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Nova lei grega multa utilizadores de IPTV e pode inspirar outros países

Enquanto a Grécia aprova coimas de 750 a 5.000 euros para consumidores de pirataria audiovisual, Portugal intensifica operações policiais e investiga anúncios ilegais em sites governamentais.

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Nova lei grega multa utilizadores de IPTV e pode inspirar outros países
Enquanto a Grécia aprova coimas de 750 a 5.000 euros para consumidores de pirataria audiovisual, Portugal intensifica opCrédito · PRLog

Os factos

  • A Grécia aprovou uma lei que multa utilizadores de IPTV ilegal entre 750 e 5.000 euros, duplicando em caso de reincidência.
  • A Polícia Judiciária deteve dois suspeitos em Valença por exploração ilegal de IPTV, apreendendo mais de 100 mil euros.
  • A PJ constituiu arguidas duas pessoas coletivas na operação 'Sinal aberto'.
  • A GEDIPE denunciou a divulgação de ofertas de IPTV pirata em páginas.gov.pt, incluindo do IPDJ e do Ministério das Finanças.
  • A PJ confirmou estar a investigar a autoria das publicações ilegais em sites governamentais.
  • A multa para uso comercial de IPTV na Grécia começa em 5.000 euros por infração e sobe para 10.000 euros na reincidência.

Grécia aprova multas para consumidores de IPTV ilegal

A Grécia tornou-se o mais recente país a penalizar diretamente os utilizadores de serviços de IPTV pirata, com uma lei que prevê coimas entre 750 e 5.000 euros. A nova regulamentação, aprovada em agosto de 2025, visa o acesso ilegal a sinais audiovisuais ou conteúdos de fontes ilícitas, incluindo assinaturas piratas de IPTV e sites ilegais de streaming. Para utilizadores particulares, a multa base é de 750 euros, duplicando para 1.500 euros em caso de reincidência. Já para uso comercial, a coima começa nos 5.000 euros por infração e aumenta para 10.000 euros se repetida. A lei também prevê uma multa de 1.500 euros para quem reproduzir conteúdo pirateado em público, independentemente do local. O processo pode ser iniciado oficiosamente pelas autoridades ou mediante denúncia escrita. Após identificação do fornecedor ilegal e dos dados do utilizador, é emitido um relatório policial com a descrição dos factos e o valor da penalidade. O utilizador tem 10 dias para apresentar objeções; se rejeitadas, a multa deve ser paga, sem prejuízo de outras ações judiciais dos titulares de direitos autorais.

Operação 'Sinal aberto' da PJ em Valença

Em Portugal, a Polícia Judiciária deteve dois suspeitos em Valença por exploração ilícita de canais televisivos protegidos, designadamente serviços de IPTV. A operação, denominada 'Sinal aberto', levou à apreensão de equipamentos informáticos e mais de 100 mil euros, tendo sido constituídas arguidas duas pessoas coletivas. Os detidos são suspeitos dos crimes de acesso ilegítimo, falsidade informática, burla informática e nas comunicações, além de fabrico, importação, distribuição, venda ou detenção para fins comerciais de dispositivos ilícitos. A PJ cumpriu três mandados de busca, domiciliária e não domiciliária, em duas residências particulares e num estabelecimento comercial. A investigação, que contou com o apoio de especialistas de Polícia Científica, apurou a existência de centenas de beneficiários da atividade ilegal. Os detidos foram restituídos à liberdade por determinação do Ministério Público, enquanto a análise do material apreendido prossegue sob inquérito do MP de Valença.

Anúncios de IPTV pirata em sites do Governo português

A GEDIPE – Associação para a Gestão Coletiva de Direitos de Autor e de Produtores Cinematográficos e Audiovisuais – denunciou às autoridades a divulgação de ofertas de IPTV pirata em páginas do Governo português com extensão.gov.pt. O diretor da GEDIPE, António Paulo Santos, confirmou a denúncia e a notificação ao Executivo liderado por Luís Montenegro sobre esta falha de segurança. Várias páginas governamentais alojavam anúncios ilegais, nomeadamente do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), incluindo secções dedicadas ao Museu do Desporto e ao Plano Nacional de Ética no Desporto. Também o Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério das Finanças apresentava ofertas semelhantes. Fonte da PJ confirmou estar a investigar a autoria destas publicações. O caso levanta questões sobre a segurança cibernética de domínios oficiais e a vulnerabilidade de sites governamentais a conteúdo ilícito.

Precedente grego pode influenciar outros países

A nova lei grega anti-IPTV pode abrir um precedente para outros países, especialmente aqueles que já penalizam fornecedores mas não os consumidores finais. Em Portugal, a pirataria audiovisual é crime, mas as sanções têm-se focado nos distribuidores, não nos utilizadores. A PJ alerta que a pirataria audiovisual acarreta riscos não só para o setor económico, mas também para os próprios utilizadores, expondo-os à partilha e potencial roubo de dados pessoais, com impactos sérios na segurança digital, podendo ainda conduzir à responsabilidade penal e cível. A GEDIPE tem pressionado por medidas mais duras, e a descoberta de anúncios ilegais em sites governamentais pode acelerar a discussão sobre a necessidade de criminalizar o consumo de IPTV pirata em Portugal.

Próximos passos e implicações legais

Na Grécia, a lei já está em vigor, e as autoridades podem começar a aplicar multas. Em Portugal, a investigação da PJ sobre os anúncios em sites governamentais prossegue, enquanto a operação 'Sinal aberto' continua a analisar o material apreendido. O pagamento das multas na Grécia não impede outras reivindicações, como indemnizações por danos dos titulares de direitos autorais. A lei grega considera acesso ilegal mesmo quando o dispositivo não está na posse do utilizador ou quando são usados dispositivos legais para além do autorizado, como partilha de credenciais. A tendência de criminalizar o consumo, e não apenas a distribuição, pode ganhar força na União Europeia, especialmente com o precedente grego e a pressão de associações de direitos autorais como a GEDIPE.

Em resumo

  • A Grécia aprovou multas de 750 a 5.000 euros para utilizadores de IPTV ilegal, com valores duplicados em caso de reincidência.
  • A PJ deteve dois suspeitos em Valença e apreendeu mais de 100 mil euros na operação 'Sinal aberto'.
  • Anúncios de IPTV pirata foram encontrados em sites governamentais portugueses, incluindo do IPDJ e do Ministério das Finanças.
  • A GEDIPE denunciou a falha de segurança ao Governo e às autoridades, e a PJ investiga a autoria das publicações.
  • A lei grega pode servir de modelo para outros países que ainda não penalizam os consumidores de pirataria audiovisual.
  • A pirataria IPTV expõe utilizadores a riscos de segurança digital e pode levar a responsabilidade penal e cível.
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