Mykhailo Mudryk, o extremo ucraniano que chegou ao Chelsea em janeiro de 2023 por 70 milhões de euros (mais 30 milhões em bónus), foi suspenso por quatro anos após testar positivo para meldonium, uma substância proibida pela Agência Mundial Antidopagem (WADA) desde 2016. O anúncio da Federação Inglesa de Futebol (FA) coloca um ponto final — ainda que provisório — na carreira de um jogador que, há dois anos, era comparado a Vinícius Júnior e Kylian Mbappé. O teste de urina, realizado no final de outubro de 2024, detetou a presença de meldonium na amostra 'A' do atleta. Mudryk, que já se encontrava sob suspensão preventiva desde dezembro de 2024, viu agora a sanção máxima ser-lhe aplicada, com efeitos retroativos. O jogador poderá regressar aos relvados apenas em dezembro de 2028, se o recurso que interpôs no Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) não for bem-sucedido.

O recurso e a defesa do jogador

Mudryk recorreu da decisão da FA junto do TAS, na Suíça, e contratou a Morgan Sports Law para o representar. A mesma firma de advogados representou Paul Pogba no seu caso de doping, conseguindo reduzir a suspensão inicial de quatro anos para 18 meses em outubro de 2024. O jogador ucraniano baseia a sua defesa na alegação de que nunca consumiu substâncias proibidas de forma consciente, tendo reagido com 'total choque' quando a suspensão provisória foi comunicada. No seu perfil no Instagram, à data da suspensão preventiva, Mudryk garantiu não ter feito 'nada de errado' e expressou esperança de que iria voltar 'em breve aos relvados'. A escolha da Morgan Sports Law reflete a estratégia de tentar reduzir a sanção, à semelhança do que aconteceu com Pogba.

O impacto financeiro para Chelsea e Shakhtar

A transferência de Mudryk foi uma das mais caras da história do Chelsea: 70 milhões de euros fixos, mais 30 milhões em bónus por objetivos desportivos. Desse montante, 25 milhões de euros foram doados ao exército ucraniano. O CEO do Shakhtar Donetsk, Sergei Palkin, revelou ao TalkSport que o clube ucraniano pode perder 30 milhões de euros se Mudryk não cumprir os objetivos estipulados no contrato. 'Se ele não jogar, ou se o Chelsea não obtiver bons resultados, perdemos 30 milhões de euros. Isso representa um grande impacto financeiro para nós', afirmou Palkin. O Chelsea, por seu lado, investiu pesado num jogador que nunca correspondeu às expectativas: em 73 jogos pelos blues, Mudryk marcou apenas 10 golos e deu oito assistências. A sua última temporada, 2024/2025, parecia ser a mais promissora, com três golos e quatro assistências em 15 jogos, mas todos em competições secundárias (Taça da Liga Inglesa e Liga Conferência, que o Chelsea viria a conquistar).

A ascensão e queda de um talento precoce

Mudryk foi revelado pelo Shakhtar Donetsk, onde conquistou três títulos de campeão ucraniano (2018/2019, 2019/2020 e 2022/2023) e foi eleito jogador do ano do clube em 2021 e 2022, além de futebolista do ano da Ucrânia em 2022. O seu potencial era tão evidente que Darijo Srna, diretor de futebol do Shakhtar na altura, o considerava 'o melhor extremo do mundo, depois apenas de Vinícius Júnior e de Kylian Mbappé'. O treinador Roberto De Zerbi, que o orientou em 2021/2022, afirmou que Mudryk era 'um dos melhores jovens jogadores de futebol' do mundo. No entanto, o início da carreira foi difícil: entre 2018 e 2021, Mudryk não teve qualquer contribuição para golo nos clubes por onde passou (Shakhtar, Arsenal de Kiev e Desna). Foi com De Zerbi que o avançado explodiu, registando dois golos e seis assistências em 19 jogos. A guerra na Ucrânia interrompeu o campeonato, mas na época seguinte Mudryk somou dez golos e oito assistências em 18 jogos, o que lhe valeu a transferência para o Chelsea.

O meldonium e o precedente de Sharapova

O meldonium, também conhecido como mildronato, é um medicamento anti-isquémico que passou a ser proibido pela WADA em 2016. A substância ganhou notoriedade quando a ex-tenista russa Maria Sharapova testou positivo nesse mesmo ano, tendo sido suspensa por 15 meses. Outros atletas do Leste Europeu também foram sancionados pelo uso da substância. No caso de Mudryk, o teste 'A' realizado no final de outubro de 2024 detetou a presença de meldonium na urina do jogador, após o seu último jogo pelo Chelsea, a 28 de novembro de 2024, frente ao Heidenheim, na Liga Conferência, onde marcou um golo na vitória por 2-0. A amostra 'B' ainda não foi divulgada, mas a FA considerou a evidência suficiente para aplicar a suspensão máxima.

O futuro incerto e o treino solitário

Enquanto aguarda o desfecho do recurso, Mudryk tem treinado sozinho nas instalações do Uxbridge FC, um clube amador inglês, para manter a forma física, segundo a revista FourFourTwo. O jogador está há mais de dois anos sem jogar futebol oficialmente e poderá ter de esperar mais quatro anos se a sanção for mantida. O caso de Mudryk levanta questões sobre o sistema de controlo antidoping e a responsabilidade dos clubes na monitorização dos seus atletas. Para o Shakhtar, a perda potencial de 30 milhões de euros em bónus é um golpe financeiro significativo, especialmente num contexto de guerra. Para o Chelsea, o investimento de 70 milhões de euros pode ter sido em vão. Resta saber se o TAS reduzirá a suspensão, como fez no caso de Pogba, ou se Mudryk terá de esperar até 2028 para voltar a pisar um relvado.

Em resumo

  • Mykhailo Mudryk foi suspenso por quatro anos pela FA após teste positivo para meldonium, substância proibida desde 2016.
  • O jogador recorreu ao TAS e contratou a Morgan Sports Law, que reduziu a suspensão de Paul Pogba de 4 para 18 meses.
  • A transferência de Mudryk para o Chelsea, em 2023, custou 70 milhões de euros fixos, mais 30 milhões em bónus; o Shakhtar pode perder 30 milhões se os objetivos não forem cumpridos.
  • Mudryk nunca correspondeu às expectativas no Chelsea: 10 golos em 73 jogos, com a melhor temporada a ser interrompida pelo doping.
  • O meldonium é um medicamento anti-isquémico popular no Leste Europeu, que levou à suspensão de Maria Sharapova em 2016.
  • Mudryk treina sozinho num clube amador enquanto aguarda a decisão do TAS; o seu regresso aos relvados está previsto para dezembro de 2028, no mínimo.
Galerie
Mudryk suspenso por quatro anos após teste positivo para meldonium; jogador recorre ao TAS — image 1Mudryk suspenso por quatro anos após teste positivo para meldonium; jogador recorre ao TAS — image 2Mudryk suspenso por quatro anos após teste positivo para meldonium; jogador recorre ao TAS — image 3
Mais sobre isto