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Nuno Correia da Silva desafia Nuno Melo e propõe 'rutura com o atual rumo' no congresso do CDS-PP

Antigo deputado e ex-vereador em Lisboa apresenta moção 'Liberdade em Movimento' para o 32.º Congresso Nacional, em maio, apelando a uma maior autonomização face ao PSD.

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Nuno Correia da Silva desafia Nuno Melo e propõe 'rutura com o atual rumo' no congresso do CDS-PP
Antigo deputado e ex-vereador em Lisboa apresenta moção 'Liberdade em Movimento' para o 32.º Congresso Nacional, em maioCrédito · Expresso

Os factos

  • Nuno Correia da Silva candidata-se à liderança do CDS-PP no 32.º Congresso Nacional, a 16 e 17 de maio, em Alcobaça.
  • A sua moção intitula-se 'Liberdade em Movimento' e defende o regresso à matriz da direita social e popular.
  • Correia da Silva foi membro da direção de Manuel Monteiro e já se candidatou à liderança em 2022, numa corrida a três vencida por Nuno Melo.
  • O candidato critica a 'diluição da identidade' do CDS na coligação com o PSD e defende 'fronteiras bem definidas'.
  • Em janeiro, criticou o CDS por não apoiar nenhum candidato na segunda volta das presidenciais, referindo-se ao vencedor como 'candidato populista'.
  • A moção assenta em cinco pilares: Habitação, Educação, Saúde, Energia e Política Fiscal.
  • A Juventude Popular também apresentou uma moção alinhada com a de Correia da Silva, criticando a liderança de Nuno Melo.

O desafio à liderança de Nuno Melo

Nuno Correia da Silva, antigo deputado centrista e ex-vereador na Câmara de Lisboa, lançou a sua candidatura à presidência do CDS-PP no 32.º Congresso Nacional, marcado para 16 e 17 de maio em Alcobaça. O movimento representa um desafio direto a Nuno Melo, atual líder do partido, propondo uma 'rutura com o atual rumo' e uma maior 'autonomização' face ao PSD. Correia da Silva, que já se candidatara à liderança em 2022 numa corrida a três que incluiu Miguel Mattos Chaves e da qual Nuno Melo saiu vencedor, apresenta-se agora como alternativa ao presidente em exercício. A sua moção, intitulada 'Liberdade em Movimento', defende o regresso à matriz da direita social e popular, com bandeiras como a 'defesa inabalável da liberdade', a 'família' e o 'mérito individual'.

Os cinco pilares estratégicos da moção

A moção de Correia da Silva estrutura-se em cinco pilares estratégicos: Habitação, Educação, Saúde, Energia e Política Fiscal. O candidato defende que o partido deve apresentar propostas diferenciadoras nestas áreas, respondendo aos problemas do país de forma autónoma. Em declarações à agência Lusa, Correia da Silva sublinhou a importância de o CDS 'voltar a ter fronteiras bem definidas no espaço político' e 'levantar bem alto as suas bandeiras'. Considerou que o partido 'precisa de afirmação e precisa de se fazer notar', criticando a 'diluição do partido' na coligação com o PSD.

Críticas à coligação e à falta de influência no Governo

Correia da Silva afirmou que não se nota que o CDS-PP 'esteja a exercer influência no Governo' e apontou falta de ambição ao partido liderado por Nuno Melo. Argumentou que, se as bandeiras dos centristas estiverem salvaguardadas dentro da coligação da Aliança Democrática (AD), 'deve continuar na coligação', mas não deve 'sacrificar as ideias para ir para a coligação'. O candidato alertou que o partido não pode continuar 'acomodado na sombra do PSD' e que a lealdade institucional para com o parceiro de Governo não pode equivaler a 'unanimismo' nem a 'diluição da identidade' do CDS. Esta posição alinha-se com a da Juventude Popular (JP), que também apresentou uma moção crítica à liderança de Nuno Melo.

Exemplo da legislação laboral e a valorização do trabalho

Correia da Silva deu como exemplo as alterações à legislação laboral, considerando que 'a questão fundamental que está ausente da discussão é a valorização do trabalho e a justa remuneração do trabalho'. Sustentou que o CDS deve ser 'o partido dos produtores, o partido dos contribuintes', defendendo que 'sentir que vale a pena produzir' é uma questão cara ao partido. O candidato acrescentou que o CDS-PP deve assumir-se também como 'o partido da família e o partido da solidariedade', reafirmando a matriz da democracia cristã. Esta visão surge em linha com a moção da Juventude Popular, avançada pelo Expresso, que será apresentada na reunião magna.

A polémica sobre as presidenciais e o passado político

Em janeiro, Correia da Silva criticou o facto de o CDS não ter apoiado nenhum candidato a Belém na segunda volta das presidenciais. Num artigo publicado no Observador, escreveu: 'Muitas perguntas poderiam ser feitas, mas o CDS não fez nenhuma. Apenas disse que não apoia socialistas ou populistas. Acontece que os resultados da primeira volta já fizeram um vencedor, e esse é o que chamam candidato populista'. O antigo deputado centrista e ex-vereador na Câmara de Lisboa tem um histórico de contestação interna. Em 2022, já se candidatara à liderança do CDS, numa corrida a três que contou também com Miguel Mattos Chaves, onde Nuno Melo saiu vencedor. Agora, volta a desafiar o atual líder, propondo uma rutura com o rumo atual.

O congresso de maio e o futuro do CDS-PP

O 32.º Congresso Nacional do CDS-PP, agendado para 16 e 17 de maio em Alcobaça, será o palco da disputa entre Nuno Melo e Nuno Correia da Silva. O candidato apresentou uma das quatro moções globais ao congresso, intitulada 'Liberdade em Movimento', e conta com o apoio implícito da Juventude Popular, que também critica a liderança de Nuno Melo e defende que o partido vá sozinho a eleições. Correia da Silva afirmou que o CDS-PP 'tem de se afirmar' e 'marcar as suas fronteiras políticas com bandeiras próprias', sublinhando que 'a aliança com o PSD só será forte se houver complementaridade. Se anularmos a nossa identidade, estaremos a falhar aos nossos militantes e ao país'. O resultado do congresso poderá definir o futuro do partido na coligação e a sua capacidade de se autonomizar.

As consequências de uma eventual vitória de Correia da Silva

Caso Nuno Correia da Silva vença o congresso, o CDS-PP poderá adotar uma postura mais crítica face ao PSD, exigindo maior margem de manobra na coligação. A sua moção defende uma 'rutura com o atual rumo' e uma maior 'autonomização', o que poderia levar a tensões com o parceiro de Governo. No entanto, o candidato não defende a saída imediata da coligação, mas sim que o partido não sacrifique as suas ideias. A sua visão de um CDS mais afirmativo, focado nas bandeiras da direita social e popular, poderá atrair militantes descontentes com a atual liderança. O congresso de maio será, assim, um momento crucial para o futuro do partido.

Em resumo

  • Nuno Correia da Silva, antigo deputado e ex-vereador, candidata-se à liderança do CDS-PP no congresso de maio, desafiando Nuno Melo.
  • A sua moção 'Liberdade em Movimento' propõe uma rutura com o atual rumo e maior autonomização face ao PSD, defendendo bandeiras como família, mérito e liberdade.
  • O candidato critica a diluição da identidade do CDS na coligação e a falta de influência no Governo, dando como exemplo a legislação laboral.
  • A Juventude Popular alinha-se com Correia da Silva, também criticando a liderança de Nuno Melo e defendendo que o partido vá sozinho a eleições.
  • O congresso decorre a 16 e 17 de maio em Alcobaça e poderá redefinir a posição do CDS-PP na coligação com o PSD.
  • Correia da Silva já se candidatara à liderança em 2022, numa corrida a três vencida por Nuno Melo.
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