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Chuva Ácida: o thriller francês que transforma crise climática em metáfora familiar chega à Sessão da Tarde

Longa de Just Philippot, exibido nesta segunda-feira pela TV Globo, usa uma catástrofe natural para explorar as fissuras de uma família diante do colapso ambiental.

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Chuva Ácida: o thriller francês que transforma crise climática em metáfora familiar chega à Sessão da Tarde
Longa de Just Philippot, exibido nesta segunda-feira pela TV Globo, usa uma catástrofe natural para explorar as fissurasCrédito · Globo

Os factos

  • Chuva Ácida (Acide) é dirigido por Just Philippot e estreou no Festival de Cannes em 2023.
  • O filme é uma nova versão do curta-metragem Acid (2018), também de Philippot.
  • Protagonizado por Guillaume Canet, Laetitia Dosch e Patience Munchenbach.
  • A trama acompanha Selma (15 anos) e seus pais separados durante uma onda de calor com chuva ácida letal na França.
  • O roteiro foi inspirado por eventos reais: pandemia de Covid-19, Guerra na Ucrânia e movimento dos Coletes Amarelos.
  • Guillaume Canet dormiu pouco e gritou muito para atingir o estado de exaustão física e emocional do personagem.
  • O orçamento reduzido obrigou a equipe a repensar os efeitos visuais da chuva ácida.
  • O filme está disponível na Amazon Prime Video e Claro TV, além da exibição na Globo.

O drama que une desastre climático e ruptura familiar

Nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, a Sessão da Tarde da TV Globo exibe Chuva Ácida (Acide), um thriller francês que coloca uma família fragmentada no centro de uma catástrofe ambiental. O longa, dirigido por Just Philippot, será transmitido logo após a edição especial de Terra Nostra, a partir das 15h45 (horário de Brasília). A produção acompanha Selma (Patience Munchenbach), uma adolescente de 15 anos que vive dividida entre os pais separados, Michal (Guillaume Canet) e Élise (Laetitia Dosch). Em meio a uma onda de calor que assola a França, uma nuvem ameaçadora traz uma chuva ácida letal, forçando a família a se reunir para sobreviver ao caos. O filme não se limita ao espetáculo do desastre: ele usa a crise climática como pano de fundo para explorar as dinâmicas emocionais de um núcleo familiar já desgastado pelo divórcio e por traumas não resolvidos.

Das crises reais à metáfora da chuva ácida

Chuva Ácida é uma nova versão do curta-metragem Acid (2018), também dirigido por Philippot, que fez sucesso suficiente para inspirar o longa. O diretor e o co-roteirista Yacine Badday buscaram inspiração em eventos reais para construir o enredo: a pandemia de Covid-19, a Guerra na Ucrânia e o movimento dos Coletes Amarelos na França. A chuva ácida funciona como uma metáfora para essas crises, sem mencioná-las explicitamente. "Não queríamos encontrar uma explicação racional para o fenômeno da chuva ácida. Pelo contrário, tínhamos que ser tão 'naturalmente irracionais' quanto as crises atuais", explicou o diretor. "Era necessário conectar o estado do mundo a uma nova catástrofe que não está ligada a um erro da História, mas a uma soma de desordens." A escolha narrativa evita longas exposições científicas sobre as causas da acidez, concentrando-se no terror psicológico e na urgência da sobrevivência.

A preparação radical de Guillaume Canet para viver o pai desesperado

Para interpretar Michal, um homem falho cujo trauma físico — uma perna lesionada — simboliza sua incapacidade de sustentar a família, Guillaume Canet adotou uma preparação intensa. "Para estar no estado de exaustão física e emocional do meu personagem, eu me coloquei na condição ideal: dormi muito pouco e gritei muito para ficar com a voz falha", revelou o ator em entrevista ao Madame Figaro. "Meus colegas de quarto no hotel devem ter pensado que eu estava louco!" Canet também enfrentou desafios atléticos inesperados: a filha do personagem, originalmente prevista para ter 8 anos, foi substituída por uma adolescente de 14 anos. "Agora, tenho que carregá-la nos ombros por muito tempo na lama, pelos campos... Foi um pouco mais atlético do que eu esperava!", brincou. A performance do ator é descrita como crua, despida de vaidade, e sua química com Laetitia Dosch carrega um ressentimento palpável, típico de casais com um histórico de dores não resolvidas.

Estética da corrosão: a fotografia e a montagem a serviço do horror

A direção de Philippot é marcada por um domínio magistral da tensão. A mise-en-scène é claustrofóbica, mesmo em espaços abertos, e a fotografia de Pierre Hubert opta por uma paleta desaturada, com tons de cinza e verde doentios que sublinham a toxicidade da atmosfera. A temperatura da imagem é fria, transmitindo uma sensação de desolamento que nem o sol consegue aquecer. Quando a chuva finalmente cai, a montagem de Vincent Tricon abandona o frenesi comum a filmes de desastre e adota um ritmo angustiante, permitindo que o espectador sinta o tempo de reação das personagens diminuir. O orçamento reduzido obrigou a equipe a repensar o impacto visual das chuvas ácidas, resultando em efeitos menos dramáticos do que o inicialmente planejado, mas que não comprometem a força narrativa. O filme recebeu nota máxima (5/5) em análises especializadas, sendo descrito como "um soco no estômago da complacência" e "o filme mais urgente e perturbador do ano".

O olhar feminino no apocalipse: Elise e Selma como pilares da adaptação

Enquanto Michal é movido por uma energia reativa e por vezes violenta — o arquétipo do protetor que se consome na própria impotência —, são as mulheres que carregam o peso da adaptação emocional. Elise representa a mulher que, mesmo diante do apocalipse, tenta manter a coesão de um núcleo familiar já fragmentado. Há uma crítica intrínseca à carga mental feminina: mesmo quando o céu está literalmente derretendo a pele das pessoas, a mulher é quem precisa gerenciar os traumas da filha e os impulsos do ex-marido. Selma, por sua vez, personifica a Geração Z diante da crise climática. Ela não sente apenas medo; sente a traição de uma linhagem que lhe entregou um mundo em chamas (ou sob uma chuva corrosiva). A agência feminina aqui não se manifesta em superpoderes, mas na capacidade de sustentar o olhar diante do horror, priorizando o afeto quando a biologia se torna inimiga. A análise do portal Séries Por Elas destaca que a lente feminina revela o cuidado como resistência no caos, oferecendo uma perspectiva raramente explorada em filmes de catástrofe.

Disponibilidade e programação da semana na Sessão da Tarde

Além da exibição na TV Globo, Chuva Ácida está disponível nas plataformas de streaming Amazon Prime Video e Claro TV. O filme integra a programação da Sessão da Tarde, que nesta semana traz ainda outros títulos: na terça-feira (5/5), A Caminho de Casa; quarta-feira (6/5), Um Milagre Inesperado; quinta-feira (7/5), Fala Sério, Mãe!; e sexta-feira (8/5), Superação: O Milagre da Fé. A exibição de Chuva Ácida ocorre após as emoções finais de Terra Nostra, a partir das 15h25 (horário de Brasília). O longa, que estreou no Festival de Cannes em 2023, chega ao público brasileiro em um momento em que as discussões sobre mudanças climáticas e crises sanitárias estão mais presentes do que nunca. Com sua abordagem metafórica e visceral, o filme convida o espectador a refletir sobre a fragilidade da sociedade diante de eventos inesperados — e sobre como, mesmo no fim do mundo, as relações humanas continuam sendo o centro da narrativa.

Em resumo

  • Chuva Ácida é um thriller francês que usa uma catástrofe climática como metáfora para crises reais como a pandemia, a guerra e os protestos sociais.
  • O filme é uma nova versão do curta Acid (2018) e estreou no Festival de Cannes em 2023.
  • A preparação radical de Guillaume Canet incluiu privação de sono e gritos para atingir a exaustão do personagem.
  • A fotografia desaturada e a montagem angustiante criam uma estética da corrosão que potencializa o horror psicológico.
  • A narrativa destaca o papel feminino na adaptação ao caos, com Elise e Selma como pilares emocionais da família.
  • Disponível na Globo (Sessão da Tarde) e nas plataformas Amazon Prime Video e Claro TV.
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