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Greve nacional de trabalhadores da saúde em Portugal nos dias 4 e 5 de maio

Sindicato STTS convoca paralisação de 48 horas por melhores salários e condições dignas, com manifestação marcada para o Hospital Santa Maria.

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Greve nacional de trabalhadores da saúde em Portugal nos dias 4 e 5 de maio
Sindicato STTS convoca paralisação de 48 horas por melhores salários e condições dignas, com manifestação marcada para oCrédito · Metrópoles

Os factos

  • Greve nacional dos trabalhadores da saúde nos dias 4 e 5 de maio de 2026.
  • Convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS).
  • Exige reposição de pontos retirados no sistema de avaliação, contratação urgente e fim de turnos de 14 a 16 horas.
  • Manifestação agendada para 5 de maio junto ao Hospital Santa Maria, em Lisboa.
  • Sindicato denuncia 'exaustão prolongada' e 'silêncio e indiferença' do Governo.
  • Serviços mínimos serão equivalentes aos de domingos e feriados, conforme tribunal arbitral.
  • Nova greve de enfermeiros convocada pelo SEP para 12 de maio, Dia Internacional do Enfermeiro.

Paralisação de 48 horas abrange todo o setor

Os trabalhadores da saúde em Portugal iniciam hoje uma greve nacional de dois dias, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS). A paralisação decorre entre as 00:00 e as 24:00 dos dias 4 e 5 de maio, abrangendo todos os profissionais do setor, independentemente do vínculo, carreira ou filiação sindical. O pré-aviso, consultado pela agência Lusa, sublinha que a greve visa pressionar o Governo e as entidades empregadoras a atender a um conjunto de reivindicações. Entre elas, a reposição dos pontos retirados aos trabalhadores no âmbito do sistema de avaliação, a contratação urgente de pessoal para acabar com o 'uso e abuso dos turnos suplementares e cargas horárias de 14 e 16 horas de serviço contínuo', e a reposição de horas não pagas e não gozadas.

Sindicato denuncia exaustão e desprezo

O STTS justifica os dois dias de greve com a necessidade de os trabalhadores se manifestarem contra o pacote laboral apresentado pelo Governo. Em comunicado, o sindicato alerta que os profissionais da saúde estão em 'exaustão prolongada' e que o 'silêncio e a indiferença já não são opções'. 'O STTS não aceita mais que quem cuida dos outros seja tratado com desprezo. Exigimos o que é nosso por direito: valorização, salários justos e condições de trabalho dignas', afirmou o sindicato, que garante o cumprimento dos serviços mínimos decretados pelo tribunal arbitral. De acordo com a decisão, os meios humanos necessários serão equivalentes aos disponibilizados aos domingos e feriados, não podendo ultrapassar o número de trabalhadores de um dia útil em cada serviço.

Manifestação em Lisboa no segundo dia

Para a manhã de 5 de maio, está agendada uma manifestação junto ao Hospital Santa Maria, em Lisboa. A concentração pretende dar visibilidade às reivindicações e pressionar o Governo a negociar. O STTS afirma que pretende dialogar com o executivo sobre as matérias em causa, mas sublinha que a ação de protesto é inevitável face à falta de resposta. A greve coincide com o noticiário internacional do dia 4 de maio, que inclui a chegada de líderes mundiais à Arménia para a cimeira da Comunidade Política Europeia e o agravamento do confronto entre o chanceler alemão Merz e o presidente Trump.

Enfermeiros preparam nova greve para 12 de maio

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) já convocou uma greve nacional para 12 de maio, Dia Internacional do Enfermeiro, que abrangerá os setores público, privado e social. A paralisação visa exigir ao Governo que resolva vários problemas que afetam a profissão há anos. Segundo o presidente do SEP, José Carlos Martins, a greve será acompanhada de uma manifestação em Lisboa, que partirá do Campo Pequeno e terminará junto ao Ministério da Saúde. 'É uma greve e uma manifestação pela dignidade dos enfermeiros e pela dignificação da enfermagem', afirmou Martins, salientando que, apesar de estarem em curso negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho, é urgente resolver os problemas estruturais.

Contexto de cortes na saúde e pressão orçamental

A greve dos trabalhadores da saúde ocorre num momento em que, na Alemanha, o governo anunciou cortes de 15 mil milhões de euros na Saúde para reforçar o investimento na Defesa. Em Portugal, o setor enfrenta há anos dificuldades de financiamento e falta de pessoal, agravadas pela pandemia e pelo envelhecimento da população. O STTS insiste que a valorização dos profissionais é urgente para evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde. A paralisação de dois dias é vista como um primeiro passo de uma escalada de protestos, caso o Governo não responda às reivindicações.

Próximos passos e expectativas

Com a greve de 4 e 5 de maio, o STTS espera forçar o Governo a sentar-se à mesa das negociações. O sindicato deixou claro que não aceitará mais adiamentos e que a mobilização continuará enquanto as exigências não forem atendidas. A greve dos enfermeiros em 12 de maio promete ampliar a pressão sobre o executivo, num mês que se antecipa de forte contestação social no setor da saúde. Resta saber se o Governo apresentará propostas concretas antes dessa data ou se o braço de ferro se prolongará.

Em resumo

  • Greve nacional de 48 horas dos trabalhadores da saúde em Portugal, dias 4 e 5 de maio de 2026, convocada pelo STTS.
  • Reivindicações incluem reposição de pontos de avaliação, contratação urgente e fim de turnos excessivos.
  • Manifestação marcada para 5 de maio junto ao Hospital Santa Maria, em Lisboa.
  • Serviços mínimos equivalentes a domingos e feriados, conforme tribunal arbitral.
  • SEP convoca greve de enfermeiros para 12 de maio, com manifestação em Lisboa.
  • Contexto de cortes na saúde na Europa e pressão sobre o Governo português para valorizar profissionais.
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