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FBI conclui que atirador português na Brown University escolheu vítimas simbólicas

Cláudio Neves Valente planeou os ataques durante anos, agindo isoladamente e visando pessoas e instituições que representavam as suas perceções de fracasso e exclusão.

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FBI conclui que atirador português na Brown University escolheu vítimas simbólicas
Cláudio Neves Valente planeou os ataques durante anos, agindo isoladamente e visando pessoas e instituições que represenCrédito · SAPO

Os factos

  • Cláudio Neves Valente, 48 anos, cidadão português, matou dois estudantes e feriu nove na Brown University a 13 de dezembro de 2025.
  • Dois dias depois, assassinou Nuno Loureiro, professor do MIT, em Brookline, Massachusetts.
  • Valente foi encontrado morto num armazém em Salem, New Hampshire, com ferimento autoinfligido.
  • O FBI obteve mais de 490 pistas, examinou mais de 11 mil imagens de vigilância, analisou 815 vídeos e realizou mais de 260 entrevistas.
  • O ataque estava a ser planeado desde 2022, segundo avaliação comportamental do FBI.
  • O relatório do FBI indica que Valente visava 'vítimas simbólicas' associadas a oportunidades perdidas e injustiças percebidas.

Ataque planeado durante anos em isolamento

As autoridades federais norte-americanas concluíram que Cláudio Neves Valente, o cidadão português de 48 anos responsável pelo tiroteio em massa na Brown University e pelo homicídio do professor Nuno Loureiro, não agiu ao acaso. Uma avaliação comportamental divulgada esta quarta-feira pelo FBI revela que Valente planeou os ataques durante vários anos, atuando sempre de forma isolada. O relatório sublinha que o atirador escolheu deliberadamente pessoas e instituições que simbolizavam a sua própria perceção de falhanço e exclusão. “Ele parecia ter dificuldades em aceitar a forma como avaliava as suas conquistas de vida e sentia-se profundamente marginalizado”, refere o documento.

Cronologia dos ataques: 13 e 15 de dezembro

O primeiro ataque ocorreu a 13 de dezembro de 2025, num edifício de engenharia da Brown University, em Providence, Rhode Island. Valente matou dois estudantes e feriu outros nove. Dois dias depois, a 15 de dezembro, assassinou Nuno Loureiro, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), na residência deste em Brookline, Massachusetts. Após os crimes, Valente fugiu, desencadeando uma busca policial que se estendeu por vários estados. Foi encontrado morto num armazém em Salem, New Hampshire, com um ferimento de bala autoinfligido.

Perfil do atirador: isolamento e paranoia crescentes

O FBI traçou um perfil de Valente como um homem que viveu durante anos em isolamento social, mudando frequentemente de local e sem redes de apoio consistentes — família próxima, colegas ou figuras de autoridade. Esse isolamento terá contribuído para a construção gradual de uma narrativa pessoal de ressentimento, inadequação e paranoia. “À medida que os fracassos superavam os sucessos, a sua paranoia intensificou-se, culminando num estado de profunda perturbação mental e numa determinação em morrer”, afirma o relatório do FBI. As autoridades acreditam que Valente visava “vítimas simbólicas” associadas a oportunidades perdidas, injustiças percebidas e ao que considerava ser a sua “queda pessoal”.

Investigação de grande escala: 490 pistas e 260 entrevistas

A investigação liderada pelo FBI e pela Procuradoria dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts foi de grande envergadura. As autoridades obtiveram mais de 490 pistas, examinaram mais de 11 mil ficheiros de imagens de vigilância, analisaram 815 vídeos e realizaram mais de 260 entrevistas. O esforço investigativo permitiu reconstituir os passos de Valente e confirmar que o ataque estava a ser planeado desde 2022. O FBI não encontrou indícios de que o atirador tivesse cúmplices, reforçando a tese de que agiu sozinho.

Reações e consequências

Os ataques abalaram as comunidades académicas da Brown University e do MIT. A Brown University perdeu dois estudantes, cujos nomes não foram divulgados, e nove outros ficaram feridos. O homicídio de Nuno Loureiro, físico português de renome, causou consternação tanto nos Estados Unidos como em Portugal. As autoridades norte-americanas não divulgaram detalhes sobre o estado de saúde dos feridos nem sobre eventuais medidas de segurança adicionais nas universidades. O caso levanta questões sobre o fenómeno dos atiradores solitários e a dificuldade de identificar sinais de radicalização em indivíduos isolados.

Próximos passos e questões em aberto

Com a morte de Valente, o caso é dado como encerrado do ponto de vista criminal. No entanto, permanecem perguntas sobre como um indivíduo conseguiu planear ataques durante anos sem ser detectado pelas autoridades. O FBI não especificou se Valente tinha acesso legal a armas de fogo ou como as obteve. O relatório do FBI serve agora como base para eventuais recomendações de políticas de prevenção de tiroteios em massa. As comunidades académicas e as autoridades portuguesas aguardam mais detalhes sobre a investigação, que pode ter implicações para a cooperação bilateral em matéria de segurança.

Em resumo

  • Cláudio Neves Valente planeou os ataques desde 2022, agindo sozinho e visando vítimas simbólicas.
  • O ataque na Brown University a 13 de dezembro matou dois estudantes e feriu nove; dois dias depois, Valente assassinou o professor Nuno Loureiro do MIT.
  • Valente foi encontrado morto em Salem, New Hampshire, com ferimento autoinfligido, após uma busca multi-estadual.
  • O FBI conduziu uma investigação massiva com mais de 490 pistas, 11 mil imagens, 815 vídeos e 260 entrevistas.
  • O isolamento social prolongado de Valente intensificou a sua paranoia e levou a uma crise mental, segundo o relatório do FBI.
  • O caso levanta preocupações sobre a deteção de atiradores solitários e a prevenção de tiroteios em massa.
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