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Cessar-fogo no Irão permite que Trump evite aprovação do Congresso para continuar guerra

Administração argumenta que conflito terminou a 7 de Abril, suspendendo prazo de 60 dias da Lei de Poderes de Guerra.

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Cessar-fogo no Irão permite que Trump evite aprovação do Congresso para continuar guerra
Administração argumenta que conflito terminou a 7 de Abril, suspendendo prazo de 60 dias da Lei de Poderes de Guerra.Crédito · Público

Os factos

  • Prazo de 60 dias da Lei de Poderes de Guerra termina esta sexta-feira.
  • Cessar-fogo iniciado a 7 de Abril é invocado pela Casa Branca para suspender contagem.
  • Secretário da Defesa Pete Hegseth rejeita acusações de democratas sobre falta de estratégia.
  • EUA já gastaram cerca de 25 mil milhões de dólares no conflito.
  • 13 militares americanos mortos na guerra, segundo o senador Jack Reed.
  • Estreito de Ormuz permanece fechado, com impacto nos preços dos combustíveis.
  • Orçamento militar proposto para 2027 atinge recorde de 1,5 biliões de dólares.
  • Mais de 2.500 mortos no Líbano desde início de março.

Audiência no Senado expõe divisão sobre legalidade da guerra

Numa audiência tensa no Comité de Serviços Armados do Senado na quinta-feira, o secretário da Defesa Pete Hegseth defendeu que o cessar-fogo de 7 de Abril com o Irão suspende o prazo de 60 dias da Lei de Poderes de Guerra de 1973, que expira esta sexta-feira. A lei exige que o Presidente obtenha autorização do Congresso para prolongar hostilidades além desse período, mas a administração Trump entende que o conflito terminou com o cessar-fogo. Hegseth afirmou que, segundo o entendimento da Casa Branca, o prazo de 60 dias é suspenso ou interrompido enquanto durar o cessar-fogo. A lei prevê uma possível extensão de 30 dias, mas a administração não indicou se o Presidente a solicitará. Questionado pelos senadores, Hegseth não respondeu qual será a posição oficial.

Democratas criticam custos humanos e financeiros da guerra

O senador Jack Reed, democrata de topo no comité, argumentou que a guerra deixou os Estados Unidos numa posição estratégica pior. O Estreito de Ormuz está fechado, os preços dos combustíveis dispararam e 13 militares americanos foram mortos, afirmou Reed. O senador expressou preocupação de que Hegseth esteja a dizer ao Presidente o que ele quer ouvir, em vez do que precisa ouvir, e criticou as garantias ousadas de sucesso como um desserviço às tropas. Reed também atacou os despedimentos de altos líderes militares no Pentágono, notando que 60% dos cerca de duas dezenas de oficiais despedidos eram mulheres ou negros. Hegseth respondeu que os despedimentos se baseiam no desempenho e que os líderes anteriores estavam focados em engenharia social, raça e género, de formas pouco saudáveis para o departamento.

Republicanos elogiam estratégia e orçamento militar recorde

O senador Roger Wicker, presidente republicano do comité, iniciou a audiência afirmando que os EUA enfrentam o ambiente de segurança mais perigoso desde a Segunda Guerra Mundial e elogiou o uso do exército por Trump na guerra contra o Irão. Wicker defendeu que o Presidente trabalhou para remover as capacidades militares convencionais do regime e forçá-lo a regressar à mesa de negociações. O republicano também elogiou a proposta orçamental de Trump para 2027, que aumentaria os gastos com Defesa para um recorde de 1,5 biliões de dólares, descrevendo-a como repleta de programas e iniciativas necessários para garantir os interesses americanos no século XXI. Hegseth e o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, têm salientado a necessidade de mais drones, sistemas de defesa antimísseis e navios de guerra.

Guerra prossegue apesar de cessar-fogo; Irão prepara nova proposta

A guerra no Médio Oriente continua em pleno, enquanto o Irão prepara uma nova proposta para apresentar nas negociações, possivelmente na próxima sexta-feira. Esta data coincide com o prazo para o Congresso aprovar, pelo menos em teoria, a continuidade do conflito. Os EUA já gastaram cerca de 25 mil milhões de dólares, equivalente a quase 10% do PIB português, e Washington garante necessitar de mais fundos. Com maioria republicana no Congresso, perde força a ideia de autorização para prosseguir a guerra após os 60 dias. A estratégia americana parece ser responder com bloqueio ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, e Trump reuniu-se com os donos das maiores petrolíferas para discutir o prolongamento indefinido do conflito.

Ataques israelitas continuam no Líbano e em Gaza

Apesar do cessar-fogo, os ataques israelitas continuam a provocar vítimas no Líbano. Esta quarta-feira, mais cinco pessoas morreram no sul do país, elevando para mais de 2.500 o número de mortos desde o início de março. A chamada zona tampão até ao rio Litani ameaça traduzir-se numa conquista territorial israelita. Em Gaza, a situação humanitária permanece catastrófica, com várias organizações a denunciar o avanço das linhas amarela e laranja de controlo israelita, que neste momento abrangem dois terços do território. O Presidente da FIFA assegurou que o Irão estará no Mundial, e Trump apoia a decisão.

Divergências sobre legalidade e futuro do conflito

Os democratas consideram que esta é uma guerra dispendiosa e por escolha própria, que carece de aprovação ou supervisão do Congresso, mas não conseguiram aprovar múltiplas resoluções de poderes de guerra que obrigariam Trump a suspender o conflito. Na quarta-feira, Hegseth enfrentou questões durante uma audição de quase seis horas na Comissão de Serviços Armados da Câmara, onde foi questionado sobre os custos em dólares, perda de vidas e esgotamento de stocks de armas críticas. A administração Trump argumenta que o cessar-fogo encerrou a guerra, mas os combates continuam e o Irão prepara uma nova proposta. O prazo de 60 dias expira sem uma decisão clara do Congresso, deixando em aberto a legalidade de futuros ataques sem autorização legislativa.

Em resumo

  • A administração Trump invoca o cessar-fogo de 7 de Abril para evitar pedir autorização ao Congresso para continuar a guerra, apesar de os combates prosseguirem.
  • O prazo de 60 dias da Lei de Poderes de Guerra expira esta sexta-feira, mas a Casa Branca considera-o suspenso.
  • Os EUA gastaram 25 mil milhões de dólares no conflito e propõem um orçamento de defesa recorde de 1,5 biliões para 2027.
  • O Estreito de Ormuz continua fechado, com impacto nos preços dos combustíveis e na economia global.
  • Mais de 2.500 mortos no Líbano e dois terços de Gaza sob controlo israelita evidenciam a escalada regional.
  • A divisão partidária no Congresso impede qualquer ação legislativa para travar ou autorizar a guerra.
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