Trabalhadores da Transtejo Soflusa desistem de plenário e serviço fluvial mantém-se normal
A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) considera a proposta de aumento salarial do Governo insuficiente face ao custo de vida.
PORTUGAL —
Os factos
- A Transtejo Soflusa (TTSL) opera as ligações fluviais entre Lisboa e a margem sul do Tejo (Seixal, Montijo, Cacilhas, Barreiro, Trafaria/Porto Brandão).
- O plenário de trabalhadores estava marcado para quinta-feira, das 14:30 às 17:30, na Estação Fluvial do Cais do Sodré.
- A FECTRANS criticou a proposta da administração da TTSL, que segue o despacho 1173-A/2026 do Governo.
- O despacho autoriza um aumento da massa salarial global das empresas públicas até 4,6% em 2026.
- Trabalhadores com remuneração base bruta até 2.631,62 euros teriam uma atualização de 56,58 euros.
- A FECTRANS alertou para alterações ao Acordo de Empresa que podem ter impactos negativos na remuneração mensal.
- Em março, a TTSL transportou mais de 1,8 milhões de passageiros, continuando a crescer.
- A TTSL e a Carris Metropolitana melhoraram a sincronização de horários a partir de 1 de maio.
Plenário desconvocado, serviço normalizado
O serviço de transporte fluvial entre a margem sul do Tejo e Lisboa decorre esta quinta-feira com normalidade, após o sindicato ter desconvocado o plenário de trabalhadores que poderia causar perturbações entre as 14:30 e as 17:30. A Transtejo Soflusa (TTSL) anunciou a decisão na sua página oficial, informando que "por motivo de desconvocação do Plenário Geral de Trabalhadores, o serviço de transporte regular é realizado na devida normalidade". A empresa tinha alertado na quarta-feira para a possibilidade de constrangimentos, mas a reunião dos trabalhadores na Estação Fluvial do Cais do Sodré, em Lisboa, acabou por não se realizar. O plenário visava discutir as propostas de negociação coletiva apresentadas pela administração.
Proposta salarial do Governo considerada insuficiente
A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) criticou a proposta da administração da TTSL, que se baseia no despacho 1173-A/2026, de 2 de fevereiro, publicado no Diário da República. O despacho autoriza um "aumento da massa salarial global das empresas do setor empresarial do estado até 4,6% em 2026", incluindo todos os efeitos e componentes remuneratórias, e uma "atualização de 56,58 euros para quem tem uma remuneração base bruta até 2.631,62 euros". A FECTRANS considera que a proposta é "insuficiente, tendo em conta o atual contexto de forte aumento do custo de vida". Além disso, o sindicato alertou para um conjunto de propostas de alterações ao atual Acordo de Empresa (AE) que, segundo a federação, teriam "impactos negativos na remuneração mensal dos trabalhadores".
Operador essencial para a Área Metropolitana de Lisboa
A Transtejo Soflusa SA é responsável pelas ligações fluviais entre Lisboa e as localidades da margem sul do Tejo: Seixal, Montijo, Cacilhas, Barreiro e Trafaria/Porto Brandão, todas no distrito de Setúbal. A empresa transporta diariamente milhares de passageiros, tendo atingido em março mais de 1,8 milhões de passageiros, um crescimento contínuo. A TTSL tem investido na modernização da frota, incluindo a aquisição de navios 100% elétricos com financiamento europeu. A empresa também melhorou a sincronização de horários com a Carris Metropolitana a partir de 1 de maio, visando uma maior eficiência nas deslocações dos utentes.
Contexto de tensão laboral e negociações em curso
A paralisação do plenário não resolve as divergências entre a administração e os trabalhadores. A FECTRANS mantém a posição de que a proposta salarial é insuficiente e que as alterações ao Acordo de Empresa podem prejudicar os rendimentos. A administração, por seu lado, segue as diretrizes do Governo para as empresas públicas, que limitam o aumento da massa salarial a 4,6%. Este é mais um episódio de tensão laboral num setor crítico para a mobilidade na capital portuguesa. Em fevereiro, o Governo publicou o despacho que define os limites salariais, mas os sindicatos consideram que o aumento do custo de vida justifica uma atualização superior.
Perspetivas e próximos passos
Com o plenário desconvocado, o serviço mantém-se regular, mas as negociações coletivas prosseguem. A FECTRANS deverá continuar a pressionar por melhores condições, podendo recorrer a novas formas de protesto. A empresa, entretanto, foca-se na operação e na melhoria dos serviços, como a abertura do Ponto Navegante no Terminal Fluvial do Cais do Sodré durante 12 horas diárias (das 08h00 às 20h00). A situação reflete o desafio de conciliar as restrições orçamentais do Estado com as reivindicações dos trabalhadores num contexto de inflação. A curto prazo, os utentes não sofreram perturbações, mas o impasse laboral permanece por resolver.
Em resumo
- O plenário de trabalhadores da Transtejo Soflusa foi desconvocado, evitando perturbações no serviço fluvial entre Lisboa e a margem sul do Tejo.
- A FECTRANS considera a proposta de aumento salarial (até 4,6% e 56,58 euros para salários até 2.631,62 euros) insuficiente face ao aumento do custo de vida.
- A administração da TTSL mantém a proposta baseada no despacho governamental 1173-A/2026, que define os limites para as empresas públicas.
- O sindicato alertou para alterações ao Acordo de Empresa que podem reduzir a remuneração mensal dos trabalhadores.
- A TTSL transportou mais de 1,8 milhões de passageiros em março, evidenciando a importância do serviço para a Área Metropolitana de Lisboa.
- As negociações coletivas continuam, com possibilidade de novas ações de protesto caso não haja acordo.





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