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Quarto ataque de drones em 16 dias mergulha Tuapse em desastre ambiental

Fumo tóxico e derrames de petróleo repetem-se na refinaria da Rosneft, enquanto residentes denunciam a demora das autoridades russas em responder.

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Quarto ataque de drones em 16 dias mergulha Tuapse em desastre ambiental
Fumo tóxico e derrames de petróleo repetem-se na refinaria da Rosneft, enquanto residentes denunciam a demora das autoriCrédito · Público

Os factos

  • Tuapse foi alvo de quatro ataques de drones ucranianos em 16 dias.
  • A refinaria de petróleo da Rosneft em Tuapse foi atingida em todos os ataques.
  • O fumo tóxico e a chuva negra cobriram carros e ruas com uma camada oleosa.
  • O Kremlin reconheceu a situação pela primeira vez na terça-feira.
  • O Presidente Putin enviou o ministro das Emergências, Aleksandr Kurenkov, para coordenar a resposta.
  • A Rússia lançou 409 drones sobre a Ucrânia, dos quais 388 foram neutralizados ou abatidos.
  • Especialistas classificam a situação como o pior desastre ambiental na região em vários anos.

Ataques consecutivos transformam cidade turística em zona de catástrofe

Na manhã de sexta-feira, drones ucranianos atingiram pela quarta vez em 16 dias o porto russo de Tuapse, no Mar Negro, agravando um desastre ambiental que já se arrasta há semanas. Nuvens negras de fumo tóxico e derrames de petróleo no mar repetem-se, enquanto a cidade, outrora conhecida como a 'Riviera Russa', enfrenta uma crise sem precedentes. A refinaria de petróleo da Rosneft, alvo dos ataques, voltou a ser atingida. Os incêndios anteriores, a 16 e 20 de abril, demoraram dias a ser extintos, e substâncias tóxicas caíram em forma de chuva negra, cobrindo carros e ruas com uma camada oleosa. 'A cidade está a sufocar com o fumo', escreveu um residente nas redes sociais.

Residentes denunciam falta de apoio e voluntários assumem limpeza

Voluntários juntaram-se para ajudar nas operações de limpeza, em parte porque demorou quase duas semanas — e três ataques em rápida sucessão — até que as autoridades regionais e federais reagissem. Elmira Ayrapetyan, empresária que dirige uma agência de branding em Krasnodar e se deslocou a Tuapse para ajudar, descreveu a situação: 'O petróleo está literalmente a cair do céu. Não conseguimos respirar. A cidade inteira cheira a fuelóleo, que pinga sobre os carros.' A demora na resposta oficial gerou frustração entre os habitantes, que contestam a falta de apoio das autoridades russas. Enquanto isso, o governador da região de Krasnodar afirmou que a situação 'não é fácil, mas está controlada', repetindo a mesma expressão usada mais cedo enquanto avaliava os danos.

Kremlin reconhece crise e Putin envia ministro das Emergências

Na terça-feira, o Kremlin reconheceu pela primeira vez a situação, e o Presidente Vladimir Putin enviou ao local o ministro das Emergências, Aleksandr Kurenkov, para coordenar a resposta ao incêndio. 'A situação não é fácil, mas está controlada', afirmou o ministro. Putin aproveitou o desastre para repetir acusações contra a Ucrânia de realizar 'ataques terroristas' contra civis russos e infraestruturas energéticas. Numa reunião de segurança na noite de terça-feira, Putin afirmou que os ataques a Tuapse 'podem potencialmente causar graves consequências ambientais', mas acrescentou que 'parece não haver ameaças graves; as pessoas estão a lidar com os desafios no terreno'. Especialistas ambientais têm uma visão diferente.

Especialistas alertam para contaminação do ar, solo, rio e mar

Especialistas alertam para a contaminação do ar, do solo, do rio e do mar, numa situação já descrita como a mais grave da região em vários anos. Os fogos provocados pelos ataques anteriores também demoraram dias a ser apagados, com substâncias tóxicas a caírem em forma de chuva negra. A refinaria de Tuapse, ligada a um terminal marítimo, é um importante centro de processamento e exportação de petróleo para a Rússia. Localizada a cerca de 110 quilómetros a noroeste de Sochi, que acolheu os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, Tuapse faz parte da zona turística subtropical ao longo da costa do Mar Negro. A cidade tem sido repetidamente alvo da Ucrânia nos últimos meses, num padrão de ataques que visa infraestruturas energéticas russas.

Ucrânia continua ofensiva com drones enquanto Rússia intensifica retaliação

Entretanto, a Rússia também lançou 409 drones em território ucraniano, dos quais 388 foram neutralizados ou abatidos, segundo informações oficiais. O número reflete a escala do conflito, que se estende para além das frentes de batalha tradicionais, atingindo infraestruturas civis e energéticas de ambos os lados. Os ataques a Tuapse inserem-se numa estratégia ucraniana de atingir alvos estratégicos russos, com o objetivo de interromper a logística e a economia de guerra. No entanto, as consequências ambientais e humanas têm sido cada vez mais graves, transformando uma cidade turística num cenário de desastre.

Futuro incerto para Tuapse e para o equilíbrio ambiental da região

O desastre em Tuapse levanta questões sobre a capacidade da Rússia de proteger as suas infraestruturas críticas e de responder a emergências ambientais. A demora na reação oficial e a minimização dos riscos por parte das autoridades contrastam com a gravidade da situação no terreno. Para os residentes, o futuro é incerto. A cidade, que dependia do turismo e da refinaria, enfrenta agora uma crise que pode ter efeitos duradouros na saúde pública e no ecossistema local. Enquanto isso, os ataques continuam, e a 'Riviera Russa' tornou-se um símbolo das consequências colaterais de um conflito que não dá sinais de abrandar.

Em resumo

  • Tuapse sofreu quatro ataques de drones ucranianos em 16 dias, todos visando a refinaria da Rosneft.
  • O desastre ambiental inclui fumo tóxico, chuva negra e derrames de petróleo no mar, classificados como os piores na região em anos.
  • As autoridades russas demoraram quase duas semanas a responder, levando voluntários a assumir a limpeza.
  • Putin enviou o ministro das Emergências após reconhecer a situação, mas minimizou os riscos ambientais.
  • A Rússia lançou 409 drones sobre a Ucrânia, dos quais 388 foram abatidos, num contexto de escalada do conflito.
  • Especialistas alertam para contaminação generalizada do ar, solo, rio e mar, com consequências de longo prazo.
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