Trump ameaça retirar tropas da Alemanha após chanceler Merz criticar estratégia dos EUA no Irã
Em resposta a declarações públicas de Friedrich Merz, que chamou a abordagem americana de 'mal planejada', presidente americano anuncia revisão de efetivo militar na Europa.
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BRAZIL —
Os factos
- Trump anunciou em 29 de abril de 2026 que os EUA estudam reduzir tropas na Alemanha.
- Merz disse a estudantes em Marsberg que os EUA estão sendo 'humilhados' pelo Irã.
- Merz criticou a falta de estratégia de saída dos EUA, citando Afeganistão e Iraque.
- Trump acusou Merz de apoiar ambições nucleares do Irã, chamando-o de 'não sabe do que está falando'.
- Alemanha abriga a Base Aérea de Ramstein, quartel-general das Forças Aéreas dos EUA na Europa.
- Espanha fechou espaço aéreo para aeronaves americanas; Itália negou uso de base na Sicília.
- Partido de Merz, CDU, caiu nas pesquisas, agora atrás do partido de ultradireita AfD.
A ruptura pública entre Washington e Berlim
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (29) que os EUA estão revisando uma possível redução de tropas na Alemanha, intensificando uma crise diplomática com um dos principais aliados europeus. A declaração veio um dia após o chanceler alemão, Friedrich Merz, ter dito que os americanos estão sendo 'humilhados' pelo Irã em uma guerra que considerou mal planejada. Em uma postagem na rede social Truth Social, Trump escreveu que 'os Estados Unidos estão estudando e revisando a possível redução de tropas na Alemanha, com uma decisão a ser tomada em breve'. A ameaça ocorre em meio a desentendimentos sobre a estratégia dos EUA no conflito com o Irã, que já dura meses.
As críticas de Merz à estratégia americana
Durante uma visita a uma escola em Marsberg, no oeste da Alemanha, na segunda-feira (27), Merz afirmou que os iranianos são 'muito habilidosos em não negociar', permitindo que os americanos viajem a Islamabad e partam sem resultados. Ele criticou abertamente a falta de uma estratégia de saída clara, comparando a situação ao Afeganistão e ao Iraque. 'Os americanos obviamente não têm estratégia', disse Merz a um grupo de estudantes. 'O problema com esses conflitos é que você não só precisa entrar, como também precisa sair. Vimos isso de forma muito dolorosa no Afeganistão durante 20 anos. Vimos isso no Iraque. Portanto, esta situação é, como eu disse, no mínimo mal pensada.' O chanceler também expressou o desejo de Berlim de que a guerra termine rapidamente para evitar mais danos à economia mundial, já afetada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e pela alta nos preços dos combustíveis.
A reação de Trump e o agravamento da crise
Trump respondeu prontamente às declarações de Merz, acusando-o de apoiar as ambições nucleares do Irã. 'O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acha que não há problema em o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!', escreveu Trump. 'Se o Irã tivesse uma arma nuclear, o mundo inteiro seria mantido refém.' Apesar da escalada retórica, Merz afirmou na quarta-feira, antes da última postagem de Trump, que seu relacionamento com o presidente americano continua 'bom'. No entanto, a troca de acusações públicas sugere o contrário, especialmente porque Trump tem histórico de retaliar aliados que o criticam abertamente.
O impacto na economia alemã e na popularidade de Merz
A guerra no Irã devastou a economia alemã, que depende fortemente de importações de energia. O governo de Merz reduziu drasticamente suas previsões de crescimento econômico para 2026, enquanto motoristas e fabricantes alemães enfrentam preços recordes de combustíveis devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz. Politicamente, o custo também é alto. Desde o início do conflito, o partido de Merz, a União Democrata Cristã (CDU), de centro-direita, caiu da primeira posição nas pesquisas nacionais e agora está alguns pontos percentuais atrás do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD). A pressão interna parece ter levado Merz a fazer declarações mais duras contra a estratégia americana.
A reconfiguração das alianças na Otan
Trump também ameaçou retirar tropas da Espanha e da Itália, que adotaram posturas mais restritivas em relação à guerra. A Espanha fechou seu espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas no conflito, enquanto a Itália negou o uso de uma base aérea na Sicília para operações de combate. Em contraste, a Alemanha permitiu o uso pleno de suas bases militares, incluindo a Base Aérea de Ramstein, quartel-general das Forças Aéreas dos EUA na Europa. Apesar disso, Trump considera punir países da Otan que não apoiaram suficientemente a ofensiva, com planos de transferir tropas para nações como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia. O jornal The Wall Street Journal revelou que o plano também inclui o fechamento de uma base militar dos EUA na Europa, possivelmente na Espanha ou na Alemanha.
O dilema dos líderes europeus entre Trump e seus eleitores
A crise expõe um dilema crescente para líderes estrangeiros: agradar a Trump ou atender às demandas de seus próprios eleitores. Merz, que investiu muito em sua amizade com o presidente americano nos últimos meses, agora enfrenta as consequências de ter seguido a linha de Washington. Ele visitou a Casa Branca repetidamente, inclusive nos primeiros dias após o início da guerra, e troca mensagens de texto frequentes com Trump. No entanto, a guerra prejudicou a economia alemã e sua popularidade, forçando-o a se distanciar publicamente da estratégia americana. O resultado é uma relação estremecida que pode ter implicações duradouras para a aliança transatlântica.
O futuro da presença militar dos EUA na Europa
A decisão sobre a redução de tropas na Alemanha deve ser tomada 'em breve', segundo Trump. Enquanto isso, a Europa considera novas arquiteturas de segurança, com países como Suécia e Polônia cogitando desenvolver armas nucleares próprias diante da instabilidade. A França já anunciou uma nova estratégia nuclear, sinalizando que os aliados europeus buscam maior autonomia. A crise atual pode acelerar esses movimentos, especialmente se Trump concretizar suas ameaças de retirada de tropas. Por ora, a relação entre Washington e Berlim está em seu ponto mais baixo desde o início da guerra, com consequências imprevisíveis para a Otan e para o equilíbrio de poder na Europa.
Em resumo
- Trump ameaça retirar tropas da Alemanha após Merz criticar a estratégia dos EUA no Irã.
- Merz disse que os EUA estão sendo 'humilhados' e que a guerra é 'mal planejada', citando precedentes no Afeganistão e Iraque.
- Trump acusou Merz de apoiar armas nucleares iranianas, em uma troca de acusações que escalou rapidamente.
- A economia alemã sofre com a guerra, com queda nas previsões de crescimento e alta nos combustíveis.
- A popularidade de Merz caiu, com seu partido perdendo a liderança nas pesquisas para a AfD de ultradireita.
- A crise pode levar a uma reconfiguração das alianças na Otan, com países europeus buscando maior autonomia militar.






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