Trump ameaça reduzir tropas na Alemanha após Merz criticar estratégia dos EUA no Irã
Chanceler alemão afirmou que americanos estão sendo 'humilhados' e não têm plano de saída; presidente dos EUA responde com ataques pessoais e revisão militar.
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BRAZIL —
Os factos
- Trump publicou no Truth Social que os EUA estudam reduzir tropas na Alemanha, decisão 'em breve'.
- Merz disse a estudantes que EUA foram 'humilhados' pelo Irã e não têm estratégia clara para a guerra.
- Trump acusou Merz de achar 'ok' o Irã ter arma nuclear; Merz sempre afirmou o contrário.
- Alemanha abriga a Base Aérea de Ramstein, quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa.
- CDU de Merz caiu nas pesquisas, agora atrás da ultra-direita AfD, devido ao impacto econômico da guerra.
- Trump tem reunião com o Pentágono nesta quinta-feira para receber opções militares atualizadas sobre o Irã.
A crise entre Washington e Berlim se agrava
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (29) que seu governo está revisando a possibilidade de reduzir o número de tropas americanas estacionadas na Alemanha. A declaração ocorre um dia depois de Trump afirmar que o chanceler alemão, Friedrich Merz, 'não sabe do que está falando' sobre o Irã. A briga pública entre os dois líderes começou na segunda-feira (27), quando Merz disse a um grupo de estudantes em Marsberg, no oeste da Alemanha, que os Estados Unidos estão sendo 'humilhados' pelo Irã nas negociações para encerrar a guerra. 'Os americanos obviamente não têm estratégia', afirmou o chanceler, citando os exemplos do Afeganistão e do Iraque como lições dolorosas sobre os perigos de entrar em conflitos sem um plano de saída.
As palavras de Merz que irritaram Trump
Em uma assembleia escolar, Merz declarou que 'os iranianos são obviamente muito habilidosos em negociar, ou melhor, muito habilidosos em não negociar, permitindo que os americanos viajem para Islamabad e depois partam sem qualquer resultado'. Ele acrescentou que 'toda essa situação é, no mínimo, mal planejada' e que não via 'qual estratégia de saída os americanos estão adotando'. Trump respondeu no dia seguinte, 28 de janeiro, com uma publicação no Truth Social: 'O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acha que não há problema em o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!' O presidente americano completou: 'Não é de admirar que a Alemanha esteja indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!'
A ameaça de redução de tropas e o contexto militar
Na quarta-feira (29), Trump voltou a atacar Merz, escrevendo no Truth Social que o chanceler deveria 'dedicar mais tempo a pôr fim à guerra com a Rússia/Ucrânia (onde tem sido totalmente ineficaz!) e a consertar os problemas do seu país, especialmente nas áreas da imigração e da energia'. Em seguida, anunciou a revisão das tropas: 'Os Estados Unidos estão estudando e revisando a possível redução de tropas na Alemanha, com uma decisão a ser tomada em breve.' A Alemanha abriga a Base Aérea de Ramstein, quartel-general das Forças Aéreas dos EUA na Europa, que inclui unidades de transporte aéreo, lançamento aéreo e evacuação aeromédica, além de uma instalação da Otan. Merz, por sua vez, havia permitido que os EUA utilizassem plenamente as bases militares alemãs para lançar ataques e enviar navios para patrulhar o Estreito de Ormuz após o término formal da guerra.
Os custos políticos e econômicos para a Alemanha
A guerra devastou a economia alemã. Motoristas e fabricantes foram surpreendidos pela alta nos preços dos combustíveis, causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. O governo alemão reduziu drasticamente suas previsões de crescimento econômico para este ano. Desde o início do conflito, o partido de Merz, a União Democrata Cristã (CDU), de centro-direita, caiu da primeira posição nas pesquisas nacionais e agora está alguns pontos percentuais atrás do partido de ultra-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Apesar das críticas, Merz tentou minimizar o atrito. Na quarta-feira, antes da última publicação de Trump, o chanceler disse que seu relacionamento com o presidente americano continua 'bom'. No entanto, a pressão interna e externa parece ter sobrecarregado o líder alemão, que tem uma inclinação para improvisar em discursos menos formais.
O contexto mais amplo: Europa repensa sua segurança
A crise entre Trump e Merz ocorre em meio a um movimento mais amplo na Europa para repensar sua arquitetura de segurança diante da instabilidade gerada pelo presidente americano. A França anunciou uma nova estratégia nuclear, e países como Suécia e Polônia cogitam construir armas nucleares próprias. Trump tem criticado os aliados europeus e a Otan pelo que considera ajuda insuficiente na guerra EUA-Israel contra o Irã. Enquanto isso, Trump receberá nesta quinta-feira (30) autoridades do Pentágono, incluindo o Almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA, e o General Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, para discutir opções militares atualizadas para o Irã. A reunião sinaliza que Trump mantém suas opções em aberto, enquanto as negociações para encerrar a guerra avançam lentamente.
O impasse estratégico e as consequências para a aliança transatlântica
A troca de acusações entre Trump e Merz expõe as profundas divergências sobre a condução da guerra no Irã. Merz, que investiu em sua amizade com Trump desde que assumiu o cargo, viu seus esforços serem minados por uma declaração improvisada. Trump, por sua vez, usou a crítica pública como pretexto para retaliar, ameaçando reduzir a presença militar na Alemanha. A decisão sobre as tropas, que deve ser anunciada em breve, terá implicações significativas para a segurança europeia e para a credibilidade da Otan. Enquanto isso, a guerra continua a cobrar um preço alto da economia alemã e da popularidade de Merz, que agora enfrenta o desafio de equilibrar as demandas de Washington com as necessidades de seus eleitores.
Em resumo
- Trump ameaça reduzir tropas na Alemanha após Merz criticar abertamente a estratégia dos EUA no Irã.
- Merz disse que os EUA estão sendo 'humilhados' e não têm plano de saída; Trump respondeu com ataques pessoais.
- A guerra no Irã devastou a economia alemã e fez a CDU de Merz cair nas pesquisas, atrás da AfD.
- A Europa repensa sua segurança nuclear diante da instabilidade gerada por Trump.
- Trump tem reunião com o Pentágono para discutir opções militares contra o Irã, mantendo todas as possibilidades em aberto.






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