Light troca CFO e reestrutura cúpula enquanto aguarda renovação de concessão de 30 anos
Aneel recomenda prorrogação do contrato por três décadas, mas empresa ainda precisa de aval do Ministério de Minas e Energia e enfrenta forte queda nas ações após balanço frustrante.

BRAZIL —
Os factos
- Light (LIGT3) trocou o diretor financeiro e reorganizou a alta direção.
- A Aneel recomendou a renovação da concessão da distribuidora por mais 30 anos.
- A dívida do grupo caiu 19% entre setembro de 2024 e junho de 2025, para R$ 9,6 bilhões.
- No 2T25, a receita líquida foi de R$ 3,1 bilhões, queda de 10% ano a ano.
- O Ebitda ajustado despencou 67% no 2T25, para R$ 203 milhões.
- As ações da Light caíram cerca de 11% no dia da divulgação do balanço do 2T25.
- O UBS manteve recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 4.
- A Fitch projeta que a revisão tarifária de março de 2027 elevará os referenciais de perdas.
Reestruturação na cúpula e saída de Tanure
A Light S.A. anunciou a troca de seu diretor financeiro e uma reorganização da cúpula executiva, em meio a um momento crítico de sua recuperação judicial. O empresário Nelson Tanure deixou o conselho de administração da companhia após a perda de ativos e sob pressões relacionadas ao caso Master. A saída de Tanure ocorre em um contexto de questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a exposição da Light ao Banco Master. Tanto a Light quanto a Gafisa (GFSA3) afirmaram não ter exposição ao banco, após os questionamentos do órgão regulador. A EMAE desistiu da compra de debêntures da Light e rescindiu o acordo com o BTG Pactual, sinalizando dificuldades na captação de recursos pela empresa.
Aneel recomenda renovação de concessão por 30 anos
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a recomendação para que o governo federal renove por mais 30 anos a concessão da distribuidora de energia da Light. A prorrogação, no entanto, ainda depende da aprovação do Ministério de Minas e Energia. Segundo a Aneel, a renovação reforçaria o processo de desalavancagem e abriria espaço para parâmetros regulatórios mais favoráveis. A agência concluiu que a distribuidora cumpriu as exigências de qualidade de serviço e de gestão financeira após a reestruturação de sua dívida. A Fitch Ratings avalia que a recomendação representa um ponto de inflexão para a recuperação financeira do grupo. O contrato atual vence em 4 de junho de 2026, e os novos termos valerão a partir da assinatura.
Dívida cai 19%, mas ainda pesa R$ 9,6 bilhões
Em junho de 2025, o grupo devia R$ 9,6 bilhões (R$ 7,9 bilhões a valor justo), uma queda de 19% em relação aos R$ 11,8 bilhões de setembro de 2024. O valor mais recente inclui R$ 2,1 bilhões em novos instrumentos da holding Light S.A. que serão convertidos em capital caso a concessão seja renovada, o que reduziria a dívida bruta em mais 18%. Além disso, os acionistas deverão aportar entre R$ 1,0 bilhão e R$ 1,5 bilhão em caixa, conforme o plano de recuperação judicial aprovado. A Fitch informa que revisará os ratings ‘D’ do grupo assim que a reestruturação estiver concluída, etapa que ainda depende da troca de um empréstimo bancário de R$ 230 milhões por debêntures já emitidas. A análise da agência se concentrará na estrutura de capital pós-reestruturação, nas maiores necessidades de investimento e na capacidade de a Light Sesa operar com custos, perdas de energia e índices de inadimplência em linha com os parâmetros regulatórios.
Balanço do 2T25 frustra mercado e ações despencam
Após meses de alta na B3, a Light voltou a decepcionar. O mercado viu suas expectativas ruírem após o balanço do segundo trimestre de 2025. Por volta das 13h20, as ações da empresa despencavam cerca de 11% na bolsa brasileira. Para analistas do UBS, o resultado foi uma “forte frustração”. A Light atribuiu o desempenho abaixo das expectativas à queda das temperaturas no Rio de Janeiro e à migração de clientes do mercado cativo para o mercado livre de energia. No 2T25, a Light registrou receita líquida de R$ 3,1 bilhões, queda de 10% em relação ao ano anterior. O Ebitda ajustado foi de R$ 203 milhões, recuo de 67% na comparação anual. O volume total faturado caiu 8%, puxado por uma queda de 14% no mercado cativo, causada por uma redução de 2°C na temperatura média do Rio de Janeiro e pelo crescimento da geração distribuída.
Perdas não técnicas estáveis em 70,7% e prejuízo de R$ 51 milhões
O UBS destacou que as perdas não técnicas, decorrentes de roubos de energia, permaneceram estáveis em 70,7% no ano. O prejuízo líquido da Light no 2T25 foi de R$ 51 milhões, mantendo-se estável na base anual. O resultado financeiro negativo de R$ 65 milhões, contra menos R$ 457 milhões no segundo trimestre de 2024, ajudou a conter o prejuízo. O desempenho foi favorecido por menores encargos líquidos, resultado de dívidas renegociadas, e por gastos cambiais mais baixos. “A visibilidade sobre o desempenho futuro da Light segue baixa, e esperamos que a companhia concentre seus esforços na renovação da concessão de distribuição de energia”, afirmou o time de analistas liderado por Giuliano Aleje. “Na nossa visão, a companhia enfrenta um momento crítico, com perspectivas limitadas de recuperação, deterioração operacional, passivos financeiros relevantes e incerteza regulatória”, acrescentou o relatório.
Revisão tarifária de 2027 e novos parâmetros regulatórios
Os parâmetros regulatórios permanecem centrais para a geração de caixa e a alavancagem futura da empresa. Com base na minuta da nova concessão, a Fitch projeta que a revisão tarifária periódica marcada para março de 2027 elevará os referenciais de perdas e permitirá diferenciação tarifária nas áreas de maior complexidade. O acordo também prevê incentivos compatíveis com a capacidade da companhia de combater perdas de energia e inadimplência nesses locais. A Aneel antevê efeito ‘severo’ para os consumidores caso a renovação não ocorra, e busca ‘alinhamento’ com a Receita Federal. A Light, em recuperação judicial, enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade de investimentos com a geração de caixa, enquanto aguarda a decisão final do Ministério de Minas e Energia sobre a concessão.
Em resumo
- A Light trocou o CFO e reestruturou a cúpula, com a saída de Nelson Tanure do conselho.
- A Aneel recomendou a renovação da concessão por 30 anos, mas a decisão final cabe ao Ministério de Minas e Energia.
- A dívida do grupo caiu 19% para R$ 9,6 bilhões, com possibilidade de redução adicional de 18% se a concessão for renovada.
- O balanço do 2T25 frustrou o mercado: receita caiu 10%, Ebitda despencou 67%, e as ações caíram 11%.
- As perdas não técnicas por roubo de energia permanecem elevadas, em 70,7%.
- A revisão tarifária de março de 2027 e os novos parâmetros regulatórios são cruciais para a recuperação da empresa.







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