Ucrânia ataca laboratório em Zaporizhzhia e petroleiros russos; Zelensky impõe sanções a antigo chefe de gabinete
Presidente ucraniano afirma que país está tecnicamente preparado para iniciar negociações de adesão à UE nos próximos dois meses.
PORTUGAL —
Os factos
- Drones ucranianos atingiram um laboratório na central nuclear de Zaporizhzhia.
- Ataques russos nas últimas 24 horas mataram 8 pessoas e feriram mais de 70 na Ucrânia.
- Ucrânia atacou dois petroleiros da frota fantasma russa e o porto de Primorsk.
- Zelensky impôs sanções a cinco pessoas, incluindo o antigo chefe de gabinete.
- Presidente ucraniano disse que Ucrânia espera abrir seis grupos de negociação com a UE em dois meses.
- Rússia fará desfile do Dia da Vitória sem veículos militares pela primeira vez desde o início da guerra.
- Oleoduto Druzhba foi reparado pela Ucrânia, retomando transporte de petróleo russo para Hungria e Eslováquia.
Ataques ucranianos visam infraestrutura nuclear e frota russa
Na madrugada desta segunda-feira, drones ucranianos atingiram um laboratório na central nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, sob controlo russo desde março de 2022. O ataque ocorre num momento de tensão elevada, com Moscovo a acusar Kiev de colocar em risco a segurança nuclear. Simultaneamente, a Ucrânia lançou ofensivas contra dois petroleiros da chamada frota fantasma russa e contra o porto de Primorsk, no mar Báltico. Estes alvos fazem parte da estratégia ucraniana de enfraquecer a capacidade logística e de exportação de energia da Rússia. Os ataques com drones não se limitaram ao território ucraniano: Kiev também atingiu alvos na Rússia durante a noite, numa escalada que mostra a crescente capacidade ofensiva das forças ucranianas.
Oito mortos e mais de 70 feridos em bombardeios russos
As forças russas responderam com bombardeios intensos em várias regiões da Ucrânia, causando a morte de pelo menos oito pessoas e ferindo mais de 70 nas últimas 24 horas. As cidades do sul do país foram particularmente afetadas, com imagens a mostrarem um homem a chorar sobre o corpo da mãe após um ataque com drones. No nordeste, o exército russo capturou a vila de Bochkove, na região de Kharkiv, segundo a agência estatal russa. Este avanço territorial ocorre num momento em que a Rússia intensifica a pressão sobre a linha da frente, enquanto a Ucrânia tenta manter a iniciativa com ataques de longo alcance. Mais de 50 pessoas ficaram feridas nos ataques com mísseis e drones, elevando o número total de vítimas civis desde o início da invasão a 24 de fevereiro de 2022 para dezenas de milhares.
Zelensky impõe sanções e acelera adesão à UE
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou sanções contra cinco pessoas, incluindo o seu antigo chefe de gabinete. A medida surge num contexto de consolidação do poder e de luta contra a corrupção, enquanto Kiev procura demonstrar capacidade de reforma aos parceiros europeus. Numa reunião com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, Zelensky garantiu que a Ucrânia está tecnicamente preparada para iniciar as negociações de adesão à União Europeia. O objetivo é abrir todos os seis grupos de negociação nos próximos dois meses, um passo essencial para a adesão final ao bloco dos 27. “Estamos a contar abrir todos os seis grupos de negociação ao longo deste e do próximo mês. Tecnicamente, a Ucrânia está totalmente preparada”, afirmou Zelensky, sublinhando a determinação de Kiev em avançar no processo de integração europeia apesar da guerra.
Desfile do Dia da Vitória sem veículos militares levanta dúvidas sobre arsenal russo
Pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia realizará o desfile do Dia da Vitória, a 9 de maio, sem a participação de veículos militares. A medida levanta questões sobre o estado do arsenal russo, que tem sofrido perdas significativas no campo de batalha. O Kremlin justificou a ausência de blindados com o risco de “ameaça terrorista ucraniana”, mas analistas apontam para a escassez de equipamentos operacionais. O desfile celebra a vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial e é um evento de grande simbolismo para o regime de Vladimir Putin. Entretanto, Zelensky assumiu que a Ucrânia poderá atacar o desfile em Moscovo, uma declaração que aumenta a pressão sobre a segurança do evento e demonstra a disposição de Kiev em levar a guerra ao coração da Rússia.
Oleoduto Druzhba reparado: petróleo russo volta a fluir para a Europa
A Ucrânia concluiu a reparação do oleoduto Druzhba, que havia sido danificado em janeiro após um ataque russo, interrompendo o fornecimento de petróleo para a Hungria e a Eslováquia. O reinício do transporte de crude abre caminho para um empréstimo da União Europeia destinado a fortalecer as defesas ucranianas. No entanto, a medida gerou controvérsia. O presidente Zelensky criticou a decisão dos Estados Unidos de prorrogar a suspensão de sanções sobre o petróleo russo, classificando-a como “dinheiro para a guerra”. A administração norte-americana justificou a medida como necessária para evitar uma crise energética global. O alívio das sanções permite que a Rússia continue a exportar petróleo, alimentando as suas receitas de guerra, enquanto a Ucrânia depende do apoio ocidental para sustentar a sua defesa.
Presidente da Finlândia questiona como a Ucrânia pode ajudar a Europa
O presidente da Finlândia, país que aderiu à NATO em 2023, lançou uma reflexão incomum: em vez de se focar apenas no apoio à Ucrânia, a Europa deve começar a pensar como a Ucrânia pode ajudar o continente. A declaração sugere uma mudança de perspetiva, reconhecendo o potencial ucraniano em termos de recursos, experiência militar e posição geopolítica. Esta abordagem alinha-se com a visão de Kiev, que se apresenta como um baluarte contra a agressão russa e um parceiro estratégico para a segurança europeia. A Finlândia, que partilha uma longa fronteira com a Rússia, tem sido um dos mais firmes apoiantes da Ucrânia. Entretanto, Londres e Bruxelas acordaram um novo empréstimo à Ucrânia, num sinal de que o apoio financeiro ocidental continua, apesar das tensões internas na União Europeia sobre a sustentabilidade do esforço de guerra.
Riscos nucleares e o espectro de Chernobyl 40 anos depois
O ataque ao laboratório de Zaporizhzhia reacendeu o debate sobre os riscos de um novo desastre nuclear, 40 anos após a tragédia de Chernobyl. Embora os combates na Ucrânia aumentem a probabilidade de incidentes graves, especialistas sublinham que o acidente de 1986 teve características próprias que dificilmente se repetirão. A central de Zaporizhzhia, ocupada pelas forças russas desde o início da invasão, tem sido alvo de múltiplos incidentes de segurança, incluindo cortes de energia e disparos nas suas imediações. A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) tem alertado repetidamente para o perigo de um acidente nuclear. No entanto, a comparação com Chernobyl é limitada: o reator de Zaporizhzhia é de um tipo diferente e mais moderno, e os protocolos de segurança foram reforçados. Ainda assim, o risco de um incidente com consequências regionais permanece real, num contexto em que a guerra continua a desafiar todas as normas de segurança.
Em resumo
- A Ucrânia intensificou ataques com drones contra infraestruturas russas, incluindo um laboratório nuclear e petroleiros, enquanto a Rússia mantém bombardeios que causam dezenas de vítimas civis.
- Zelensky impôs sanções a cinco pessoas, entre as quais o antigo chefe de gabinete, e afirmou que a Ucrânia está tecnicamente preparada para abrir negociações de adesão à UE em dois meses.
- A Rússia realizará o desfile do Dia da Vitória sem veículos militares pela primeira vez desde o início da guerra, levantando dúvidas sobre o seu arsenal.
- O oleoduto Druzhba foi reparado pela Ucrânia, retomando o fluxo de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia, mas Zelensky criticou o alívio de sanções dos EUA como financiamento da guerra russa.
- O presidente da Finlândia sugeriu que a Europa deve considerar como a Ucrânia pode contribuir para a segurança do continente, enquanto Londres e Bruxelas acordam novo empréstimo a Kiev.
- O ataque a Zaporizhzhia reavivou preocupações nucleares, mas especialistas consideram improvável um desastre como o de Chernobyl, embora os riscos permaneçam elevados.







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